A pressão por controle de custos vem alterando a dinâmica das áreas de tecnologia nas empresas brasileiras. Uma pesquisa realizada pelo Zoho Workplace com mais de 100 líderes de TI aponta que 83,7% dos CIOs já precisaram adiar projetos estratégicos devido a restrições orçamentárias.
O levantamento, conduzido em março de 2026, mostra que o impacto financeiro deixou de afetar apenas o ritmo de execução das iniciativas e passou a influenciar diretamente o comportamento dos executivos de tecnologia, que vêm adotando uma postura mais cautelosa diante da dificuldade de aprovação de novos investimentos.
Segundo o estudo, muitos CIOs passaram a priorizar projetos com maior previsibilidade de retorno e aprovação interna, reduzindo o espaço para iniciativas de inovação consideradas mais arriscadas.
O cenário ocorre em paralelo ao avanço da demanda corporativa por eficiência operacional e adoção de tecnologias ligadas à inteligência artificial. Mais de 60% dos entrevistados apontam IA voltada à produtividade como prioridade estratégica para este ano, enquanto 58,3% destacam iniciativas focadas em eficiência operacional.
Apesar disso, metade das empresas ouvidas afirma operar com orçamentos estáveis ou em retração, o que amplia o desafio de justificar novos aportes em tecnologia.
A pesquisa também aponta um descompasso entre o interesse crescente por IA e a maturidade real das implementações nas empresas. Pouco mais de 20% das organizações afirmam já utilizar inteligência artificial em escala, enquanto mais de 53% ainda mantêm a tecnologia em fase piloto.
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Outro ponto destacado pelo estudo é o aumento da complexidade operacional das áreas de TI. O crescimento do número de ferramentas, fornecedores e plataformas utilizadas pelas empresas vem elevando custos indiretos e reduzindo flexibilidade nas decisões tecnológicas.
A pesquisa também chama atenção para riscos relacionados ao chamado Shadow IT, uso de soluções não autorizadas e dispositivos pessoais fora do controle das áreas de tecnologia, além da utilização de contas externas sem visibilidade completa para a liderança de TI.
“Estamos vendo executivos que pensam duas vezes antes de propor inovação. Não por falta de visão, mas por antecipar a resistência. Isso muda completamente o ritmo de evolução das empresas”, afirma Fernanda Bordini, líder de marketing unidade de colaboração da Zoho Brasil.
Para Luiz Adolfo Gruppi Afonso (Laga), ex-CIO e conselheiro de empresas de tecnologia, a pressão financeira alterou o perfil de risco enfrentado pelas lideranças de TI. “O CIO está operando sob um novo tipo de risco: não é apenas errar na escolha tecnológica, mas errar na priorização financeira. Isso faz com que muitos projetos sequer cheguem à mesa de decisão”, explica.
Nesse contexto, empresas vêm intensificando revisões de contratos, consolidação de plataformas e busca por modelos mais enxutos de operação. A discussão sobre eficiência de orçamento ganha espaço como estratégia para equilibrar produtividade, controle operacional e redução de complexidade tecnológica.
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