Quando a vacina pode ser a doença

Incidente com emprea de cibersegurança mostra que os riscos de resiliência são a nova fronteira do mundo cibernético

Publicado:

Leitura 4 minutos

Imagem: Shutterstock
Imagem: Shutterstock

No contexto da cibersegurança, os “riscos de resiliência” referem-se à capacidade dos sistemas digitais de se protegerem contra ataques e de se recuperarem rapidamente após falhas. Em um mundo altamente interconectado, onde empresas e infraestruturas dependem integralmente das tecnologias, a preparação inadequada pode resultar em interrupções significativas, danos à reputação e perdas financeiras. 

Estratégias eficazes de resiliência incluem planos de resposta a incidentes, sistemas de backup robustos e práticas de recuperação rápida para garantir a continuidade das operações.

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

Recentemente, uma das principais empresas de segurança cibernética enfrentou uma falha na atualização de um de seus sistemas, expondo a complexidade e os desafios da resiliência cibernética. A falha ocorreu devido à liberação de uma atualização sem testes completos, destacando a dificuldade de equilibrar velocidade e precisão em soluções de segurança. Isso sublinha a importância de sistemas que permitam rollback nativo, permitindo a reversão para versões anteriores em caso de problemas.

Leia mais: Como está a conexão para a educação inteligente? 

Sistemas que dependem de identificação de ataques e de sua assinatura precisam ser atualizados quase em tempo real, obrigando o fornecedor a um trade off entre fazer o update o mais rápido possível ou testar exaustivamente a atualização. Nos Estados Unidos, o “apagão” afetou companhias aéreas, causando interrupções e destacando os riscos associados a falhas em sistemas de segurança digital. Isso pode levar a possíveis ações judiciais e altos custos para as empresas, colocando a responsabilidade civil das fabricantes de software em evidência, especialmente em um país onde litígios envolvem somas significativas. No Brasil, apesar do impacto limitado, o incidente fez com que empresas, especialmente no setor financeiro, reavaliassem suas estratégias de segurança. Houve uma demanda crescente por soluções de rollback e recuperação, bem como discussões sobre a importância de planos de contingência e resposta rápida a falhas. O episódio reforçou a necessidade de diversificar e personalizar abordagens de segurança cibernética, sem depender apenas de grandes nomes do setor.

O incidente também destacou a importância da comunicação clara durante crises para preservar a confiança dos clientes e mitigar danos à reputação. O que aconteceu com a empresa m questão gerou grandes desafios de imagem e eventualmente perdas financeiras, e poderá acontecer com outros fornecedores, que aprenderam muito com o incidente. Em casos parecidos, as empresas devem priorizar a transparência enquanto trabalham para restaurar a confiança em seus sistemas.

A descoberta de que a ameaça pode estar na solução tornou ainda mais complexa a tarefa dos CISOs, que agora têm que se preocupar com os problemas que podem ser gerados pelas  soluções de segurança. À medida que o mundo avança para um ambiente digital cada vez mais interconectado, as lições aprendidas são cruciais para fortalecer a resiliência cibernética global. Fabricantes de software devem equilibrar inovação com segurança, garantindo a capacidade de recuperação rápida em incidentes. Os riscos de resiliência emergem como a nova fronteira da cibersegurança, exigindo uma mudança de paradigma que priorize adaptabilidade e resposta rápida para enfrentar os desafios de um mundo digital em constante evolução. E, novamente, ficou claro que o mundo virtual está em íntima conexão com nosso mundo físico.

Francisco Camargo é vice-presidente do Conselho da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES)

 

 

Siga o IT Forum no LinkedIn e fique por dentro de todas as notícias!

Sobre o Autor

A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) atua com o propósito de contribuir para a construção de um Brasil Mais Digital e Menos Desigual, porque acredita que a tecnologia da informação desempenha um papel fundamental para a democratização do conhecimento e a criação de novas oportunidades, visando melhor qualidade de vida para todos, de forma inclusiva e igualitária. Diante desse propósito, o objetivo da ABES é o de assegurar um ambiente de negócios propício à inovação, ético, dinâmico, sustentável e competitivo globalmente.

Ver publicações deste autor

Colunas relacionadas