A era digital é diferente? Saiba o porquê

As empresas vem se adaptando ao ciclo competitivo de negócios para se manterem relevantes

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geração de valor
geração de valor — Foto: Shutterstock

A ideia de ciclos competitivos de negócios é que, de tempos em tempos, os fatores que criam e sustentam a vantagem competitiva das organizações se alteram, e adaptar-se a novas regras competitivas torna-se um imperativo para manter o protagonismo e a relevância no mundo dos negócios.

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Figura 1.1 – Transformação digital

Fonte: Guilherme Pereira (2018)

O segredo de empresas centenárias, como a IBM, foi reinventar-se e adaptar- se rapidamente às novas regras competitivas do mercado. Podemos observar que cada ciclo competitivo tem suas características, que determinam os movimentos das indústrias e da concorrência.

 

Figura 1.2 – Características do ciclo competitivo Fonte: FIAP (2018)

1.1.    1900 a 1960: era da manufatura

A produção em massa determinava o seu sucesso industrial. Tudo o que você precisava era ter uma fábrica e produzir algo, o mercado comprador estava garantido. No pós-revolução industrial existia uma quantidade enorme de pessoas ávidas por consumir bens e, com as técnicas de linha de produção, era possível disponibilizar produtos ao mercado consumidor e baratear o valor de bens, tornando- os mais acessíveis. As empresas protagonistas desse período foram: Ford Motors (automóveis), RCA (televisão a cores) e General Electric (lâmpadas e tostadeiras).

1.2    1960 a 1990: era da distribuição

Nesse período, a globalização consolidou-se como uma força dominante e as barreiras comerciais entre os países foram reduzidas, possibilitando o intercâmbio  de mercadorias e um ambiente competitivo global. Os países não eram mais mercados isolados, o mundo tornou-se um mercado comum a todos. Não havia mais dificuldade de produzir um produto pela metade do custo na Ásia e vendê-lo nos Estados Unidos ou na Europa. Adicione a esse contexto o surgimento dos subúrbios nos países desenvolvidos, locais mais distantes dos centros urbanos, compostos por uma forte classe média.

Nesse ambiente empresarial, a principal vantagem competitiva era tão sólida quanto a sua rede de distribuição, ou seja, aquele que conseguisse comprar, ao menor custo, produtos onde eles eram produzidos e disponibilizá-los nas lojas onde os consumidores estavam seria o grande campeão. Diferentemente da era anterior, passou a existir diversos produtos semelhantes nas gôndolas e foi necessário diferenciar-se e chamar a atenção do público, o que fez desse período a era de ouro da propaganda. As principais empresas que souberam acompanhar esse ciclo foram Procter & Gamble, Toyota, Walmart e ExxonMobil.

1.3 1990 a 2010: era da informação

O microprocessador, a rede de computadores, a fibra óptica e o computador pessoal proporcionaram uma grande revolução no tráfego e na geração de informações. Nesse contexto, a gestão da tecnologia da informação estava  no centro das atenções das organizações e aqueles negócios que eram centrados na gestão de troca de informações, como telecomunicações, empresas de software e provedores de serviços financeiros, despontaram como as empresas líderes dessa época.

A vantagem competitiva estava clara: aquele que melhor conseguisse gerenciar o fluxo de informações estaria à frente dos seus competidores. Até mesmo empresas que fabricavam ou comercializavam produtos físicos precisavam competir na era da informação: os computadores gerenciavam o fluxo de caixa da empresa, a máquina fazia a impressão das notas fiscais, o sistema de ERP gerenciava o estoque e o serviço de atendimento ao cliente. As principais empresas são HSBC, Google e Amazon.

1.4    2010 em diante é a era digital

Ao longo dessas eras, todos os investimentos feitos em infraestrutura foram comoditizados. Agora é possível contratar a fabricação de produtos a indústrias chinesas com razoável grau de segurança e acessar sofisticada cadeia de suprimentos disponível e acessível à grande maioria das organizações. A grande revolução da computação em nuvem democratizou o acesso a tecnologias antes restritas a grandes corporações. Agora, qualquer startup pode utilizar os mesmos softwares e servidores a preços extremamente acessíveis e customizáveis para a sua demanda.

A manufatura, a distribuição e a tecnologia da informação não são mais elementos que sustentam uma real vantagem competitiva. A única fonte que garante a sobrevivência na era da disrupção digital é a criação de novas fontes de valor para o cliente, incorporando as novas tecnologias digitais. Diferentemente do período anterior, o foco da tecnologia deve estar a serviço de empoderar o cliente, e não mais as organizações, ou seja, as empresas devem se reestruturar para colocar o cliente no centro de suas estratégias, operações, orçamentos e estruturas.

Nesse contexto as grandes estrelas são: Amazon, Uber, Airbnb, Apple etc. As chamadas empresas “customer centric”, ou seja, aquelas que colocam o cliente no centro do seu universo e redefinem suas tecnologias, sistemas e processos, para que se adeque e lidere essa nova realidade.

Sobre o Autor

Holds a MBA at IESE Business School and academic extension degree at Harvard University. Previously worked with marketing and strategy consulting and now works as Consulting Development Director at Forrester, helping technology management and business leaders build Business Technology Agenda as well

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