A Conquer in Company relatou que em 2025 45% das empresas cancelaram de dois a cinco treinamentos por falta de interesse
A escassez de profissionais de TI vai além das eternas vagas abertas, impactando diretamente a qualidade das soluções e produtos e, consequentemente, o lucro das empresas. Em um mercado cada vez mais tecnológico, essa área é responsável por desenvolver, testar, melhorar, aplicar e supervisionar continuamente os serviços, então se a equipe está desfalcada, as companhias correm risco de perder valor. Além disso, a pressão por rapidez compromete a qualidade e aumenta os casos de burnout.
Segundo relatório publicado pela ManpowerGroup, o setor de Tecnologia da Informação (80%) é um dos mais afetados pela falta de especialistas no Brasil. O principal motivo é o descompasso entre a evolução acelerada da tecnologia em comparação com a formação de profissionais. Se a tecnologia continuar avançando no ritmo atual, o tempo de desenvolvimento e transformação de jovens em profissionais capacitados seguirá em desvantagem frente às ferramentas inteligentes.
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Para quem busca ingressar no mercado de trabalho, mas ainda não preenche as competências exigidas para os empregos, a situação se agrava ainda mais com o fator do home office. Isso porque o trabalho a distância permitiu que as empresas empreguem pessoas de outros países, acirrando a disputa pelas vagas, o que também afeta as instituições, porque passam a competir em um mercado global pela atenção de especialistas limitados.
Diante da escassez de profissionais, muitas companhias têm recorrido à terceirização como uma alternativa eficiente, especialmente em momentos de alta demanda ou necessidade de especialização. Quando bem estruturado, esse modelo amplia a capacidade de execução e traz agilidade. Segundo a Gartner, mais de 70% das empresas utilizam serviços terceirizados de TI, percentual que segue em crescimento. Esse cenário abre espaço para uma reflexão estratégica sobre como combinar, de forma equilibrada, parceiros externos e competências internas. Assim, enxergo dois caminhos complementares para fortalecer as operações no médio e longo prazo.
Um deles é repensar a forma como os sistemas internos são concebidos e operados, buscando estruturas que funcionem de maneira eficiente mesmo com equipes mais enxutas. Para isso, é preciso alinhar infraestrutura, processos e pessoas, priorizando soluções que respondam diretamente aos desafios centrais do negócio. Quando a tecnologia é construída a partir de problemas bem definidos, etapas desnecessárias são naturalmente eliminadas, o que resulta em operações mais simples, escaláveis e sustentáveis. Dessa forma, o foco deixa de ser volume de entregas e passa a ser qualidade, previsibilidade e redução de risco, com ganhos claros de eficiência.
O outro caminho envolve o investimento contínuo em upskilling e reskilling, com programas de desenvolvimento diretamente conectados às prioridades do negócio, o que inclui treinamentos desenhados a partir dos desafios reais da operação, conteúdos ancorados nas lacunas tecnológicas observadas ao longo do histórico produtivo, mentorias aplicadas ao dia a dia e metas bem definidas, que orientem a evolução técnica e profissional de forma consistente.
Porém, manter o engajamento é desafiador, uma vez que os treinamentos muitas vezes são vistos como obrigatoriedades a serem cumpridas e não uma vantagem competitiva que vai elevar o nível dos profissionais. A Conquer in Company relatou que em 2025 45% das empresas cancelaram de dois a cinco treinamentos por falta de interesse. Nesse cenário, a própria tecnologia pode ser usada para medir resultados individuais, enquanto a liderança maximiza o engajamento apresentando benefícios futuros que o treinamento oferece aos funcionários, como promoções e mais reconhecimento.