Tecnologia salvando vidas

O papel dos wearables na saúde militar da Amazônia

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Imagem: Shutterstock
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A recente aprovação da FDA para que o Google Pixel Watch 3 possa detectar a ausência de pulso e acionar automaticamente serviços de emergência representa um marco na tecnologia de saúde digital. Essa inovação, que combina inteligência artificial, monitoramento contínuo e resposta imediata a emergências, tem o potencial de salvar vidas, principalmente em regiões remotas e de difícil acesso, como a Amazônia.

Nos últimos meses, temos acompanhado atendimentos na vila militar em Manaus e atendimentos via telemedicina em postos de fronteira no Amazonas, onde a logística de assistência médica enfrenta desafios diários. A implementação de soluções tecnológicas como essa pode ser um divisor de águas para garantir um atendimento mais rápido e eficiente.

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O desafio da saúde militar na amazônia

A extensão territorial da Amazônia impõe barreiras significativas para a saúde pública e militar. Unidades de atendimento estão espalhadas por áreas de difícil acesso, e o transporte de pacientes críticos pode levar horas ou até dias, dependendo da localização.

Diante dessa realidade, a tecnologia tem sido uma grande aliada na ampliação da cobertura médica e na redução do tempo de resposta em emergências. Smartwatches e dispositivos vestíveis conectados a um sistema de telemedicina podem garantir que militares em serviço, veteranos e familiares recebam assistência imediata quando necessário.

Nossa experiência no monitoramento da saúde militar

Temos acompanhado de perto os desafios da assistência médica na vila militar de Manaus e nos postos de fronteira, onde os atendimentos precisam ser otimizados para garantir um suporte eficaz aos militares e suas famílias. Durante nossas observações, identificamos que muitos dos casos poderiam ser atendidos de forma preventiva se houvesse um monitoramento contínuo da saúde dos pacientes.

A notícia da aprovação da FDA para a funcionalidade de detecção de perda de pulso reforça a necessidade de expandir essas iniciativas, implementando dispositivos vestíveis em escala maior.

Benefícios da implementação de smartwatches na saúde militar

Resposta imediata em emergências:
Em casos de parada cardíaca, cada segundo conta. A capacidade do smartwatch de identificar a ausência de pulso e chamar automaticamente o resgate pode salvar vidas, especialmente em áreas remotas.

Monitoramento contínuo:
Acompanhamento 24 horas para militares ativos e veteranos, reduzindo o risco de complicações de doenças crônicas e prevenindo emergências médicas.

Integração com inteligência artificial (IA):
A IA pode analisar os sinais vitais capturados pelo dispositivo, identificando padrões de risco antes mesmo da ocorrência de um evento crítico, permitindo intervenções precoces.

Leia mais: A tecnologia apoiando a Unidade Básica de Saúde Fluvial (UBSF) no Amazonas

Conexão com prontuários eletrônicos:
Os dados coletados podem ser integrados ao sistema de prontuário eletrônico da saúde militar, garantindo um histórico médico atualizado e acessível aos profissionais de saúde.

Otimização de recursos e respostas médicas:
A tecnologia pode reduzir a necessidade de deslocamentos desnecessários para hospitais militares, garantindo que apenas os casos realmente urgentes sejam atendidos presencialmente, diminuindo custos e aumentando a eficiência operacional.

Impacto financeiro e operacional na saúde militar

Além de melhorar a qualidade do atendimento médico, a implementação de smartwatches para monitoramento da saúde militar pode gerar grande economia de recursos.

Redução de internações hospitalares
O custo médio de uma internação hospitalar no Brasil aumentou significativamente nos últimos anos. De acordo com a União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (UNIDAS), o valor médio de uma internação passou de R$ 6.455 em 2019 para R$ 10.153 em 2022, representando um aumento de aproximadamente 57% (Qualirede).

Se a tecnologia permitir a redução de 20% nas internações por eventos cardiovasculares, a economia pode chegar a milhões de reais anualmente para o sistema de saúde militar.

Diminuição das evacuações médicas
O transporte de militares de regiões remotas para atendimento médico podem custar valores  superiores a R$ 50.000 por remoção aérea. O monitoramento remoto pode reduzir drasticamente essa necessidade, diminuindo os custos operacionais.

Otimização de recursos humanos
Profissionais de saúde poderão focar nos casos mais críticos, evitando atendimentos desnecessários e garantindo melhor eficiência na gestão da saúde militar.

Redução de custos com exames diagnósticos
Wearables podem substituir exames preventivos frequentes, economizando até 30% nos gastos com diagnóstico de doenças cardiovasculares (IESS).

Melhoria na produtividade militar
A prevenção e o tratamento precoce de condições médicas garantem que os militares permaneçam aptos para o serviço ativo, reduzindo índices de afastamento e melhorando a capacidade operacional.

Alinhamento com tecnologias de saúde digital

Para garantir o máximo aproveitamento dessa inovação, a implementação de smartwatches deve estar integrada a um ecossistema de saúde digital, que inclui:

Telemedicina: Profissionais de saúde podem monitorar os sinais vitais de militares em tempo real, garantindo suporte mesmo a grandes distâncias.

Inteligência Artificial: Algoritmos de IA podem analisar os dados capturados pelos smartwatches, identificando tendências e padrões de risco antes de uma emergência ocorrer.

Prontuários Eletrônicos: A sincronização dos dispositivos com o sistema de saúde militar permite um histórico detalhado de cada paciente, facilitando diagnósticos e tratamentos personalizados.

O futuro da saúde digital não é uma promessa – ele já chegou. E pode estar no seu pulso!

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Sobre o Autor

Francisco Arce é casado com a Denise e pai da Rafaela e do Gabriel.

Formado em Tecnologia em Processamento de Dados pela UniNorte-AM
É mestre em Informática em Saúde pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
Especialista em Informática em Saúde pelo Sírio-Libanês
Especialista em Processo e ferramentas gerenciais pela HAOC
MBA em Gestão de Projetos pela FGV,
Foi subsecretário de Tecnologia da Informação na Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas.

Atualmente atua como Head de Tecnologia e Inovação no Instituto de Inovação e Desenvolvimento Sustentável-IDS trabalhando com vários projetos e dentre eles os de saúde digital.
É Embaixador da Associação Brasileira de Startups de Saúde no Amazonas

Faz parte das seguintes associações:
ABTms – Associação Brasileira de Telemedicina e Telessaúde
ABINC – Associação Brasileira de Internet das Coisas
I2AI Associação Internacional de Inteligência Artificial
ANPPD – Associação Nacional dos Profissionais de Privacidade de Dados
AATEC-Associação Amazonense dos Profissionais Tecnologia e Inovação

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