Como realmente medir o impacto da IA nos negócios?

Para realizar uma medição mais efetiva, devemos olhar para três dimensões que, juntas, mostram a fotografia completa do valor entregue.

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Imagem: Shutterstock
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O último ano foi decisivo e significativo para as empresas, pois consolidou os planejamentos relacionados ao uso de inteligência artificial tanto nas rotinas dos profissionais, quanto na criação de novas soluções para os consumidores. De acordo com a pesquisa “IA em Micro, Pequenas e Médias Empresas: Tendências, Desafios e Oportunidades”, da Microsoft, 77% dos tomadores de decisão consideram que a IA agiliza os processos em suas companhias, e 75% das organizações afirmam que estão otimistas em relação ao impacto da tecnologia no trabalho.

Porém, como aponta o relatório “The GenAI Divide: State of AI in Business 2025”, divulgado pelo MIT, apesar do enorme potencial da inteligência artificial generativa, a maioria das iniciativas para acelerar o aumento da receita está falhando: 95% dos programas piloto não geram impacto significativo no balanço financeiro, enquanto apenas 5% deles alcançam resultados relevantes.

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Dados tão dissonantes indicam uma grande discrepância entre as expectativas com relação a implementação da tecnologia e a sua aplicação na prática. E, pelo que tenho observado no mercado, o principal desafio não é necessariamente o resultado do uso de IA, mas sim a dificuldade de medir verdadeiramente seus impactos nos negócios. É importante entender que calcular o ROI de um projeto de inteligência artificial não se resume a números, pois é preciso entender o efeito real que a implementação da tecnologia gera na operação, no ritmo do time e na forma como as decisões passam a ser tomadas.

Para realizar uma medição mais efetiva, devemos olhar para três dimensões que, juntas, mostram a fotografia completa do valor entregue. Primeiro temos os ganhos diretos, que são tangíveis, objetivos, geralmente aparecem logo no início, fáceis de medir e normalmente ligados à automação inteligente. É onde a IA tira peso operacional, reduz retrabalho e devolve horas produtivas para o time. Também temos os ganhos estratégicos, que são intangíveis e muitas companhias só percebem depois, no médio e longo prazo. Eles aparecem quando a IA auxilia a padronizar execução, melhorar a qualidade das entregas e dar mais previsibilidade ao negócio, ajudando a sustentar escala e aumentar a maturidade da operação.

Por último, temos os custos estruturais, visto que, para um cálculo de ROI preciso, também é necessário olhar para o valor total da solução. Estamos falando de mais do que o desenvolvimento inicial, e alguns elementos importantes incluem licenciamento de APIs e infraestrutura, integrações com sistemas internos, manutenção e atualizações periódicas dos modelos.

Há ainda um aspecto mais subjetivo, mas igualmente relevante, que é o ganho de tempo das equipes. Ao delegar à inteligência artificial tarefas operacionais, repetitivas ou altamente automatizáveis, os profissionais reduzem a sobrecarga do dia a dia e passam a atuar de forma mais estratégica. Com isso, há mais espaço para reflexão, planejamento e tomada de decisão qualificada, além de favorecimento de atividades que exigem criatividade, análise crítica e visão de negócio. Na prática, os times tornam-se mais produtivos, ágeis e capacitados para responder às mudanças do mercado, ao mesmo tempo em que elevam a qualidade das entregas e o impacto das iniciativas para a organização.

No panorama atual, não faltam promessas quando o assunto é IA. Todo dia surge uma nova solução, um novo case impressionante, uma nova ideia de “salto de eficiência” que parece resolver tudo. Mas, na prática, o maior desafio não é escolher a tecnologia certa, mas sim entender o que realmente vai mexer o ponteiro dos negócios. Separar hype de impacto real exige método, e medir ROI é o caminho mais seguro para tomar decisões estratégicas com clareza, priorizar iniciativas e evitar investimentos que não se pagam. Pense nisso!

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Sobre o Autor

De Araguari para o mundo, Gustavo Caetano se tornou um dos empreendedores mais influentes da atualidade. Em 2008, identificando uma oportunidade no mercado, fundou a Sambatech. Foi eleito uma das 10 mentes mais inovadoras do País pelo MIT e já considerado o Mark Zuckerberg brasileiro pela Business Insider.

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