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RH e IA: admitir a incerteza é o primeiro passo para a reinvenção nas empresas

Dani Diniz, diretora de comunicação e relações institucionais do GPTW; Juliana Rodrigues, diretora de RH da Accenture para América Latina; e a consultora de RH e mediadora do painel, Ana Franzoti (Imagem: PlayP/Divulgação)

A chegada da inteligência artificial (IA) tem provocado transformações constantes nas estruturas de trabalho. A chamada “era agêntica” traz mais questionamentos do que respostas, inclusive para os profissionais de recursos humanos (RH), que enfrentam a pressão para adotar a tecnologia e lidam com a desconfiança das equipes em relação a ela.

O tema foi debatido em painel moderado pela consultora de RH, Ana Franzoti, durante o IT Forum Na Mata RH, realizado nesta quarta (4) e quinta-feira (5). O evento reuniu executivos da área para discutir as novas estruturas e desafios do setor.

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Admitir a incerteza como primeiro passo

A conversa contou com a participação da diretora de comunicação e relações institucionais do GPTW, Daniela Diniz, e da diretora de RH da Accenture para América Latina, Juliana Rodrigues. Para Daniela, o primeiro passo é reconhecer que ainda não há respostas prontas e ampliar a escuta ativa.

“A gente não está pronto e está tudo bem. A partir daí buscamos pesquisas ou ferramentas para melhorar. Mas essa angústia é latente e permanente para o RH. David Horowitz falava: ‘50% das habilidades de RH vão sempre mudar. As outras 50% não vão mudar’, porque faz parte da essência de entender de relações humanas”, disse.

Juliana Rodrigues compartilhou experiência semelhante. A executiva da Accenture relatou que precisou ser transparente quando começou a receber muitas perguntas sobre demissões relacionadas à IA. “Quando os questionamentos começaram, eu precisei ser franca e dizer ‘vou ter que estudar, porque eu não sei responder’. E a verdade é que a gente ainda não sabe responder, temos hipóteses.”

Leia também: Dassault Systèmes avança em estratégia de IA generativa para agilizar trabalho de engenheiros

Reinvenção além da automação

Em seus estudos, Juliana identificou um movimento crescente das organizações para tornar suas lideranças mais humanizadas. Essa percepção a levou a abraçar a vulnerabilidade e buscar a reinvenção, em vez de apenas automatizar processos.

“Eu ainda vejo hoje um cenário de automação muito forte com IA, mas a reinvenção ainda é algo novo. E quando eu digo reinvenção, falo de jogar fora os processos, pegar uma folha em branco e reconstruí-los de ponta a ponta”, afirmou.

Para tornar isso possível, desde o ano passado a Accenture investe na capacitação de todos os seus funcionários. Mesmo com mais de 20 mil pessoas no Brasil, o plano é que todos estejam habilitados a utilizar IA em seu dia a dia até o final do ano.

Ana Franzoti destacou a transversalidade do impacto da IA nas empresas. “Tem mudanças que nós temos de forma clara qual departamento será afetado, seja manufatura, vendas ou o próprio RH. Mas a chegada da IA afeta tudo. Todas as áreas!”, ressaltou.

RH como mediador da confiança

Para Daniela Diniz, o tamanho do impacto reforça a importância da área de Recursos Humanos, que deve compreender como as pessoas se relacionam com a nova tecnologia e construir relações de confiança. “Hoje vivemos uma crise de confiança na sociedade, e precisamos trabalhar essas relações com a tecnologia e com a liderança. É o RH que tem a visão, o discernimento e a sabedoria para fazer isso.”

Juliana reforçou que essa cultura de confiança está baseada em uma mudança central de mentalidade: deixar de ver o ser humano como custo. “Até quando sentamos com o financeiro das empresas precisamos olhar para a implementação de IA focando no valor. Não é ‘quantos empregos a IA vai pegar’ e sim ‘qual é o valor que eu ganho de qualquer pessoa, se eu a potencializar'”.

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Published by
Isabella Winckler
Tags: formas de trabalhoIAinteligência artificialNa Mata RHrecursos humanosRH
4 meses ago

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