Code Signing sob novos prazos de validade: O que muda na confiança do software

A redução reposiciona a gestão de certificados de assinatura de código como tema estratégico de segurança

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Software developers in data center workspace use laptop to calibrate energy usage. Server room IT professionals code on notebook, doing maintenance on equipment mainframes
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A confiança em softwares que utilizamos diariamente é um dos pilares silenciosos do ambiente digital. Aplicações corporativas, sistemas e drivers só circulam em escala porque existem mecanismos técnicos capazes de garantir sua origem e integridade. É nesse contexto que se insere a aprovação do CA/Browser Forum para reduzir o prazo de validade dos Certificados de Assinatura de Código (Code Signing), o que ocasiona um impacto direto para desenvolvedores, fornecedores de tecnologia e organizações que dependem da distribuição segura de software. Para compreender a lógica por trás dessa decisão, vale recorrer a uma analogia simples.

Um certificado de assinatura de código pode ser comparado a um rótulo de procedência aplicado a um produto industrializado. Ele identifica o responsável pela fabricação e assegura que o produto não foi alterado após a saída do local de preparo. Durante muito tempo, esse rótulo teve validade extensa, o que significava que, em caso de falha, comprometimento ou má gestão, o produto poderia continuar aparentando segurança por meses ou anos. Ao reduzir o prazo de validade, o setor exige que essa comprovação seja renovada com mais frequência. Isso não significa que o alimento ficou menos confiável, mas sim que existe mais controle e menos tempo para que um problema passe despercebido. 

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Esse ajuste responde a riscos concretos e crescentes, especialmente em um cenário marcado pela exploração sistemática da cadeia de suprimentos de software. De acordo com dados da Cyble, empresa de inteligência de ameaças cibernéticas e proteção de risco digital, os ataques à cadeia de suprimentos de software mais que dobraram desde o início de 2024, com médias mensais passando de cerca de 13 incidentes para mais de 28 nos últimos meses de 2025. Em outubro, o número chegou a 41 casos em um único mês, um recorde histórico segundo dados de inteligência de ameaças. O contexto torna inviável que o setor não tome medidas preventivas.

É importante compreender que a redução do ciclo de vida dos certificados diminui a janela de exposição a ataques. Certificados de longa duração, quando comprometidos, oferecem aos agentes mal-intencionados uma credencial legítima por tempo suficiente para distribuir códigos maliciosos, inserir alterações indevidas em aplicações ou explorar relações de confiança entre fornecedores e clientes. Ao encurtar esse prazo, o setor limita a propagação de abusos.

 

Impactos

A partir de 1º de março de 2026, os certificados Code Signing deixarão de ter validade de até 39 meses e passarão a vigorar por, no máximo, 460 dias, exigindo das empresas uma postura mais ativa e estratégica. Certificados expirados ou mal gerenciados poderão gerar impactos negativos relevantes. Atualizações legítimas poderão ser bloqueadas, aplicações deixarão de ser reconhecidas como confiáveis e alertas de segurança passarão a interferir diretamente na experiência do usuário. Em ambientes corporativos, isso se traduzirá em interrupções operacionais, aumento da demanda por suporte técnico e desgaste da credibilidade da marca junto a clientes e parceiros.

Diferentemente dos certificados SSL/TLS, que contam com ferramentas para gestão e revalidação automáticas, os certificados Code Signing, na maioria dos casos, são gerados e armazenados diretamente em um token USB criptográfico, onde a chave privada permanece isolada. Por conta disso, o processo de renovação não pode ser totalmente automatizado, já que depende do acesso físico ao dispositivo e da execução manual das etapas de revalidação e reinstalação do certificado. 

Com a redução do prazo de validade, desenvolvedores e equipes de software precisarão adotar uma abordagem mais estruturada, baseada em gestão de ciclo de vida, com controle rigoroso de vencimentos, alertas antecipados e processos internos bem definidos. Uma alternativa é a combinação de ferramentas de monitoramento e governança de certificados com fluxos operacionais claros, que possam viabilizar a renovação sem comprometer a segurança ou a continuidade das entregas. Manter inventários precisos e integrar a segurança aos fluxos de desenvolvimento deixam de ser diferenciais competitivos e passam a ser requisitos básicos para a continuidade do negócio. 

A redução do prazo de validade dos certificados Code Signing reforça a evolução do setor em direção a modelos de confiança mais dinâmicos e rigorosos. Empresas que ajustarem seus processos a essa nova realidade ganharão previsibilidade e eficiência. As que optarem por adiar essa adaptação estarão, na prática, normalizando riscos que comprometem a confiabilidade dos softwares, aumentando a probabilidade de falhas em atualizações e interrupções no ciclo de distribuição.

Sobre o Autor

Luiza Dias é presidente da GlobalSign Brasil. Possui 18 anos de carreira, 8 deles dedicados à GlobalSign,é a única mulher latino-americana a ocupar esta posição em uma Autoridade Certificadora de Raiz Internacional. Na GlobalSign, ocupou os cargos de Vendedora, Gerente de Vendas Latam, e em 2021, se tornou Presidente da empresa no Brasil. À frente da primeira Autoridade Certificadora de Raiz Internacional a se instalar fisicamente no país, Luiza se tornou uma importante referência feminina do mercado em toda América Latina.

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