Um ponto essencial a ser compreendido é que a tecnologia dá saltos evolutivos cada vez mais rápidos
Tem sido uma experiência fascinante observar a evolução da inteligência artificial (IA) nos últimos anos, especialmente agora que ela se tornou popular entre o público em geral e pode ser usada e testada por todos. Como consequência, surgem diariamente novas experiências, expectativas e dúvidas que extrapolam o meio especializado. Embora isso seja extremamente positivo para a popularização da tecnologia, a falta de informação técnica e específica pode gerar equívocos sobre os desafios enfrentados, e vencidos, pelo avanço da IA.
Um relatório recente da McKinsey revelou que 88% das organizações entrevistadas fazem uso regular de IA em pelo menos uma função de negócios, número que era de 78% em 2024. Ainda assim, quase dois terços afirmam que suas empresas não começaram a implementar IA em larga escala. Esses dados mostram uma tendência crescente de adoção, embora a maioria das iniciativas ainda esteja em fases de experimentação e projetos-piloto. Eles também revelam duas realidades complementares: o interesse crescente na tecnologia, impulsionado pelos bons resultados iniciais, e as dúvidas persistentes sobre seu funcionamento e sobre o caminho que seguirá. Por isso, é papel de quem atua nesse campo esclarecer o público sobre como a IA funciona hoje e o que se pode esperar das próximas gerações, sobretudo como os desafios atuais tendem a ser superados com o avanço tecnológico.
Um ponto essencial a ser compreendido é que a tecnologia dá saltos evolutivos cada vez mais rápidos. Esses avanços não se limitam à ampliação da capacidade de processamento. Cada vez mais, equipamentos e softwares são projetados para serem, acima de tudo, mais eficientes, considerando impacto ambiental, consumo energético e custos de produção. Esse cenário coloca em perspectiva os desafios envolvendo o consumo de energia e de água, frequentemente destacados quando se fala em data centers dedicados à IA. Na prática, trata-se de uma questão que vem sendo endereçada continuamente, com soluções cada vez mais eficazes já em operação.
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Outro conceito fundamental é o dos tokens, gerados e manipulados pelas GPUs. Eles são pequenas unidades de dados resultantes da fragmentação de informações maiores. Basicamente, todo sistema de IA trabalha com tokens, pois os modelos os processam para aprender as relações entre eles, o que lhes permite, por exemplo, prever a próxima palavra e imitar o raciocínio humano. A velocidade de processamento é crucial: quanto mais rapidamente os tokens são processados, mais rápido a IA aprende e responde.
Vale destacar que os modelos de IA passam por um pré-treinamento, no qual aprendem padrões gerais de linguagem e informação antes de serem ajustados para tarefas específicas. Isso permite que organizações que desenvolvem suas próprias soluções não precisem começar do zero, aproveitando conexões já estabelecidas entre tokens. O resultado é economia de processamento e, consequentemente, menor consumo energético. O pré-treinamento das IAs evolui constantemente, o que sinaliza um futuro de menor demanda computacional a cada nova geração. É como deixar de gastar energia inventando a ferramenta para, então, construir a máquina. A ferramenta já existe.
Além disso, surge uma nova classe de data centers dedicados à criação de IA: as chamadas fábricas de IA. Essas estruturas são compostas por equipamentos especializados na geração de modelos, demonstrando que há um direcionamento claro para desenvolver infraestruturas mais otimizadas e eficientes para essa finalidade. Essa evolução mostra como a indústria está aprendendo a fazer mais com menos: menos esforço de treinamento, menor demanda de processamento para tarefas básicas e menor consumo energético. Em contrapartida, há ganhos em eficiência, velocidade e amplitude de aplicação. Equipamentos mais especializados permitem melhor aproveitamento do processamento disponível.
Hoje, os data centers especializados são projetados com soluções de ponta, utilizando sistemas de resfriamento econômicos que reduzem o consumo de água e priorizando o uso de fontes renováveis de energia. Por um lado, avançamos nos equipamentos e nos modelos; por outro, alinhamos essa evolução às necessidades do mundo físico. Ainda não vivemos um cenário perfeito, mas seguimos em uma trajetória sólida e bem planejada, rumo a uma evolução grandiosa, na qual abandonaremos as fases de teste e incerteza, avançando com entusiasmo e clareza para as novas gerações de IA.
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