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Digitalização é caminho para mitigar impacto de eventos climáticos extremos no setor elétrico

Imagem: Shutterstock

No começo de novembro, o estado de São Paulo foi atingido por um temporal que deixou um rastro de destruição pela capital paulista e por cidades da região metropolitana. Acompanhado de rajadas de vento de até 104 km/h e chuva de granizo, o temporal fez vítimas, derrubou dezenas de árvores e atingiu a rede elétrica, deixando 2,1 milhões de paulistas sem luz – alguns por até sete dias.

O episódio reaqueceu o debate sobre o impacto de eventos climáticos extremos na infraestrutura urbana, já que estes devem se tornar mais comuns frente ao processo de mudanças climáticas em curso no planeta. Nesse contexto, a TI desempenha um papel chave. Na avaliação de André Flávio, diretor-executivo para o setor de energia da EY, a digitalização de sistemas e a adoção de novas tecnologias são o caminho para enfrentar esses desafios.

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“As lições que podemos aprender desses e outros impactos climatológicos é que os eventos extremos realmente acontecerão com mais frequência e sua previsibilidade e impacto são de difícil antecipação”, disse em entrevista ao IT Forum. “Porém, tendo como premissa um certo padrão de evento para a cidade, uma prevenção e mitigação de impacto pode ser planejada. Para ambas as ações, a efetividade passa por digitalização de sistemas e novas tecnologias.”

Segundo o executivo, o tema das transformações climáticas têm sido pauta frequente entre a EY e clientes dos mais diversos setores da economia. O setor da energia, no entanto, é particularmente afetado pelo tema. Conforme explica o especialista, estes eventos podem atingir o setor elétrico em toda sua extensão – desde a geração, com a variação brusca de regimes de chuvas, até a transmissão e distribuição, com ventos, insolação e as descargas atmosféricas.

”Até a comercialização de energia é afetada com a imprevisibilidade de chuvas, por exemplo, a qual influencia diretamente o preço da energia”, explicou.

Mitigar estes impactos, pontuou André, passa pela aproximação do setor elétrico de institutos meteorológicos, que podem identificar quais eventos causam maior impacto e têm maior previsibilidade, e com o poder público, para ações de restabelecimento de energia. Utilizar tecnologias digitais, no entanto, é crucial para prever e reagir às transformações.

“É sabido que o setor elétrico vem passando por transformações significativas, as diretrizes de descentralização, digitalização e descarbonização demandarão soluções ainda não aplicadas ao setor elétrico. Não haverá continuidade da transformação, de acordo com as novas diretrizes de evolução do setor, sem a aplicação da TI”, afirmou o diretor-executivo da EY.

Esse processo impactará os próprios times de TI do setor, que serão demandados para a digitalização. Implementar mais segurança operacional ao sistema, aumentar a eficiência dos processos e ser ágil em soluções para a adaptação serão algumas das demandas que a TI do segmento terá que enfrentar.

Um dos caminhos para a evolução do segmento é a adoção dos chamados Sistemas Avançados de Gerenciamento de Rede, ou ADMS. Esses sistemas são capazes de ajudar no comando proativo da rede elétrica, melhorando, por exemplo, a identificação de interrupções na rede.

André Flávio destacou que a implementação desses sistemas é uma “jornada longa e de muito esforço”, mas há exemplos bem-sucedidos de implementações no mundo. Com sistemas integrados e potentes, com dados e operação remota de tecnologia operacional (OT) robusta, é possível também a adoção de técnicas avançadas, como o “self-healing” de redes. Esse sistema permite a identificação e correção de erros na rede de maneira autônoma.

“Especificamente com relação ao evento climático em São Paulo, estas tecnologias poderiam melhorar a identificação de interrupções na rede, com a instalação eficiente de medidores de fluxo de energia elétrica que informaria a concessionária de uma eventual interrupção no fornecimento, diminuindo a necessidade de abertura de chamados por parte dos consumidores”, descreveu o especialista.

O self-healing está entre os investimentos mais recentes da Enel Distribuição São Paulo, distribuidora de energia do estado de São Paulo, em TI. No final de 2022, a companhia anunciou um investimento total de R$ 318 milhões em novas tecnologias para sua área de concessão, que cobra 24 municípios da região metropolitana de São Paulo. Entre estes investimentos estava uma novo Centro de Operações em Barueri, na sede da companhia, a partir do qual seriam operados os sistemas de self-healing. Não é claro, no entanto, o papel que o sistema desempenhou durante o apagão que afetou a região metropolitana no começo de novembro.

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Rafael Romer
Tags: mudanças climáticassetor elétrico
3 anos ago

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