À espera de Al Gore

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À espera de Al Gore

Eu me lembro muito bem
do primeiro fórum que fizemos para CEOs. Os principais jornais do
País noticiavam: “A IT Mídia anuncia a vinda de Al Gore,
vice-presidente norte-americano durante o governo de Bill Clinton e
candidato democrata às últimas eleições presidenciais, como
principal palestrante do Business Forum”.

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Um ano após a derrota
para Bush, Al Gore havia tomado a decisão de se afastar por um tempo
da mídia, mas conseguimos convencê-lo de ser nosso keynote speaker.
E na manhã de 25 de outubro de 2001, uma quinta-feira, as balsas
carregadas de presidentes e executivos-chefes das maiores empresas do
Brasil começavam a se aproximar da Ilha de Comandatuba, na Bahia.

 

Do pier, eu aguardava
os convidados para recepcioná-los um a um, exatamente como viria a
fazer em praticamente todos os fóruns que realizamos no Hotel
Transamérica, por mais de uma década. À beira do deck, eu teria
desejado que todo o sentimento contido naqueles instantes se
resumisse à expectativa eletrizante de entregar um grande evento.
Gostaria de ter olhado para os convidados e lançado um sorriso de
quem possui o controle da situação. Mas o fato é que eu não
tinha. Ninguém tinha.

 

Quem teria contado com
os atentados de 11 de setembro de 2001 às torres gêmeas, semanas
antes do Business Forum? A poucas horas do início da palestra do
grande nome do evento, ainda não havia certeza de que ele
estaria em alguma daquelas balsas, embora tivesse se comprometido a
manter a agenda. Eu pensava em como daria a má notícia aos
convidados, na tensão que tomaria o meu time e no impacto que tal
infelicidade traria à imagem da IT Mídia.

 

Enquanto isso, o Miguel
Petrilli, meu sócio, aguardava na pista do aeroporto de Cumbica, em São Paulo,
junto ao jato executivo que faria o transporte de Al Gore até
Comandatuba, sem saber se ele iria mesmo aparecer. O nome de Al Gore
não estava confirmado em nenhuma lista.

 

E então meu telefone
tocou. Era o Miguel. “Estou com ele aqui, a gente está
embarcando no avião para a Bahia” ouvi do outro lado. Senti
alívio, mas ainda não o bastante. As últimas cargas de tensão
escorreram junto com o suor somente quando a aeronave pousou na ilha.
Tudo saiu como o esperado.

 

Talvez eu já
imaginasse viver momentos de incerteza e tensão nesse negócio. Mas
em todas as vezes que voltei àquele pier, pronto para um novo fórum
e à espera de um Al Gore diferente, ficou gravada em mim e na
história da IT Mídia uma alegria vigorosa e infindável.

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