A brecha digital cresce!

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A brecha digital cresce!
A brecha digital cresce!

Durante o recente WCIT – World Congress on IT (Congresso Mundial de TI) realizado em Guadalajara, México, o WEF – World Economic Forum (Fórum Econômico Mundial) revelou uma análise da evolução do ambiente digital, publicada anualmente no seu “Network Readiness Index”, que apresenta dados preocupantes: a distância que separa as economias ‘avançadas’ das emergentes e/ou em desenvolvimento voltou a crescer!

Usando uma escala de 0 a 10 para avaliar os dados de 148 países (na última edição), as notas efetivas variam de 2.22 (Chade) até 6.04 (Finlândia). O país latino-americano mais bem colocado é o Chile (na posição #35, com nota 4.61). O Brasil ocupa a posição #69, com nota 3.98 muito semelhante à da Colômbia e do México.

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Essas notas gerais são obtidas como média ponderada de um grande número de indicadores. Na análise apresentada, eles foram agrupados em dez ‘pilares’: a utilização da tecnologia pelos governos (1), pelas empresas (2) e pelos indivíduos (3), a evolução das habilidades digitais destes (4), a capacidade econômica de compra da tecnologia digital (5), o desenvolvimento da infraestrutura e conteúdos digitais (6), os impactos econômicos (7) e sociais (8) da adoção da tecnologia digital, o ambiente político e regulatório (9) e o ambiente de negócios e inovação (10).

Comparando os indicadores para cada um destes pilares entre países avançados e os demais, observa-se que os itens (1) e (5) são os que apresentam a menor distância: a maioria dos países desenvolveu iniciativas para diminuir o custo de adoção da tecnologia e seu uso pelos próprios governos.

No outro extremo, os itens (3), (6) e (7) são os que apresentam as maiores diferenças: são estes os pilares que trazem benefícios para a grande maioria dos cidadãos e empresas de cada país.

Não se trata de dados de momento: uma análise da evolução das notas por estes pilares entre 2012 e 2014 revela que (1) e (5) foram os campeões de progresso nos países menos favorecidos, enquanto o uso pelos indivíduos (3) e sua qualificação digital (4) os países avançados estão progredindo muito mais rapidamente que os demais.

Uma avaliação dessa evolução específica para os BRICs revela que de 2012 a 2014 eles permaneceram praticamente estacionados em todos os pilares, exceto por um pequeno progresso no uso pelos indivíduos (3) e os governos (1).

Faz-se necessário, portanto, que este alerta circule de forma mais ampla, para sacudir os formuladores de políticas públicas dos países emergentes e em desenvolvimento: está na hora de mudar o foco para novos pilares, sob pena de perder o trem da ‘revolução digital’ – assim como ocorreu 150 anos atrás com a ‘revolução digital’.

Nenhum líder político ou técnico em políticas públicas se atreveria a vir a público dizer que esse é o objetivo para seu país. Mas para evitar que isto se concretize, é necessário repensar as políticas públicas digitais, colocando o foco nos benefícios concretos para os cidadãos e as empresas.

Esperamos que este alerta permita que até o Congresso Mundial de TI de 2016, programado para acontecer em outubro desse ano em Brasília (DF), o crescimento desta brecha digital entre países avançados e os demais possa ao menos perder velocidade.

Sobre o Autor

Tive uma carreira muito rica e variada, atuando profissionalmente e voluntariamente em diversos cargos: depois de estudante, fui funcionário de grandes multinacionais, fui professor e professor em diversos cursos particulares e públicos. Fui e ainda atuo como consultor, sempre fui um empreendedor (administrando empresas há décadas) e venho contribuindo há mais de três décadas de forma voluntária para uma variedade de atividades relacionadas a TI e organizações sociais, permitindo-me aprender muito sobre políticas públicas e culturas em mais de 50 países. Também sou autor de vários livros, em diversas áreas (incluindo TI, sociologia e espiritualidade).

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