A mudança da SAP para uma empresa de serviços na nuvem já estava desenhada há algum tempo. Era uma questão de tempo até a migração do modelo de negócios da fabricante se firmar desta forma para parceiros e clientes. Há pouco mais de dois anos, a companhia fez uma força tarefa para colocar todo seu portfólio disponível via cloud computing, e aquisições como a SuccessFactor e Hybris já moldavam o caminho. Até mesmo as soluções de gestão empresarial foram disponibilizadas em nuvem.
Junto a essa base, está o novo mantra: o SAP Hana, que é o outro componente dessa oferta de serviços. Dessa forma, a empresa afirma ter flexibilidade e velocidade para atender seus clientes para ?a nova era da tecnologia em negócios?. Essa ?era? abrange, também, os novos compradores de soluções, como marketing ou RH, que, no final do dia, pouco se importam com a especificação técnica da ferramenta, buscando, essencialmente, atingir seus objetivos com maior velocidade e assertividade.
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O caminho para levar os clientes para a nuvem está pavimentado, segundo Rodolpho Cardenuto, presidente da SAP Américas. Desde janeiro deste ano, segundo informa o executivo, 288 clientes optaram pela Business Suite rodando na nuvem baseado em Hana.
A alemã está colocando suas unidades de negócios para pensar de forma integrada. Hoje, o portfólio de mobilidade não se trata apenas de ofertas em Sybase, mas sim de um conjunto de ferramentas que conversam entre si e podem ser adquiridas como serviços. Ou seja, nomes como Afaria serão mais comuns nos discursos da companhia, por exemplo.
Talvez os parceiros da SAP tenham descoberto todo esse movimento de foco em ofertas na nuvem há um ano, quando a companhia deu um ultimato de especialização por verticais, soluções e territórios. De lá para cá, a companhia visivelmente enxugou a gordura em seu programa de canais, alavancou o conhecimento dos parceiros que ficaram e adicionou novos integradores para puxar essa transformação de seu negócio.
Da mesma forma, a empresa tem estimulado a criação de novas aplicações baseadas em todas as suas plataformas de negócios por meio de startups. Hoje, segundo a companhia, 500 empresas desenvolvem novas apps para diferentes oportunidades de negócios, com ênfase, segundo Luis Cesar Verdi, vice-presidente sênior de inovação da SAP, em nichos de mercado antes não observados pela empresa.
Obviamente, parceiros de canais que contam com grandes equipes de desenvolvedores têm tirado grande proveito desse novo momento da SAP como plataforma de criação de novas ferramentas. É um negócio bom para os dois lado, crê John Graham, líder da área de ecossistema e canais da SAP Américas.
Pensando globalmente, hoje, menos de 50% das vendas representam o ERP tradicional. Se segmentarmos, o portfólio de inovação da companhia (mobilidade, cloud computing, aplicações, análises etc) é 67% do faturamento da SAP na América Latina. ?Pensar na SAP hoje como ?a gigante do ERP? é estar preso no passado, sem se tocar que a forma de consumo mudou por completo?, diz o CMO da SAP, Jonathan Becher.
Da mesma forma, diz ele, quem vê a empresa como uma provedora de solução para apenas grandes organizações está subestimando a força de transformação do mercado no geral. ?Se assim fosse?, pontua ?nosso negócio jamais teria crescido, não teríamos saída. E não é assim, transformamos a nossa própria percepção de negócios.?
Percepção
Esse é um ponto bastante crítico para uma empresa que se diz em transformação. A percepção do usuário sobre uma marca é essencial para alavancar o sucesso. E a empresa, em meio à migração do portfólio para a nuvem, trabalhou, também, as campanhas espalhadas pelo mundo.
Sai aquele antigo slogan atrelado a grandes empresas, como ?Nissan Runs SAP?, e a mensagem agora é sobre como a tecnologia simplifica a vida do usuário final. Para Becher, a empresa estará entre as dez mais citadas em pesquisas de top of mind nos próximos cinco anos. ?A consumerização ensinou uma coisa para o mundo dos negócios: continuidade tem a ver com o poder que se dá ao usuário e o valor que a tecnologia tem para ele. A partir de agora, falamos diretamente com ele, o usuário na ponta. Vamos engajá-lo cada vez mais.?
Para chegar a essa conclusão, Becher partiu do atual ponto de inflexão corporativo: o novo papel do CIO e dos departamentos de TI dento das organizações. Uma vez que a empresa se tocou que as decisões de compras não mais tangiam tecnologia, mas sim produtividade, ficou claro que estava na hora de também mostrar o que as soluções poderiam fazer para as áreas de negócios.
?O CIO tomava decisões baseadas em tecnologia. Hoje as áreas de negócios querem saber de produtividade e resultados. Por muito tempo fomos uma empresa de soluções para operações. Agora falamos de inteligência e interatividade?, afirma o executivo.
A última mensagem deixada por Becher é a expectativa de que o mercado, de forma global, repense na SAP. Não porque a empresa precisa disso para poder vencer, avalia ele, mas porque tem potencial de competir além em diferentes níveis de oportunidades.
Nitidamente, a percepção de quem está no SAP Americas Partner Summit, em Miami, EUA, é de uma nova SAP. Com mais desafios que apenas expandir as aplicações e capacidades de personalizar o software de gestão corporativa. Indiferente do tamanho de sua dúvida em relação ao que a fabricante chama de transformação da estratégia de posicionamento e go to market, é bom ficar com os olhos e ouvidos bem atentos aos próximos passos da companhia.
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