Impulsionando a excelência: como a IA generativa pode revolucionar o setor público

Saiba como a IA Generativa pode redefinir a administração pública, preparando o terreno para um futuro mais inteligente e interativo.

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A transformação digital é um processo fundamental para as organizações, tanto do setor público quanto do privado. Isso envolve a incorporação de tecnologias avançadas, como inteligência artificial, para melhorar as operações e alcançar objetivos estratégicos.

Nesse contexto, a IA generativa, incluindo modelos de linguagem com o ChatGPT, é uma das tecnologias que está (ou deveria estar) impulsionando a transformação digital nas organizações, considerando o seu grande potencial disruptivo e inovador para diversos setores da economia e da sociedade, incluindo o setor público.

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Mas como a IA Generativa pode afetar as prioridades de transformação digital do setor público? Para responder a essa pergunta, vou apresentar quatro possibilidades de aplicação que podem gerar um grande impacto positivo para a sociedade.

1. Melhorar a experiência do cidadão: A IA generativa pode ser usada para criar interfaces conversacionais mais naturais e personalizadas para os serviços públicos digitais, como chatbots, assistentes virtuais e aplicativos. Essas interfaces podem facilitar o acesso à informação, o atendimento e a resolução de demandas dos cidadãos, aumentando a satisfação e a confiança no setor público.

2. Aumentar a produtividade e a eficiência: A IA generativa pode ajudar os servidores públicos a realizarem tarefas repetitivas, burocráticas ou criativas com mais rapidez e qualidade, como preencher formulários, redigir documentos, gerar relatórios, criar conteúdo educacional ou de comunicação, entre outras. Isso pode liberar tempo e recursos para atividades mais estratégicas e complexas, melhorando o desempenho e os resultados do setor público.

3. Fomentar a inovação e a solução de problemas: A IA generativa pode ser uma ferramenta poderosa para estimular a criatividade e a geração de ideias para enfrentar os desafios públicos. A IA generativa pode oferecer sugestões, alternativas e cenários para diferentes situações, como planejamento urbano, saúde pública, segurança nacional, desenvolvimento social, entre outras. Além disso, a IA generativa pode facilitar a colaboração e a cocriação entre servidores públicos, cidadãos, pesquisadores e outros atores sociais.

4. Ampliar a transparência e a participação: A IA generativa pode contribuir para tornar o setor público mais aberto e responsivo aos cidadãos por meio da divulgação de dados e informações públicas em formatos mais acessíveis e compreensíveis, como gráficos, mapas, infográficos ou narrativas. Além disso, a IA generativa pode incentivar a participação cidadã na gestão pública, por meio da criação de plataformas interativas que permitam aos cidadãos expressarem suas opiniões, preferências e demandas, bem como receber feedbacks personalizados do setor público.

Mas há também ameaças que devem ser mitigadas. A IA generativa também pode representar uma fonte de riscos e ameaças para o setor público, se não for usada de forma ética, responsável e segura. Não se pode desconsiderar a possibilidade de que seja usada para criar conteúdo falso ou enganoso, como notícias falsas, deepfakes ou phishing, que podem afetar a reputação, a credibilidade e a segurança do setor público. Além disso, a IA generativa pode ser usada para manipular ou influenciar o comportamento ou as decisões dos cidadãos ou dos servidores públicos, comprometendo os valores democráticos e os direitos humanos.

Diante dessas possibilidades e desafios da IA generativa para o setor público, é fundamental que os gestores públicos estejam atentos às tendências e às melhores práticas dessa tecnologia emergente. Alguns passos importantes que devem ser tomados pelos gestores seriam: (i) acompanhar as pesquisas e as experiências sobre IA generativa; (ii) capacitar os servidores públicos para entender e usar a IA generativa, aumentando a destreza digital desses servidores; (iii) definir políticas e normas para regular e orientar o uso da IA generativa no âmbito das instituições; (iv) estabelecer parcerias e alianças com outros setores e organizações para compartilhar conhecimentos e recursos sobre IA generativa; e (v) envolver os cidadãos e a sociedade civil na discussão e na avaliação dos impactos da IA generativa.

A IA generativa é uma realidade que pode transformar radicalmente o setor público, para o bem ou para o mal. É importante priorizar iniciativas que irão gerar maior impacto positivo e que melhorem a eficiência, otimizando processos excessivamente burocráticos. Cabe aos gestores públicos aproveitarem as oportunidades e mitigar os riscos dessa tecnologia, visando ao interesse público e ao bem comum.

Sobre o Autor

Fábio Correa Xavier é Diretor do Departamento de Tecnologia da Informação (CIO) do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, onde lidera projetos de inovação, transformação digital e cibersegurança. É também Professor e Coordenador de Graduação e Pós-Graduação em diversas instituições de ensino, além de Colunista do MIT Technology Review, onde escreve sobre temas relacionados à tecnologia e sociedade. Possui formação acadêmica sólida, com Mestrado em Ciência da Computação pela USP, MBA em Gestão de Negócios pelo IBMEC/RJ, Especialização Network Engineering pela JICA-Japão, Pós-graduação em Lei Geral de Proteção de Dados, Direito Público, Gestão Pública e Responsabilidade Fiscal e Projetos de Redes. Possui ainda certificações internacionais em privacidade e proteção de dados, como IAPP CIPM e CDPO/BR, EXIN Privacy and Data Protection e (ISC)² CC.

Com mais de 30 anos de experiência na área de tecnologia e segurança da informação, atuou em empresas de grande porte, do setor público e privado, sendo reconhecido por diversos prêmios e homenagens, como o Prêmio de Inovação Judiciário Exponencial, o Ranking 100 Empresas + Inovadoras no Uso de TI, o Prêmio Empresa +Digital, o Prêmio Security Leaders Case do Ano, entre outros. Além da sua atuação profissional e acadêmica, dedica-se a trabalhos voluntários como Secretário Executivo do Comitê Gestor de Tecnologia, Governança e Segurança da Informação dos Instituto Rui Barbosa – IRB e Membro do Conselho de Administração do Instituto do Câncer Dr. Arnaldo.

É autor dos livros “LGPD no setor público: boas práticas para os municípios brasileiros”, “LGPD no setor público: Boas práticas para a jornada de adequação”, “Roteadores Cisco: guia básico de configuração e operação”, “Tecnologias, Inovação e outros assuntos em análise” e “Cartilha de Governança em Proteção de Dados para Municípios”. Também é autor de capítulos em livros sobre a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e os Tribunais de Contas Brasileiros.

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