Fraudes digitais desafiam o setor de turismo

Phishing, ransomware e vazamentos de dados colocam em evidência a importância de estratégias robustas em cibersegurança

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Imagem: Divulgação — Foto: www.magnific.com

Ao longo dos anos, o setor de turismo acompanhou a evolução tecnológica e incorporou novos recursos à experiência dos consumidores. Plataformas de reservas, aplicativos de hospedagem, pagamentos online e serviços personalizados transformaram a forma de viajar e ampliaram o segmento em larga escala. O Dia do Turismo, celebrado em 08 de maio, trouxe uma discussão necessária ao longo deste mês: a mesma conectividade que tornou as viagens mais práticas também estendeu a superfície de ataques para cibercriminosos interessados no roubo e sequestro de informações sensíveis. Por isso, fortalecer as estruturas de proteção digital tornou-se indispensável às companhias aéreas, hotéis e sites de viagem, que lidam diariamente com um volume expressivo de dados pessoais e financeiros. 

Não faz muito tempo, tivemos um exemplo claro desse contexto. Em abril, a Booking.com confirmou que hackers acessaram informações de parte de seus clientes. O incidente resultou na exposição de nomes completos, e-mail, números de telefone e detalhes de reservas realizadas. A empresa admitiu, ainda, que dados compartilhados diretamente com as acomodações via chat ou formulários na plataforma também podem ter sido acessados.

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Situações como essa não representam apenas um incidente operacional. Elas comprometem a confiança do consumidor e podem gerar impactos financeiros e reputacionais difíceis de reparar. A meu ver, é preocupante o fato de que muitos negócios (sejam da área de turismo ou não) ainda tratam a proteção digital como uma camada secundária, um custo adicional, quando ela deveria ser uma parte significativa do escopo corporativo.

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Tipos de ataques frequentes

Ao longo da minha carreira, venho observando a evolução dos ataques cibernéticos e a sofisticação das fraudes direcionadas ao turismo. Feriados prolongados, alta estação e férias escolares costumam ampliar os riscos. Nesses períodos, cresce o número de buscas por pacotes de viagem e ofertas, criando um ambiente favorável para possíveis golpes. Criminosos aproveitam a euforia das pessoas e o aumento no fluxo de acessos para disseminar links maliciosos, páginas falsas e mensagens enganosas com aparência legítima.

Nesse viés, o phishing segue entre as ameaças mais recorrentes. Hackers criam emails e páginas falsas que simulam comunicações oficiais de hotéis, companhias aéreas ou plataformas de hospedagem para roubar dados bancários e informações pessoais. Em muitos casos, o consumidor só percebe a fraude quando já sofreu algum prejuízo.

Ataques por ransomware também ganharam força nesse segmento. Invasores bloqueiam o acesso a sistemas e informações da empresa, geralmente exigindo pagamento para liberação. O sequestro de dados pode interromper operações inteiras, comprometer sistemas e afetar diretamente a experiência do cliente.  Quando falamos de turismo, confiança é um ativo essencial. Sem ela, o impacto ultrapassa o ambiente digital e afeta toda a cadeia de relacionamento com o consumidor.

Como se proteger?

Indiscutivelmente, as empresas precisam considerar investimentos consistentes em cibersegurança, ainda mais com o uso cada vez mais frequente da inteligência artificial para aprimorar essas (e muitas outras) ameaças. Tecnologias de múltipla autenticação, criptografia de dados, monitoramento contínuo de ameaças e políticas rigorosas de gestão de identidades são medidas fundamentais para proteger plataformas e serviços. Além disso, treinamentos internos têm papel decisivo na prevenção de ataques cibernéticos, já que boa parte das invasões começa a partir de erros humanos ou credenciais comprometidas.

Vale ressaltar que garantir a autenticidade das comunicações entre empresa e cliente se torna uma medida importante nesse cenário. O Certificado de Marca Verificada (VMC, em inglês) da GlobalSign, por exemplo, confere um selo aos e-mails da empresa, garantindo que aquela logomarca autenticada pertence ao remetente oficial. Isso transmite ao usuário maior confiança sobre a legitimidade daquela comunicação. 

Da parte dos viajantes, a atenção aos detalhes continua sendo uma das principais barreiras contra fraudes. Desconfiar de mensagens com senso de urgência excessivo, links suspeitos ou solicitações incomuns de pagamento é o primeiro passo. Além disso, ao buscar por promoções, o usuário deve verificar se o site acessado é oficial e se possui certificados digitais válidos.

De certo, o setor turístico vive um momento decisivo quanto à segurança digital. A expansão da conectividade trouxe eficiência e novas oportunidades de negócio, mas também elevou o nível de responsabilidade das empresas diante da proteção de dados. Cibersegurança deixou de ser uma questão técnica e passou a representar continuidade operacional, reputação corporativa e preservação da confiança do cliente. Empresas que compreenderem essa transformação estarão mais preparadas para crescer em um mercado cada vez mais digitalizado.

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Sobre o Autor

Luiza Dias é presidente da GlobalSign Brasil. Possui 18 anos de carreira, 8 deles dedicados à GlobalSign,é a única mulher latino-americana a ocupar esta posição em uma Autoridade Certificadora de Raiz Internacional. Na GlobalSign, ocupou os cargos de Vendedora, Gerente de Vendas Latam, e em 2021, se tornou Presidente da empresa no Brasil. À frente da primeira Autoridade Certificadora de Raiz Internacional a se instalar fisicamente no país, Luiza se tornou uma importante referência feminina do mercado em toda América Latina.

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