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VP da HP diz que experiência fora é como renascer

De saudade o gaúcho Fernando Lewis, vice-presidente da HP Brasil, entende bem. Ele passou dez anos felizes e produtivos com mulher e filhos na Flórida (EUA). Agora que está de volta, a situação se inverteu e todos sentem falta dos laços deixados por lá. “Voltamos aos EUA a cada dois meses”, revela Lewis, que retornou para assumir posição mais elevada – de VP de finanças na Flórida para VP de unidade de negócios aqui. “O cargo me foi oferecido e eu fiquei muito feliz. O Brasil está em excelente momento histórico e a expectativa da HP é crescer muito”, justifica o economista com MBA em finanças.

A Flórida foi a primeira experiência internacional de trabalho de Lewis. Ele lembra bem de como sua eficiência caiu nos primeiros dias, não devido ao idioma, que dominava bem, mas ao impacto da nova vida. “No trabalho, eu era o único de fora dos EUA. O relacionamento entre colegas até que era tranquilo, mas é mais fácil lidar com brasileiros, porque são mais informais e flexíveis.”

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A vida desacelerou no começo, porque mudar de país é como renascer, na opinião de Lewis.  “Você chega sem crédito, sem casa, sem móveis, sem carro próprio. Você tem de reaprender tudo e ir se desligando do país que deixou. Mesmo com total suporte da empresa pode ser penoso. Mas, se você quer muito a experiência, eu recomendo fortemente.”

Além das coisas práticas, o expatriado precisa lidar com o impacto da mudança sobre cônjuge e filhos que, no caso de Lewis, resistiram muito a aceitar a novidade. “Eles tinham nove e sete anos e vivíamos uma vida estável em Alphaville, São Paulo. De repente, foram levados para outra cultura, com novos amigos, novo idioma. Não foi fácil. O mais novo pedia sempre para voltar”, lembra. Hoje, a experiência enche o executivo de orgulho. “Você só conhece os filhos quando os expõem a uma experiência como essa, de retirá-los de sua zona de conforto. Os dois se saíram muito bem”, conta.

Lewis voltou para São Paulo, capital, no fim de 2008. Como ele havia se desligado da HP Brasil, o período passado nos EUA não conta como tempo de serviço aqui. “O FGTS vai ficar depositado numa conta lá até que eu me aposente aqui, quando poderei iniciar processo de resgate”, diz. De tudo o que passou, a melhor dica do VP é: “Viva o país, aproveite tudo que a nova vida lhe oferece. Não pense muito no que deixou para trás. Leia o jornal da sua nova cidade, experimente a culinária. Se você curtir o local, a adaptação será mais rápida.”

O executivo e sua família seguiram a receita e se adaptaram muito bem. Problema, mesmo, só quando tiveram de voltar em 2009 e repetir todo o processo de readaptação. Os filhos, que antes não queriam deixar o Brasil, agora eram adolescentes mais fluentes em inglês do que português, que preferiam basebol a futebol e consideravam o Brasil um país perigoso. “Ninguém queria vir e pensamos até na possibilidade de deixá-los lá”, lembra o executivo, que desembarcou no Brasil um ano antes dos filhos.

Para convencer os adolescentes, Lewis conseguiu uma moradia em São Paulo próxima de uma escola americana, reduzindo o medo dos dois quanto à violência e às dificuldades com o idioma. O esforço de readaptação seguiu a mesma receita adotada nos EUA. Mas os laços nunca se rompem, em nenhuma direção. Todos na família continuam a acompanhar esportes tipicamente americanos e o mais velho voltará aos EUA para fazer faculdade. “É um processo de acumulação, não de perdas.”

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Editorial IT Forum 365
16 anos ago

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