Painel na Hannover Messe reúne executivos de Volkswagen Group, Mercedes-Benz AG e Aumovio
A indústria automotiva europeia começa a redesenhar sua estratégia para não perder espaço na corrida global por veículos autônomos. Durante um painel na Hannover Messe*, Aria Etemad, Senior Project Manager da Volkswagen; Michael Darms, Senior Autonomous Driving Functions da Mercedes Benz AG; e Jörg Reichardt, Senior Expert de Machine Learning da Aumovio defenderam que o avanço da inteligência artificial no setor depende de maior colaboração entre empresa. Especialmente do compartilhamento de dados e no desenvolvimento de infraestruturas comuns.
Aplicações já estão em uso, como sistemas de estacionamento automatizado que permitem ao motorista deixar o carro na entrada de um edifício enquanto o veículo realiza a manobra sozinho. Esses sistemas, no entanto, ainda operam em ambientes controlados e com supervisão.
O desafio, agora, passa pela ampliação desse tipo de tecnologia ao lidar com cenários mais complexos, como variações climáticas, baixa visibilidade e interações imprevisíveis no trânsito. Nesse contexto, a inteligência artificial não consegue ler dados de forma tão precisa e passa a ser aplicada diretamente no ambiente físico, exigindo modelos mais adaptáveis e maior capacidade de processamento de dados.
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Um dos pontos centrais do painel foi a limitação dos modelos baseados em programação tradicional. A diversidade de situações no trânsito torna inviável antecipar todos os cenários possíveis, o que direciona o desenvolvimento para sistemas treinados com grandes volumes de dados reais.
Segundo os executivos, nenhuma empresa concentra, isoladamente, a quantidade necessária de dados para esse avanço. A alternativa discutida envolve modelos de cooperação que permitam o compartilhamento estruturado dessas informações.
Entre as propostas estão a criação de infraestruturas comuns para desenvolvimento de IA e o uso de mecanismos de governança de dados, como os chamados “data clubs”, nos quais empresas compartilham informações com regras definidas de acesso, uso e compensação.
O debate ocorre em meio ao avanço da China na indústria automotiva, que está ampliando rapidamente sua presença tanto na produção quanto no desenvolvimento tecnológico, e à consolidação dos Estados Unidos em plataformas de software e inteligência artificial.
A Europa busca acelerar sua capacidade de resposta com base em sua estrutura industrial e na diversidade de mercados e condições de uso, fatores apontados como relevantes para a geração de dados.
O recente acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tem sido apontado como um diferencial competitivo neste tema. Em entrevista, Pablo Fava, CEO da Siemens para o Brasil, a união entre as culturas europeia e latino-americana seria uma saída para o avanço das duas regiões, caso trabalhem em conjunto. “Nós somos muito complementares na perspectiva das pessoas. Na América Latina, somos bastante adaptáveis porque passamos por muitas crises e nos adaptamos às situações. Isso faz parte da nossa cultura. Europa é complementar a esse tipo de comportamento porque aqui, eles estão muito mais acostumados a linearidades, mas são muito mais estruturados nos seus desafios, na sua forma de inovar. Então, juntando essas duas complementaridades, a gente consegue ser rápido, implementar e adaptar a inovação de forma objetiva. Por isso é um momento excelente para assinarmos esse acordo entre Mercosul e Comunidade Europeia”, explica.
*O jornalista viajou para a Messe Hannover a convite da Siemens Brasil.
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