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O despertar tecnológico do Brasil: lições da China para uma indústria soberana 

Do câmbio à inovação local: como o consumo de software nacional pode reduzir vulnerabilidades e construir um futuro industrial sustentável

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Empresas chinesas apresentam alto grau de inovação e seus produtos surpreendem a cada momento. Quando falamos de tecnologia que salta aos olhos, falamos de produtos chineses. 

Mas até uma ou duas décadas atrás não era bem assim. A produção chinesa estava associada a produtos de preço acessível, mas atrás em qualidade e sofisticação de produtos de outros países. Quem optava pelo produto chinês, fazia por ter melhor preço.  

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Analistas econômicos diziam que a moeda, Yuan, era artificialmente desvalorizada, mas o câmbio tem pouco peso no mercado interno se o país produz boa parte do que consome.  Dessa forma, consumindo produtos internos, câmbio internacional não exerce muita pressão sobre a China. 

O Brasil tem potencial para pensar nessa virada e se transformar em um país mais industrial, com mais exportações tecnológicas de alto valor agregado. Isso nos tornará mais sustentáveis, auto suficientes em produtos industriais e menos vulneráveis com as variações do câmbio internacional. 

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Esse momento parece oportuno para a mudança de visão. Chegou a hora do brasileiro consumir mais a tecnologia que produzimos no país. Isso pode começar com o software que tem menos barreiras logísticas e temos profundo reconhecimento nessa área.  

O setor bancário brasileiro inova e se coloca à frente de outros países quando o assunto é tecnologia. Da mesma forma, precisamos do Brasil assumindo e consumindo o produto nacional para ser sustentável e ter escala naquilo que ele já demonstrou competência.   

Os governos também têm papel crucial, eles precisam aderir a essa iniciativa como protagonista. Consumindo tecnologia nacional, o Estado ganha em divisas, em empregos, em impostos e em soberania, já que os dados são a nova riqueza do mundo. 

Não estamos só falando de soluções inovadoras, ao contrário, as mais estratégicas, por serem mais escaláveis, são aquelas consolidadas, tratadas como commodities.  

Garantir escala para empresas de tecnologia é a tarefa do Brasil nos próximos anos. Sem escala, não há sustentabilidade econômica. Foi isso que a China deu para as suas empresas e ensinou para o mundo. 

Maria Luiza Reis, PhD é CEO Lab245 e Maps245 e Conselheira da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES).

 

 

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Sobre o Autor

A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) atua com o propósito de contribuir para a construção de um Brasil Mais Digital e Menos Desigual, porque acredita que a tecnologia da informação desempenha um papel fundamental para a democratização do conhecimento e a criação de novas oportunidades, visando melhor qualidade de vida para todos, de forma inclusiva e igualitária. Diante desse propósito, o objetivo da ABES é o de assegurar um ambiente de negócios propício à inovação, ético, dinâmico, sustentável e competitivo globalmente.

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