Empresas estruturam novos papéis para preparar lideranças antes do acesso às posições executivas
*por Mario Custódio
Formar líderes hoje passa, necessariamente, pela tecnologia. Não como diferencial, mas como condição básica. À medida que decisões estratégicas se apoiam cada vez mais em dados, automação e transformação digital, as empresas começam a revisar também o caminho que leva até o topo.
Um levantamento recente da Robert Half mostra que mais de 50% das companhias pretendem criar cargos intermediários abaixo do C-level com foco direto na formação dos líderes da próxima geração. Nessas posições, a tecnologia aparece de forma recorrente como parte central das responsabilidades.
O estudo indica uma evolução na forma de encarar a sucessão. Em vez de um tema tratado apenas em momentos específicos, ela passa a ser trabalhada de maneira contínua. Na prática, profissionais estratégicos começam a participar mais cedo de decisões complexas, especialmente em frentes ligadas à transformação digital, inovação e execução da estratégia.
Entre as organizações de capital aberto, líderes de transformação digital lideram a lista de cargos intermediários criados (56%), seguidos por diretores adjuntos ou assistentes (52%), gestores de inovação e mudança e estruturas formais de planejamento de sucessão (46%). São funções que conectam estratégia, tecnologia e execução, refletindo o peso crescente dos temas digitais na agenda da alta liderança.
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Nas empresas privadas, a lógica se repete. Diretores adjuntos (54%) e líderes de projetos estratégicos (50%) aparecem à frente, seguidos por líderes de transformação digital (46%) e gestores de inovação e mudança (42%). Mesmo em estruturas menos complexas, a tecnologia se consolida como base da formação executiva, indicando que liderar agora exige familiaridade com ambientes digitais, dados e gestão da mudança.
Esses cargos intermediários funcionam como um laboratório de experiências. Ao lidar com transformação, inovação e pressão por resultados, os profissionais ampliam repertório decisório e constroem visão sistêmica, algo que dificilmente se desenvolve somente com treinamentos formais. A tecnologia, nesse contexto, contribui ao trazer mais ritmo, complexidade e integração entre áreas.
Outro ponto relevante é a mitigação de riscos. Ao investir em funções intermediárias conectadas à tecnologia e à execução da estratégia, as companhias aumentam sua capacidade de resposta e reduzem a dependência de movimentos reativos.
No fim, a discussão não gira mais em torno de quem serão os próximos líderes, mas de quem já está sendo desenvolvido para lidar com negócios que mudam o tempo todo. As empresas que avançam nessa direção são aquelas que não aguardam o “momento certo” e passam a desenvolver esse preparo ao longo da trajetória.
*Mario Custódio é diretor de recrutamento executivo na Robert Half
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