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Educação como estratégia de competitividade das empresas brasileiras

Tenho conversado com empreendedores reconhecidos naqueles famosos rankings de gente que faz sucesso antes dos 30 anos. Você já conversou com um deles? Ao apresentar o próprio negócio, os jovens não iniciam um discurso contando sobre o produto ou serviço oferecido. Existe algo anterior e mais importante. Em geral, esses empreendedores começam a falar de suas empresas a partir do potencial que elas têm de transformar a sociedade. Utópico demais? Cada vez menos.

Na cabeça do novo empreendedor, esse potencial é muito claro e suas organizações se tornam ferramentas essenciais para corrigir falhas dos modelos tradicionais de negócio, que em certos casos se tornaram máquinas de excluir pessoas. O que observo em contato com os mais talentosos é que, antes de serem empreendedores, eles são líderes de um movimento de mudanças.

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Um movimento, como o da rede de cursos de inglês criada na região do Capão Redondo, em São Paulo, que, em vez de ser mais uma empresa comum, decidiu criar um modelo de mensalidades reduzidas, mesmo assim lucrativo, sempre com professores estrangeiros e unidades localizadas em regiões da periferia.

Leia também: Liderança feminina avança no país, mas a passos lentos

Com quase 20 endereços em cinco estados, a rede vem crescendo, bateu a marca de dez mil matrículas e abriu oportunidades aos alunos de acesso ao conhecimento e ao mercado de trabalho. Como o próprio site do curso diz, trata-se de um meio de “mostrar ao mundo que existe outra maneira de fazer negócios, colocando o impacto social e as pessoas em primeiro lugar”. Esse é o movimento que jovens empreendedores do curso lideram, fortalecidos por negócios engajados. Para eles, empresas não vêm ao mundo somente para ganhar dinheiro.

Se sua empresa nasce assim, ela já nasce atrasada. Empresas são melhores quando, além de elaborar serviços e produtos, transformam-se em lugares onde pessoas influenciam pessoas para espalhar grandes ideias. Lugares que reúnem e ajudam a disseminar novos conhecimentos e habilidades para substituir o consumo predatório pelo consumo que restaura e constrói.

Empresas não precisam ser reprodutoras do mainstream, de modelos que levaram a sociedade ao esgotamento e, sob determinados pontos de vista, ao fracasso. Desafiar o status quo, mais do que fazer parte do negócio, faz parte da vida, e do que deveria ser o propósito de cada um de nós.

No último século, multiplicamos produtos, serviços, dados e, em meio ao excesso de informações, nos perdemos do que é essencial. Reconhecemos marcas no shopping, mas não sabemos identificar a espécie de uma árvore pelo formato das folhas. Conhecemos a vida dos artistas da novela, mas não somos capazes de contar a história de uma comunidade de baixa renda a dois quilômetros de casa, com problemas que podemos ajudar a resolver.

O resultado é que nem sempre a gente se importa com questões cruciais, embora cada vez mais o mundo exija que a gente se importe. Que tome atitudes para garantir qualidade de vida mínima em cidades populosas, deficientes em infraestrutura, com escassez de recursos e pessoas sem acesso ao poder transformador do conhecimento.

Como celeiros de saberes diversos, a empresa que ajuda a transformar a sociedade se torna ela própria protagonista da educação. Já vivemos a época da multiplicação de universidades corporativas e dos programas de incentivo ao estudo dos colaboradores. Agora fazemos mais. Os próprios produtos e serviços são pensados para facilitar o acesso ao conhecimento. Não um projeto de recursos humanos, nem um projeto social, mas o negócio em si é criado para transformar realidades dentro e fora da corporação.

Tem startup cujo produto democratiza o acesso à robótica, incentiva a leitura, corrige as redações de quem estuda para passar na faculdade, aperfeiçoa o ensino à distância com realidade aumentada e virtual, dá apoio à criação de ações pedagógicas personalizadas, analisa aulas para dar feedback aos professores, aproxima alunos de bolsas de cursos universitários, entre tantas outras.

Com déficit de profissionais, no mercado de tecnologia, diversas organizações têm oferecido capacitação grátis para gente que pode acabar entrando para seu quadro de funcionários, ou estar mais bem preparada para encontrar espaço no mercado em geral, inclusive na concorrência. A educação corporativa, definitivamente, ultrapassou as paredes do escritório. E o futuro pode ser promissor.

* Hugo Alvarenga é sócio-fundador da b8one

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Published by
Marcelo Gimenes Vieira
Tags: competitividadeeducaçãoempreendedorismoinovação
4 anos ago

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