Do solo ao algoritmo: o agro movido a chips

A falta de infraestrutura trava a agricultura digital e a solução pode estar na borda

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Imagem: Shutterstock
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Acredito que seja de conhecimento de todos o quanto o agronegócio é importante e um dos pilares da economia brasileira. Ele representa quase 30% do PIB, responde por 49% das exportações e gera mais de 28 milhões de empregos. O que nem sempre se percebe é que, para manter essa relevância e ganhar competitividade global, o setor precisa evoluir rapidamente.

Sensores no solo, drones no céu, algoritmos na lavoura: a tecnologia já chegou ao campo e está transformando a forma como produzimos, monitoramos e decidimos. Mas, para que esse potencial se converta em produtividade real, é necessário mais do que ferramentas digitais, é preciso infraestrutura capaz de acompanhar o ritmo da inovação.

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O agro tem tecnologia. O que falta é estrutura para usá-la bem.

Hoje, produtores já coletam dados de solo, clima, produtividade e imagens aéreas. Porém, sem conectividade estável e processamento local, essas informações não geram decisões rápidas. É como ter um carro de Fórmula 1 tentando andar em estrada de terra ou não ter estrada: a capacidade existe, mas o caminho não acompanha.

Segundo especialistas presentes no AGROtic 2025, o Brasil ainda opera em um “agro 3.0”, com tecnologias disponíveis, mas sem integração plena. A latência e a dependência de servidores distantes travam o avanço da agricultura digital.

Além disso, apesar do avanço nas tecnologias no campo, a conectividade segue sendo um gargalo. Segundo levantamento da ConectarAgro e dados da Anatel, apenas 33,9% das áreas rurais brasileiras possuem cobertura 4G ou 5G e, no caso do 5G, menos de 10%. A internet via satélite surge como alternativa, já com mais de 500 mil assinantes no Brasil, e estima-se que a combinação dessas tecnologias pode elevar a cobertura para cerca de 50% das áreas agrícolas.

Por que não dá para levar um data center tradicional para o campo?

Data centers convencionais exigem energia estável, climatização contínua e grandes volumes de água para resfriamento. Segundo a IEA, um data center de 100 MW pode consumir cerca de 2 milhões de litros de água por dia. Mesmo que fosse tecnicamente possível instalar um desses no campo, o custo e a manutenção seriam inviáveis.

Leia mais: Segurança integrada: quando colaboração é o ativo mais estratégico

Foi pensando nesse desafio que a cloudvBOX, empresa brasileira com cinco anos de pesquisa em infraestrutura crítica, desenvolveu o vBOX Edge em parceria com a Intel. A solução é um micro data center modular, compacto e Plug & Play, projetado para operar diretamente no campo, com instalação rápida, gestão simplificada e sem depender de grandes estruturas físicas.

O sistema suporta workloads de IA, Big Data e automação. Ao processar dados localmente, reduz a latência e permite decisões em tempo real mesmo em áreas com conectividade limitada.

Sustentabilidade também entra na conta

O vBOX Edge utiliza a tecnologia de resfriamento híbrido envAdapt, desenvolvida e patenteada pela empresa, que reduz em até 95% os custos com energia e em até 48% o consumo total.

Sem depender de água e com possibilidade de integração a fontes renováveis, a solução contribui para diminuir a pegada ambiental da infraestrutura digital no agro, o que é fundamental em tempos de mudanças climáticas severas.

Chips no campo, decisões no tempo certo

Levar poder computacional para dentro da fazenda não é só uma evolução técnica, é o que permite ao Brasil avançar para um modelo de produção mais inteligente, autônomo e competitivo. Com decisões mais rápidas, menor impacto ambiental e maior eficiência, o agro digital começa a ganhar forma onde mais importa: no campo.

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Sobre o Autor

Fabiano Sabatini é gerente técnico e especialista em IoT da Intel Brasil.

Com experiência em engenharia eletrônica e TI, Sabatini é um dos responsáveis por identificar oportunidades e desenvolver soluções de AIoT utilizando as últimas tecnologias da Intel.

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