O desafio da transformação de softwares para adoção de nuvem

Por Lauro de Lauro*

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coluna 12.04 — Foto: Shutterstock

O grande desafio para as empresas de software, fundadas em décadas passadas, é conviver com seus extensos códigos, processos e metodologias não adaptadas para lidar com o aumento da velocidade, variedade e volume que os consumidores digitais estão exigindo. Os consumidores digitais estão exigindo dos seus softwares de uso corporativo experiências similares ao do uso de aplicativos móveis integrados a ecossistemas em forma de ‘marketplace’. Software como serviço (SaaS) é o que o consumidor deseja.

Com a evolução e consagração da computação em nuvem, diversos problemas enfrentados nos desenvolvimentos tradicionais agora são facilmente solucionados e de maneira bastante acessível pelas startups. E as aplicações escritas na década passada?

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Reescrever uma aplicação com centenas de milhares de linhas não é uma tarefa fácil!

Muitos líderes responsáveis pela transformação de seus negócios de software estão seguindo tipicamente três caminhos distintos:

  1. Uma jornada radical de rearquitetura e recodificação do seu software;
  2. Uma evolução gradual ou;
  3. Estão aguardando uma solução mágica.

Uma jornada radical de rearquitetura e recodificação de um software é um desafio que poucos conseguem ultrapassar.

Dependendo da quantidade de linhas de código, linguagem de programação e banco de dados, a jornada pode durar anos e requerer um alto investimento.

Reescrever código mudando de linguagem já é um esforço significativo para qualquer boa equipe de desenvolvimento. Somado a isso, entender de arquitetura aplicada à computação em nuvem é um complicador adicional. O Brasil ainda forma muito poucos engenheiros de softwares com especialização em arquitetura de nuvem.

Na evolução gradual, mantendo o núcleo do software na sua arquitetura e codificação original, mas criando novos módulos em tecnologia nativa para nuvem, tem sido a escolha de muitos líderes da indústria.

Essa abordagem é bastante compreensível em função:

  • Dos consumidores pedirem novas funcionalidades e integrações constantemente;
  • Da concorrência avançar lançando novas funcionalidades;
  • Dos investimentos necessários para manter atualizações regulatórias, fiscais e tributárias, que consumem uma boa parcela dos custos e da carga de trabalho;
  • Da falta de financiamentos para a transformação do núcleo do software e
  • De contratação de plataformas que possibilitam mover uma aplicação legada para a nuvem e ganhar muito tempo para poder transformá-la.

Em ambos os casos, o caminho a ser seguindo é na direção da metodologia Ágil e ‘DevOps’ para se transformar.

Há pouco mais de uma década, o desenvolvimento de software testemunhou uma mudança radical. Já se foi o tempo em que o desenvolvimento era um processo isolado com as equipes de desenvolvimento, negócios, operações e testes trabalhando em seus próprios silos. Com a metodologia ágil e cultura ‘DevOps’, as equipes de desenvolvimento obtiveram o impulso necessário para colocar o software em produção rapidamente e reduzir o tempo de lançamento no mercado.

O sucesso das metodologias Ágil e ‘DevOps’ certamente dependem da destreza e da capacidade das equipes de desenvolvimento, mas não só delas. Essas metodologias também exigem uma mudança de cultura da empresa. Evitando trabalhar em silos, o fator sucesso de um projeto de transformação é a colaboração entre equipes.
Desta forma, é possível criar um ambiente em que desenvolvimento, testes e lançamentos de produtos fluam dinamicamente. Para isso acontecer é fundamental uma integração forte entre desenvolvimento, qualidade e operações.

A maioria considera o ‘DevOps’ como a extensão do Ágil e certamente, podemos pensar desta forma. O fundamental é a maior colaboração entre a equipe de desenvolvimento e operações.

A mudança necessária é conceitual, temos que desenvolver softwares centrado no usuário!

O sucesso é ter feedback constante e rápido do usuário, associado a processos de automação para aumentar a velocidade, variedade e volume de entregas.

Os ganhos com a adoção desta cultura para as empresas de software estão diretamente relacionados com seu futuro e sobrevivência. Hoje, a cadeia de valor centrada no consumidor necessita de compreensão muito mais do que questões puramente técnicas.

Para aqueles que estão aguardando uma solução mágica, só posso dizer que o tempo está passando e o fim está próximo.

*Lauro é diretor de Marketing e coordenador do comitê SaaS.

Sobre o Autor

A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) atua com o propósito de contribuir para a construção de um Brasil Mais Digital e Menos Desigual, porque acredita que a tecnologia da informação desempenha um papel fundamental para a democratização do conhecimento e a criação de novas oportunidades, visando melhor qualidade de vida para todos, de forma inclusiva e igualitária. Diante desse propósito, o objetivo da ABES é o de assegurar um ambiente de negócios propício à inovação, ético, dinâmico, sustentável e competitivo globalmente.

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