Sebrae auxilia multinacionais

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Sebrae auxilia multinacionais

Há poucos dias, o Sebrae lançou o programa ?Conecte seu Negócio?, para incentivar a entrada de pequenos negócios brasileiros na web. Na avaliação do Sebrae, com a qual concordamos, há ainda um grande número de micro e pequenas companhias que não está presente no mundo digital. Basta comparar o número de domínios .com.br com o número de CNPJs do Cadastro Central de Empresas do IBGE para corroborar este fato.

Entretanto, a maneira como o Sebrae desenvolve este programa, é questionável: o programa conta com a parceria das empresas Google, HP, Serasa Experian e Yola, todas empresas multinacionais. Enquanto o Sebrae assumiu a tarefa de mostrar que a internet é uma ferramenta de inovação que fortalece os micro e pequenos negócios (realizando treinamentos, dando suporte, etc.), os parceiros receberão as empresas como clientes, sem qualquer esforço. Ainda bem que eles se dispõem a doar 150 reais em créditos no AdWords (Google), vender PCs com desconto (HP) e fornecer informações cadastrais a ?preços competitivos? (Serasa Experian)!

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Há vários aspectos da iniciativa que precisam ser questionados. Em primeiro lugar, não há empresas nacionais capazes de fazer isso? A informatização das micro e pequenas empresas é um objetivo já antigo. Entretanto, há capacidade de prestação de serviços e produção de equipamentos no País para atender a essa demanda. Não se trata apenas de defender os interesses das empresas de capital nacional que poderiam vender esses PCs, ou dos provedores de acesso e desenvolvedores web que poderiam comercializar seus serviços: dado o volume de empresas a ser atingido (cem mil empresas, de acordo com o anúncio do programa), efetivamente estamos perdendo a chance de dar um forte impulso ao ecossistema de pequenos provedores de internet e serviços web em todo o País (que também deveriam ser atendidos pelo Sebrae!), em detrimento de um gigante como o Google, que certamente não precisa dessa ajuda para se manter no mercado.

Outro aspecto diz respeito à origem e montante dos recursos: a fonte de receita do Sebrae é a contribuição obrigatória de todas as empresas brasileiras para com o sistema S sobre a folha de pagamento. Trata-se, portanto, de dinheiro público. Pergunto então: por que haveria de ser usado dinheiro de nossos impostos para beneficiar as companhias as citadas? Quanto ao montante que está sendo investido no programa, não há informações disponíveis até o momento.

Finalmente, observo que a estratégia de divulgação usada no anúncio do programa, que consistiu de um evento virtual hospedado no YouTube, certamente não esteve disponível para o mercado que se pretende atingir com a iniciativa! 

*Roberto Carlos Mayer (mailto:[email protected]) é diretor da MBI (http://www.mbi.com.br), vice-presidente de Relações Públicas da Assespro Nacional e representante do Brasil junto à ALETI (Federação Ibero-Americana das Entidades de TI).

Sobre o Autor

Tive uma carreira muito rica e variada, atuando profissionalmente e voluntariamente em diversos cargos: depois de estudante, fui funcionário de grandes multinacionais, fui professor e professor em diversos cursos particulares e públicos. Fui e ainda atuo como consultor, sempre fui um empreendedor (administrando empresas há décadas) e venho contribuindo há mais de três décadas de forma voluntária para uma variedade de atividades relacionadas a TI e organizações sociais, permitindo-me aprender muito sobre políticas públicas e culturas em mais de 50 países. Também sou autor de vários livros, em diversas áreas (incluindo TI, sociologia e espiritualidade).

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