Estágio Inicial da Transformação Digital (Digitization)

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Um recente estudo conduzido pelo Global Center for Digital Business Transformation (DBT Center), em parceria com a escola de negócios IMD e a empresa Cisco revelou que a pressão da disrupção digital não é igual em todas as indústrias.

O gráfico abaixo ilustra esse cenário por meio do “Digital Vortex”. Esse conceito representa o movimento inevitável de todas as indústrias em direção ao centro, em que os modelos de negócios e a cadeia de valor são digitais ao máximo. Quanto mais próximo do centro o setor da empresa estiver, mais urgente será a revisão de suas práticas e abordagens estratégicas.

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Fonte: Global Center for Digital Business Transformation (DBT Center)

Como podemos observar, existem três setores, identificados por diferentes cores, que estão em diferentes estágios de disrupção digital.

Roxo: trata-se de setores que serão os últimos a sofrerem a disrupção digital, já que estão em estágio inicial de práticas a caminho da transformação digital.

Cinza: os setores representados por essa cor estão em estágio intermediário de disrupção digital. Empresas desses setores experimentam disrupções de produtos e serviços e são constantemente pressionadas a inovar e gerar novas fontes de receitas através do digital.

Laranja: as empresas desse setor são as mais afetadas pela disrupção digital e sofrem ameaças constantes para reinventar o seu modelo de negócios.

Estágios Evolutivos

Podemos classificar a evolução da jornada digital das empresas em três estágios distintos:

Estágio Iniciante : Digitization

 O primeiro estágio evolutivo rumo à transformação digital concentra-se na melhoria da experiência do cliente e da excelência operacional.

Experiência Digital do Cliente

Transformar a experiência do cliente é a principal fonte da proposta de valor e de diferencial competitivo, e aqueles que melhor entenderem as necessidades dos clientes e empregarem essas novas tecnologias de forma a entregarem um resultado que os clientes realmente valoram, garantirá uma posição mais à frente que os seus competidores. Isso de forma momentânea, até que outra experiência altere a percepção de valor do cliente.

Podemos citar como exemplo o Starwood Hotels & Resorts, que, em vez de fornecer cartões magnéticos para que os hóspedes consigam abrir as portas dos quartos, possibilitou a abertura delas por meio de celulares que possuem a tecnologia NFC (Near Field Communication), presentes em quase todos os  aparelhos fabricados atualmente.

 

Aliás, ter que utilizar esses cartões é uma queixa comum entre aqueles que se hospedam com frequência em hotéis.Após se hospedar no Starwood, o cliente irá mudar a sua percepção de valor sobre hospedar-se em hotéis, e sentirá que está recebendo uma experiência hoteleira inferior, todas as vezes que precisar abrir a porta do quarto com cartão magnético em outros hotéis.

 

Nos dias atuais, os consumidores estão expostos a diversas experiências digitais em seu cotidiano, seja ao hospedar-se no Starwood Hotel, pedir um táxi no Uber, alugar uma casa no Airbnb ou realizar compras no Amazon. Na verdade, os consumidores nunca estiveram com as expectativas tão elevadas e com tendência crescente, e nada indica que esse cenário irá se estabilizar, pelo contrário, com a corrida pela adoção de novas tecnologias em todos os setores, as expectativas dos consumidores só aumentarão.

Esse cenário coloca as empresas em uma corrida constante com os seus competidores, pois, à medida que as expectativas aumentam, sem mudanças na experiência, o valor percebido pelos consumidores diminui.

Excelência Operacional Digital

A segunda forma de gerar valor é por meio da excelência operacional, as novas tecnologias digitais permitem criar uma verdadeira revolução nas operações e nos processos das empresas. Pense, por exemplo, como a impressora 3D pode impactar o processo de fabricação de bens físicos de forma mais rápida, barata e customizada.

Muitas fábricas tradicionais estão em uma corrida digital na chamada indústria 4.0, que pode revolucionar a cadeia de produção ao implantar dispositivos inteligentes de IoT em seu processo produtivo.

Um setor que tem despontado nesse sentido é o de Óleo e Gás. As empresas desse setor irão redefinir novos patamares de produção da indústria com a incorporação desses dispositivos conectados em quase todos os processos e etapas de extração e refino do petróleo. A multinacional petrolífera anglo-holandesa Shell divulgou o seu ambicioso plano de digitalizar o processo produtivo de seus poços de petróleo, que passaria a ser controlado a distância por uma unidade central, de onde os funcionários teriam acesso e controle de praticamente toda a cadeia produtiva.

Fonte: Shell

Outras empresas e setores podem também se diferenciar e ganhar vantagem competitiva por meio da digitalização de suas operações, usando, por exemplo, IoT para reduzir custos e aumentar a produção.

Ocorre que algumas empresas vão além de incorporar as tecnologias digitais para se diferenciar por meio de novas experiências proporcionadas aos clientes e suas operações. Eles alteram também as fórmulas econômicas adotadas pela empresa, alterando assim o seu modelo de negócios e, em última instância, a forma como a receita é gerada.

Sobre o Autor

Holds a MBA at IESE Business School and academic extension degree at Harvard University. Previously worked with marketing and strategy consulting and now works as Consulting Development Director at Forrester, helping technology management and business leaders build Business Technology Agenda as well

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