Desafios para a retenção do conhecimento nas organizações

A retenção do conhecimento é um assunto que está se tornando relevante para os gestores na era 4.0

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Coluna 20.02
Coluna 20.02 — Foto: Shutterstock

Abordaremos um assunto de muita importância dentro da Gestão do Conhecimento: a retenção do conhecimento. As organizações têm uma grande preocupação em valorizar os ativos intangíveis, o capital intelectual, bem como a forma coerente de retenção do conhecimento. Contudo, nem sempre estão fazendo o dever de casa.

Vimos nos posts anteriores que o conhecimento tem aspectos distintos, podendo ser do indivíduo, do grupo, da organização ou da rede que interage entre organizações.

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Neste contexto, o conhecimento pode se dispersar e se perder facilmente:

  • Trabalhadores de um projeto não têm conhecimento do desenvolvimento de projetos similares, com problemas e soluções intercambiáveis, o que provoca um trabalho redundante.
  • Um grupo de trabalhadores é eficiente em determinados conhecimentos. Outros trabalhadores da organização poderiam aproveitar estes conhecimentos;
  • Negociações malsucedidas da organização, se não forem retidas, não trarão aprendizados e experiências para futuros negócios;
  • Todas as tentativas e erros, bem como os testes, falhas e correções, dos projetos que são finalizados nas organizações, não são documentados ou retidos;
  • Funcionários deixam as organizações. Seus conhecimentos e experiências não foram transmitidos, tampouco retidos.

A retenção do conhecimento inclui todas as atividades da gestão do conhecimento que conservam o conhecimento. A retenção inclui, também, as atividades que mantêm a viabilidade de o conhecimento estar dentro do sistema. Nem todas as ferramentas de gestão do conhecimento focam na retenção. Algumas ferramentas, dentre elas o e-mail, não possibilitam a retenção; o foco destas ferramentas é apenas a transferência!

Frequentemente só há formas de retenção de conhecimento tácito dos participantes por meio da socialização (conhecimento tácito para tácito). Dados e informações podem estar em práticas não descritas ou informais, o que compromete a retenção. Capturar o conhecimento de uma experiência é um trabalho árduo. Se sabe que este exercício despende tempo e esforço consideráveis.

Algumas perguntas devem ser feitas para que o caminho rumo a retenção seja viável:

  • Quais áreas são o alicerce para o sucesso da organização no futuro?
  • Quais são os conhecimentos mais valiosos destas áreas?
  • Quais são os maiores riscos da perda do conhecimento dos colaboradores?
  • Quais são os conhecimentos mais facilmente modificados quando houver uma perda irreparável?

Uma vez respondidas estas perguntas, deve-se partir para um projeto de retenção, cujas etapas devem incluir:

  • Entrevistas para entendimento do cenário da gestão do conhecimento;
  • Modelagem dos processos do conhecimento;
  • Medição do estágio atual da gestão do conhecimento;
  • Validação e classificação dos documentos a serem utilizados;
  • Estabelecimento dos critérios para socialização entre os colaboradores;
  • Taxonomia dos documentos;
  • Tabela de temporalidade dos documentos;
  • Escolha da ferramenta de gestão do conhecimento;
  • Planejamento da implementação da ferramenta;
  • Implementação da ferramenta utilizando métodos ágeis para o projeto, a partir dos processos que foram modelados;
  • Medição do estágio da gestão do conhecimento;
  • Mentoring constante para que o projeto tenha sustentabilidade.

Bem, alguns destas etapas vamos abordar detalhadamente em posts futuros.

Sobre o Autor

Construiu uma sólida carreira de 40 anos na área da Gestão da TI, focando na informação e no conhecimento, na estratégia, nos sistemas, na inovação, nos processos e projetos. Consultor, palestrante, educador, pesquisador e escritor. Doutor em Ciência da Informação, Mestre em Administração, Bacharel em Ciência da Computação e Analista de Sistemas. Coordenador, professor e pesquisador de pós-graduações Lato e Stricto Sensu. Criador do Treinamento de Ideação e Priorização de Projetos e do KMCanvas.

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