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Preços dos componentes em alta muda as regras do jogo na compra de TI corporativa

Imagem: Shutterstock

Por Kleiton Schwantes de Jesus

A reorganização da indústria de semicondutores em torno da inteligência artificial está produzindo um efeito colateral direto no mercado corporativo, e que vai impactar o caixa das empresas neste ano: Memórias RAM e SSDs são componentes que ficaram mais caras e o impacto desse aumento tem atingido toda a cadeia de equipamentos corporativos. Com fabricantes priorizando linhas de maior margem, como as usadas em data centers de IA, empresas passam a lidar com aumento de custo em equipamentos básicos de TI e com um cenário de compras mais restritivo ao longo de 2026.

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Os principais fabricantes de memória – um mercado concentrado em poucas empresas, redirecionaram suas linhas de produção para onde a margem de lucro é maior. Hoje, praticamente toda a capacidade avançada de fabricação de chips está alocada à produção de alto desempenho (HBM) para aceleradores de IA, atendendo a contratos longos com gigantes do setor.

Com menos chips disponíveis no mercado aberto, os preços dos componentes dispararam. Módulos de memória DDR5 registraram aumentos contratuais acima de 60% em apenas dois meses no final de 2025, segundo dados da indústria. No mercado de PCs, a situação não é diferente: chips DRAM DDR4 de 8Gb que custavam cerca de US$ 1,35 em 2024 saltaram para US$ 9,30 em 2025, uma valorização de 688%, acompanhada de prazos de entrega que agora ultrapassam sete meses. Especialistas preveem que a escassez só deve começar a se aliviar em 2027 ou 2028, quando novas fábricas entrarem em operação. Até lá, o cenário é de estoques restritos e aumentos recorrentes de preços.

Esse aumento de custos acaba inevitavelmente repassado ao cliente final, encarecendo PCs, notebooks e servidores corporativos – cujas altas de preços podem ultrapassar os 20% neste ano. No Brasil, esses movimentos globais encontram um terreno ainda mais desafiador: por aqui, o efeito da alta da RAM tende a ser amplificado pelo câmbio, pela dependência de importações e pela carga tributária sobre eletrônicos.

Toda memória, seja um pente DDR para desktop ou módulo para servidor, é importada e cotada em dólar, e isso significa que qualquer variação internacional ou cambial incide diretamente no valor em reais. E quando a base de custo sobe, os impostos percentuais (como II, IPI, ICMS) acabam multiplicando o impacto. O resultado é um repasse frequentemente maior do que a média global.

Leia mais: Desafios do RH: visão de negócio e comunicação estão entre os principais gaps de soft skills em times de TI

Estratégias de mitigação

Diante de uma situação de alta de preços em que a aquisição de equipamentos tem um peso maior no orçamento resta à área de TI agir com criatividade. Muitas empresas têm considerado adotar uma estratégia híbrida de renovação, unindo a contratação ou aquisição de algumas unidades novas críticas com complementação do parque via seminovos. Por exemplo, comprar notebooks novos apenas para equipes que realmente demandam a tecnologia de ponta, enquanto para funções administrativas opta-se por notebooks seminovos com configuração ainda robusta. Essa abordagem maximiza o retorno do investimento e dilui o impacto da alta da RAM sobre o caixa.

Ao adquirir máquinas seminovas de nível corporativo ou contratá-las por outsourcing, as empresas conseguem acesso a configurações robustas por uma fração do custo de um modelo zero. A economia pode chegar a 70% em comparação com um hardware novo equivalente. Além do ganho financeiro, há um componente de previsibilidade de investimento: o mercado de usados, em geral, não sofre os solavancos abruptos de preço que hoje atormentam a cadeia dos equipamentos novos.

A conjuntura que vivemos – IA consumindo boa parte dos insumos, fornecedores privilegiando mercados mais rentáveis e uma cadeia de suprimentos fragilizada – indicia que a volatilidade veio para ficar por alguns anos. Para o mercado corporativo, isso exige uma mudança de postura: planejamentos de longo prazo mais cuidadosos, alternativas criativas de abastecimento e uma gestão de ativos mais eficiente tornam-se tão estratégicos quanto a própria escolha das tecnologias. Adaptar-se a essa nova realidade será fundamental para que as empresas mantenham sua competitividade tecnológica sem comprometer a saúde financeira, navegando por um ambiente onde planejar além do óbvio deixou de ser opcional e virou imperativo estratégico.

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Published by
Isabella Winckler
Tags: chipsIAinteligência artificialSemicondutores
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