Pequenas escolhas que contribuem para um discurso mais inclusivo
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É possível haver pensamento sem linguagem? Quanto da nossa capacidade de raciocínio está presa aos vocábulos que conhecemos? Será que o exercício de expandir o nosso conhecimento idiomático nos faria pensar de forma mais ampla?
Estudos comprovam que sim, que conhecer mais palavras em nosso próprio idioma e conhecer outros idiomas acabam abrindo a nossa mente e nos trazendo novas possibilidades de abstração. Como disse Caetano Veloso, “está provado que só é possível filosofar em alemão”!
Como isso afeta a comunicação? Quando falamos ou escrevemos, fazemos escolhas, muitas vezes involuntárias e relacionadas às referências que temos e acumulamos na vida. Mas nossas escolhas têm o poder de incluir ou excluir pessoas e essa consciência é muito importante para quem quer se comunicar melhor e de forma mais abrangente.
Neste mês, aproveitando as discussões que permeiam o Dia Internacional da Mulher, escolhi falar sobre questões relacionadas a gênero, mas existem muitas outras que podemos explorar depois.
Sendo português um idioma que generaliza no masculino, muitas vezes as mulheres não se vêem representadas no discurso e construímos todas as nossas figuras mentais com homens. Mas português é também um idioma bem versátil, em que não é difícil contornar a situação com pequenos “truques”. Isso tudo para quem estiver disposto a fazer o teste, é claro! Vamos lá:
O que não fazer: por mais simpático que seja usar @ ou x nas palavras, como “queridxs” e “lind@s” (eu mesma já usei muitas vezes), a verdade é que esta escolha passa longe de ser inclusiva. Ela dificulta a leitura, principalmente para quem possui dislexia, e não é lida por nenhuma ferramenta de acessibilidade. Nesse caso, ela pode até suavizar a questão de gênero, mas passa a excluir outros grupos, o que não é a intenção!
A linguagem evolui e idiomas se adaptam às mudanças da sociedade. Palavras entram em desuso, outras passam a ser aceitas na linguagem formal. Mas a evolução idiomática é mais lenta que a da sociedade, portanto temos a escolha de poder fazer algo enquanto isso. Se pensamos como falamos ou escrevemos, é possível que se mudarmos as palavras, possamos repensar alguns conceitos!