Ser global ou ser local? Eis a questão

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Ser global ou ser local? Eis a questão
A crise de 2015 atingiu em cheio o mercado de TI. Apesar de alguns institutos terem divulgado um crescimento da ordem de 2,5%, ele se refere a valores em reais. Como o nosso mercado é completamente precificado em dólares, estimamos uma redução de vendas de mais de 20% em relação ao ano anterior. Uma retração do mercado de TI nunca antes vista neste país.
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Os fabricantes e os mais importantes distribuidores são empresas globais e, consequentemente, não ficaram nada satisfeitas com o resultado de 2015. Algumas dezenas de country managers e outros executivos de alto escalão foram sumariamente demitidos de agosto até agora. Nesses momentos recrudesce a verticalização e a perda de autonomia dos líderes locais. O que nos remete, de novo, a uma velha questão: até que ponto a operação de uma empresa global deve respeitar as características locais ou regionais?
O chavão usado pelas corporações é sempre o mesmo: pensar globalmente e agir localmente. Na vida real isso não acontece. Sabemos é que, na época dos bons resultados, as lideranças locais são prestigiadas, ganham prêmios nos eventos internacionais, viram referências para o resto do mundo e são promovidas para altos cargos na região latino-americana. Mas, quando as coisas vão mal, como agora, as mesmas cabeças premiadas são cortadas e aparecem aqui no pedaço os executivos da corporação, reduzindo custos e interferindo nas operações locais.
Reduzir custos em momentos de baixas vendas é um procedimento correto. A redução de custos, entretanto, deve ser um objetivo buscado permanentemente, mesmo em tempos de bonança. Deve ser uma prática, não uma ação isolada.
Quanto à autonomia dos escritórios locais, ela deve se basear em estratégia, e não em situações momentâneas. Nas empresas mais bem-sucedidas no Brasil, reportam-se em linhas sólidas ao country manager Vendas, Canais, Suporte pré e pós-vendas, TI, Serviços e Marketing. RH, Treinamento e Operações são desejáveis, mas não obrigatórios. Financeiro e Auditoria nunca.
Quanto a guilhotinar executivos, isso pode funcionar ou não. É o mesmo que trocar o técnico de futebol de um time no meio do campeonato quando o time vai mal. É loteria! E jogando a aposta mínima!
   
Sergio Basilio é Diretor de Estratégia e Soluções de Cloud para a América Latina e responsável pela estratégia global de IoT da Westcon-Comstor.

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