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UE investiga Google por possível rebaixamento de conteúdo comercial de veículos de imprensa

Imagem: Shutterstock

A Comissão Europeia abriu uma investigação formal para avaliar se o Google está diminuindo a visibilidade de conteúdos comerciais produzidos por veículos de imprensa em parceria com anunciantes. Segundo reportagem do The Guardian, o órgão regulador identificou indícios de que materiais patrocinados, comuns em acordos entre publishers e marcas, estariam sendo posicionados tão abaixo nos resultados de busca que, na prática, deixariam de ser encontrados pelos usuários.

As autoridades afirmam que o problema pode estar ligado à política antispam do Google, que busca restringir práticas que considera enganosas. No entanto, para Bruxelas, o efeito colateral desse mecanismo pode estar prejudicando financeiramente os veículos, ao reduzir o alcance de páginas que fazem parte de sua estratégia comercial.

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A apuração se concentra especificamente em conteúdos criados com parceiros comerciais, e não no ranqueamento geral de notícias ou análises jornalísticas. Esses subdomínios costumam reunir páginas com ofertas ou ações conjuntas com empresas, como pacotes de viagem ou promoções de produtos esportivos, e são considerados prática legítima no ambiente digital.

Leia mais: Sem agência própria, política de cibersegurança pode virar “puxadinho digital”, alerta Patricia Peck

A Comissão destacou que, em alguns casos monitorados, essas páginas eram empurradas tão para baixo nos resultados de busca que se tornavam praticamente invisíveis. Um exemplo citado por técnicos do bloco envolve uma parceria de um jornal com uma marca esportiva para oferecer descontos, cujo subdomínio teria sido rebaixado a um ponto em que o usuário não o encontraria mais.
O impacto direto, segundo o órgão, é o potencial prejuízo ao publisher, que depende dessas iniciativas para complementar sua receita.

Supervisão sob o Digital Markets Act

A investigação ocorre no âmbito do Digital Markets Act (DMA), legislação que impõe obrigações específicas a grandes plataformas digitais classificadas como “gatekeepers”. Uma das regras é garantir condições “justas, razoáveis e não discriminatórias” de acesso de sites de terceiros ao Google Search.

Teresa Ribera, vice-presidente executiva da Comissão responsável pela transição competitiva, afirmou que há preocupação de que os veículos não estejam sendo tratados de forma equilibrada nos resultados de busca. Ela destacou que o objetivo é assegurar que publishers não percam receita em um momento já desafiador para o setor.

Como parte da apuração, a Comissão solicitará aos grupos de mídia que enviem dados sobre queda de tráfego e impactos financeiros relacionados a possíveis mudanças de ranqueamento. A ideia é mapear a dimensão do problema e avaliar se há violação às obrigações impostas pelo DMA.

Google contesta acusação e defende política antispam

O Google classificou a iniciativa do bloco europeu como equivocada. Em publicação oficial, a companhia argumentou que as regras antispam têm como função manter resultados confiáveis e combater esquemas que tentam manipular o ranqueamento por meio de pagamentos ou práticas enganosas. Segundo a empresa, medidas desse tipo evitam que a busca seja “degradada” por conteúdos que não atendem aos critérios de qualidade.

A empresa também mencionou que um tribunal alemão já rejeitou uma ação semelhante, entendendo que sua política antispam era válida, coerente e aplicada de forma consistente.

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Isabella Winckler
Tags: antispamantitrusteComissão EuropeiaGoogleimprensainvestigaçãoUE
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