Terceirização: formas de evitar problemas

Existem maneiras de antecipar problemas na hora de terceirizar sua produção? Sim, existe, porém nunca serão 100% seguras

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Definitivamente, terceirizar parte ou a totalidade de sua produção poderá ser uma boa saída. Porém, note que uso o verbo na condicional, o que deixa claro que você tem que tomar uma série de precauções para ter o mínimo de dor de cabeça com o seu terceirizado individual ou com a empresa terceirizada.

Começando pelos problemas trabalhistas, posso dizer que, mesmo com as novas regras, as responsabilidades do contratante foram reduzidas, mas não eliminadas a ponto de deixar sua empresa totalmente livre de riscos. Desta forma, o primeiro conselho é que se conheça cada parágrafo desta nova lei e use muito critério antes de assinar qualquer compromisso.

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Outra advertência que sempre faço, que na verdade é um ponto de vista adquirido com o tempo, é que mesmo terceirizando um produto, você precisa conhecer a maneira de produzi-lo. Sem isso, você não terá como contestar ou opinar sobre a melhor maneira de seu produto ser fabricado. Isto parece lógico, mas saiba que já me deparei com vários empreendedores que não conhecem os detalhes da produção e acabam por aceitar todo tipo de imposição do terceirizado.

Empresas de grande porte fazem uso de várias técnicas de controle de qualidade e procedimentos criteriosos ao extremo na hora de aprovarem a confecção de seu produto e, mesmo assim, não estão totalmente livres de problemas e elas tem total consciência disto. A cada dia fazem mais uso da tecnologia para obterem respostas rápidas de seus terceirizados.

Com este artigo, procuro alertar os pequenos e médios empreendedores para uma série de quesitos indispensáveis na contratação de uma terceira parte. A lista de detalhes que deverão constar em um contrato, além dos controles operacionais que você deve ter, não é nada pequena.

Direitos e obrigações de cada parte, eu diria que são os parágrafos principais de um contrato de terceirização. Neles é que devem ser descritos: Custos, prazos, qualidade, formas de pagamento, reajustes, responsabilidades trabalhistas, confidencialidade, fornecedores, impostos e taxas, tolerâncias, vigência (ressalvas abaixo), penalidades e com certeza vários outros itens e anexos peculiares a cada tipo de produto e serviço.

Uma vez a minuta do contrato sendo aceita entre as partes, digo sempre que o ideal é que se faça uma espécie de MVP para analisar a performance do terceirizado. Por esta razão é que na parte do contrato que se fala da “vigência” é que se faz necessário estipular um período inicial.

Pequenas e médias sofrem com dois grandes problemas: O primeiro é quando não vende e o segundo é quando vende muito. Ambas as situações precisam ser muito bem alinhadas com o seu terceirizado, ou seja, você tem que controlar muito bem o PCP (planejamento e controle da produção) dele. Você não poderá determinar uma parada da produção, pois isso irá comprometer as finanças dele, e, da mesma forma, ele não poderá aumentar a produção para atender a sua demanda de uma hora para outra. Tudo tem que ser muito bem planejado.

Nos dias de hoje, os recursos tecnológicos estão cada vez mais disponíveis e você tem que fazer uso deles para administrar seu negócio, o que inclui gerir o seu terceirizado.

Há cerca de uma década, prestei uma consultoria na área de produção e logística em uma empresa de médio porte, que, entre outras coisas, pretendia terceirizar parte de sua produção. Os produtos desta empresa eram da área de telecomunicações e eletroeletrônica. Trabalhamos muito para selecionar os terceiros interessados e acabamos por nos deparar com uma série de problemas. Os que tinham bom custo não tinham boa qualidade, os que tinham qualidade não acompanhavam nossa demanda e os que atingiam nossa expectativa não abriam mão do preço. Impasse formado, vamos ao trabalho. Várias reuniões com o nosso GD – Grupo de Desenvolvimento tomavam muito tempo e as alternativas não apareciam, até que um certo dia, o supervisor da produção trouxe sua ideia: Me parece claro que, assim que o setor em questão for terceirizado, haverá um corte de pessoal, certo? Desta forma, eu e mais alguns colaboradores do departamento gostaríamos de propor nossa demissão, na condição de que a diretoria nos ajude na montagem de uma empresa que irá ser a tão almejada “terceira”, que produzirá dentro do custo e dos padrões de qualidade estabelecidos, já que sabemos muito bem como fazer.

Lógico que depois disto aconteceram várias contestações, testes e avaliações. No final, a ideia acabou sendo aceita e implantada. Tenho conhecimento que até hoje este modelo está sendo muito bem utilizado por ambas as partes e que a pequena empresa, que tornou-se a solução do problema que o recurso da terceirização havia trazido, atualmente aumentou sua capacidade a ponto de prestar serviços para outros clientes.

Usei este exemplo para mostrar que em alguns casos isto pode ser uma boa saída. Preserva-se o emprego, cria-se oportunidades e principalmente facilita em boa parte os inúmeros problemas que se encontram na implantação de uma produção terceirizada.

Como disse no início, todo cuidado é pouco quando se terceiriza uma produção ou um serviço.

Edson Ferro, Mentor de Negócios,  especialista em desenvolvimento de produtos e processos produtivos. Representante da Regional São Paulo da ABMEN – Associação Brasileira dos Mentores de Negócios.

Comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da ABMEN – Associação Brasileira dos Mentores de Negócios

Sobre o Autor

A ABMEN, Associação Brasileira dos Mentores de Negócios, organização sem fins lucrativos fundada em 2016 e com regionais em RJ, SP, MG, RS, BA, CE e PA, congrega profissionais de diversas áreas que atuam como Mentores de Negócios nos ecossistemas de empreendedorismo, negócios, inovação e startups.

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