Mentoria…e Touchdown

O título do artigo pode parecer um tanto quanto inusitado, mas o que não é inusitado no mundo empreendedor?

Publicado:

Leitura 5 minutos

jogadores de futebol americano correndo pelo estádio com a bola
jogadores de futebol americano correndo pelo estádio com a bola

O título do artigo pode parecer um tanto quanto inusitado, mas o que não é inusitado no mundo empreendedor?

Sou um apaixonado pelo Futebol Americano.  Conheci e aprendi a amar esse esporte em 1993, quando fiz intercâmbio estudantil nos Estados Unidos. O que mais me chamou a atenção, e o que me faz vibrar com esse esporte até hoje, foi a necessidade de ser estrategista para se vencer em campo.

As melhores notícias de tecnologia B2B
Acompanhe todas as novidades diretamente na sua caixa de entrada

Há duas semanas começou a fase de playoffs para selecionar os times que irão para a grande final, o Super Bowl. E um jogo que aconteceu no domingo passado me chamou a atenção de tal forma que estou escrevendo sobre como a estratégia foi importante para o resultado final.

Caso o leitor não tenha familiaridade com o jogo, é importante saber que o jogo é dividido em 4 quartos de 15 minutos cada.

No jogo de domingo um dos times começou o primeiro quarto de forma avassaladora colocando logo 21 pontos a 0 pontos no placar. O time que estava perdendo jogava em seu estádio e, por causa dessa enorme diferença logo no primeiro quarto, alguns torcedores mais impacientes logo foram embora.

Mas esse mesmo time que tomou esse “direto de direita” bem no início do jogo, assimilou o golpe e já no intervalo vencia a partida por 28 pontos a 21 pontos e terminou vencendo o jogo por 51 a 31. Segundo alguns comentaristas, foi o melhor jogo da história dos playoffs.

O que me chamou a atenção no jogo? Primeiro, o quarterback do time que perdia, uma espécie de camisa 10 e o principal motivador do time, estava calmo. Segundo, o posicionamento da equipe. O time não se entregou.

Sabemos que empreender é um desafio, principalmente numa sociedade muito burocratizada como a nossa. É normal no início de uma jornada empreendedora, tomarmos alguns “diretos de direita”, como o time que estava perdendo tomou.  Quantas ideias, projetos e etc. morreram na primeira etapa porque o empreendedor não foi resiliente a ponto de absorver as negativas de um investidor ou as dificuldades para seguir captar clientes para seu empreendimento?

Segundo pesquisa do SEBRAE realizada em 2014, a taxa de mortalidade de MPEs no seu primeiro ano de vida é de 42%. Os motivos que encabeçam a lista de razões são falta de clientes (16%), falta de capital (16%), falta de conhecimento (12%), mão de obra (10%), imposto/ tributos (10%), inadimplência(6%), concorrência (4%) e burocracia (4%).

Atualmente é preciso que se tenha, não só o famoso “comportamento empreendedor”, mas é preciso ser resiliente, é preciso tirar das dificuldades oportunidades para fazer o negócio, o projeto ou ideia atravessar o momento de turbulência que são os primeiros anos.

Nesse ponto vejo o papel do Mentor de Negócios como algo essencial para empreendimentos que querem dar certo. O Mentor é o quaterback dos empreendedores. Não que o Mentor irá colocar a mão na massa. Mas ele pode ser a serenidade que a equipe de empreendedores precisa no momento. Ele pode mostrar ao grupo como atravessar e vencer o problema sem desespero. Imagina se o quaterback, líder, do time que perdia entrasse em desespero. O time todo estava observando a atitude dele no jogo. A cada marcação de ponto do time adversário, a câmera focava nele. Claro, ele, nesse momento, estava motivando seus jogadores com palavras de ânimo.

O Mentor de Negócios exerce esse papel. Ele, por meio de sua vivência e aconselhamento, mostra ao(s) empreendedor(es) o caminho a seguir. É comum, em eventos de startups, inovação, e etc., vermos jovens com ideias fantásticas, mas sem um plano, estratégia, de implantação do seu projeto.

Conheci um empresário que resolveu abrir um empreendimento no interior de um estado do Brasil. Esse empresário teve uma visão fantástica, pois seria o único a oferecer o serviço na região. Porém, quando iniciou a execução do projeto, percebeu que não tinha mapeado 10% dos riscos que aquele projeto oferecia. A inexperiência e a falta de conhecimento do ambiente foram os grandes entraves. Mas e se ele tivesse contratado um Mentor para auxiliá-lo? Outro dia, conversando com esse mesmo empresário, ele me disse que se arrepende de não ter contratado um Mentor. Hoje ele é um Mentor e auxiliar outros empreendedores que queiram abrir e/ou desenvolver seu negócio.

Em suma, o mentor pode levar, com sua vivência, conhecimento, comportamento e atitude madura, a uma virada de 51 a 31 no final do jogo.

Paulo Alexandre, Consultor sênior da DOXA – Gestão Estratégica, Mentor de Negócios associado à ABMEN, é especialista em Análise de viabilidade de projetos de novos produtos e serviços e fontes de financiamento e fomento.

Comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião da ABMEN – Associação Brasileira dos Mentores de Negócios

Sobre o Autor

A ABMEN, Associação Brasileira dos Mentores de Negócios, organização sem fins lucrativos fundada em 2016 e com regionais em RJ, SP, MG, RS, BA, CE e PA, congrega profissionais de diversas áreas que atuam como Mentores de Negócios nos ecossistemas de empreendedorismo, negócios, inovação e startups.

Ver publicações deste autor

Colunas relacionadas