Três ações cruciais para impulsionar a IA generativa em 2024

Aprimorar buscas, converter ML e adaptar dados são chaves para o avanço sustentável da IA generativa nas empresas

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Imagem: Shutterstock
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Em 2023, vimos como a IA generativa e outros investimentos em Large Language Model e Machine Learning começaram a moldar as estratégias de transformação digital. O foco das organizações era claramente direcionado para a exploração e integração da inteligência artificial (IA) generativa em suas operações e estratégias.

Para incorporar a IA generativa, muitas organizações tomaram três ações durante o ano que passou. Primeiramente, houve aumento significativo na experimentação com ferramentas como o ChatGPT, copilots de IA e outras tecnologias inovadoras. Essa tendência sinalizou um movimento das empresas em direção à adoção prática da IA conversacional e assistentes inteligentes, explorando o potencial dessas ferramentas para melhorar a eficiência, a inovação e a interação do usuário.

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Uma segunda ação foi a avaliação aprofundada dos grandes modelos de linguagem (LLM), embeddings e bancos de dados vetoriais. Tal ação destacou o interesse crescente das organizações em entender e utilizar a complexidade e o poder desses modelos avançados. Ao avaliar essas tecnologias, as empresas buscaram aprimorar suas capacidades de processamento de dados, compreensão de linguagem natural e geração de insights.

Por fim, a terceira ação significou a priorização da definição de diretrizes para uso e adoção da IA generativa. As organizações estavam e continuam ativamente envolvidas na criação de frameworks para orientar o uso ético e eficiente da IA generativa, enquanto avaliam os riscos associados e interpretam as novas regulamentações. Esse esforço reflete uma consciência crescente sobre a importância de abordar as implicações legais, éticas e operacionais da IA no ambiente empresarial.

À medida que 2024 se descortina, novos desafios vão se agregando a esse cenário, para que a IA generativa se consolide. Destacaria três desses desafios:

  1. Melhoria nas capacidades de busca e gestão de dados desestruturados: Empresas enfrentam desafios contínuos para aprimorar a experiência de busca para clientes e funcionários. A maior parte das organizações está trabalhando para melhorar estas capacidades em seus portais, ferramentas CRM, sites de e-commerce e comunidades online, mas enfrentam desafios técnicos significativos, como integração, volume e limpeza de dados, e gerenciamento de dados desestruturados. Superar esses desafios é fundamental para aproveitar as capacidades de IA generativa, como consultas em linguagem natural.
  2. Conversão de modelos de Machine Learning em produção: De acordo com o “2023 State of Data Science and Machine Learning Report” de 2023, 45% das organizações veem menos de 25% dos seus modelos alcançarem a fase de produção. Isso representa um risco para a credibilidade dos CIOs, pois há uma necessidade premente de melhorar a taxa de conversão de projetos piloto para aplicações práticas. Caso contrário, pode haver uma perda de confiança por parte da alta administração, board e investidores.
  3. Adaptação dos Ambientes de Dados para a IA Generativa: de acordo com o relatório “CDO Agenda: 2024: Navigating Data and Generative AI Frontiers”, mais da metade das organizações ainda não adaptou seus ambientes de dados para suportar a IA generativa. A qualidade dos dados surge como o principal desafio, exigindo uma expansão dos programas de operações de dados e governança para incluir fontes de dados desestruturados e definir sua aplicação em experimentos com Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs).

O ano de 2023 foi, sem dúvida, um período de exploração intensiva e integração da IA generativa, marcando um ponto de virada na forma como as empresas operam e inovam. As ações tomadas pelas organizações no ano passado – desde a experimentação com ferramentas avançadas como o ChatGPT até a avaliação criteriosa de grandes modelos de linguagem e a definição de diretrizes éticas e eficientes para a adoção da IA generativa – demonstram um compromisso claro com o avanço tecnológico responsável e inovador.

Esses esforços não apenas aprimoraram a eficiência e a capacidade de geração de insights das empresas, mas também pavimentaram o caminho para enfrentar novos desafios e oportunidades em 2024. A melhoria nas capacidades de busca e gestão de dados desestruturados, a conversão efetiva de modelos de machine learning em produção e a adaptação dos ambientes de dados para a IA generativa são áreas que continuarão a exigir foco, investimento e liderança estratégica.

As lições aprendidas em 2023 e os desafios identificados para 2024 são um testemunho da jornada contínua e evolutiva da transformação digital. As organizações que continuarem a abraçar estas inovações, adaptando-se e aprendendo com os desafios, estarão melhor posicionadas para liderar em um mundo cada vez mais orientado por dados e IA. Com a abordagem correta, a IA generativa não será apenas uma ferramenta de negócios, mas um motor fundamental para o crescimento, a inovação e a competitividade sustentável no futuro.

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Sobre o Autor

Fábio Correa Xavier é Diretor do Departamento de Tecnologia da Informação (CIO) do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, onde lidera projetos de inovação, transformação digital e cibersegurança. É também Professor e Coordenador de Graduação e Pós-Graduação em diversas instituições de ensino, além de Colunista do MIT Technology Review, onde escreve sobre temas relacionados à tecnologia e sociedade. Possui formação acadêmica sólida, com Mestrado em Ciência da Computação pela USP, MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC/RJ, Especialização Network Engineering pela JICA-Japão, Pós-graduação em Lei Geral de Proteção de Dados, Direito Público, Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal e Projetos de Redes. Possui ainda certificações internacionais em privacidade e proteção de dados, como IAPP CIPM e CDPO/BR, EXIN Privacy and Data Protection e (ISC)² CC.

Com mais de 30 anos de experiência na área de tecnologia e segurança da informação, atuou em empresas de grande porte, do setor público e privado, sendo reconhecido por diversos prêmios e homenagens, como o Prêmio de Inovação Judiciário Exponencial, o Ranking 100 Empresas + Inovadoras no Uso de TI, o Prêmio Empresa +Digital, o Prêmio Security Leaders Case do Ano, entre outros. Além da sua atuação profissional e acadêmica, dedica-se a trabalhos voluntários como Secretário Executivo do Comitê Gestor de Tecnologia, Governança e Segurança da Informação dos Instituto Rui Barbosa – IRB e Membro do Conselho de Administração do Instituto do Câncer Dr. Arnaldo.

É autor dos livros “LGPD no setor público: boas práticas para os municípios brasileiros”, “LGPD no setor público: Boas práticas para a jornada de adequação”, “Roteadores Cisco: guia básico de configuração e operação”, “Tecnologias, Inovação e outros assuntos em análise” e “Cartilha de Governança em Proteção de Dados para Municípios”. Também é autor de capítulos em livros sobre a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e os Tribunais de Contas Brasileiros.

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