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Estive há mais de 5 anos em Taiwan, que para muitos é considerado China. Será? As
informações que vou passar neste texto são as minhas mais legítimas percepções
de quem esteve lá. Pode ser que haja alguma imprecisão, mas não estou
preocupado com isso. Se algo me pareceu de certa forma, é isso que vou relatar.
Quem puder fazer algum comentário aperfeiçoando minhas informações, ou mesmo
corrigindo, será muito bem-vindo!

Hong Kong
Desembarquei em HongKong, uma das portas de entrada da China. Mas seria China mesmo?? Hong Kong
foi administrado pelos Ingleses entre 1841 e 1997. Passou a ser um protetorado britânico, semelhante
como Macau foi também dos portugueses. A Guerra do Ópio no século XIX foi a
origem disso tudo e assim Hong Kong tornou-se parte do império britânico. Em
1997 ocorreu a cerimônia do “Handsover”, ou seja, a troca de mãos e pela última
vez foi hasteada a bandeira britânica. Já se vão 18 anos. Mas o que um
visitante como eu vê ainda é algo diferente.


Vista de Hong Kong a partir de um
mirante de 550 metros em Victoria Peak
Falando em negociação e comércio, como é o dinheiro na China? Sua moeda é chamada de Yuan, cuja abreviação é CHY. Enquanto estive lá um dólar comprava 6.3 yuans e um real comprava 1.25 yuans. Com a desvalorização recente e continuada do real frente ao dólar essa proporção está se alterando. Os preços dos bens e mercadorias estavam em setembro de 2015 relativamente parecidos com os valores do Brasil. Se o nosso bom e velho real recuperar parte de seu poder de compra, posso dizer que os preços chineses serão bem interessantes.
Entrando na China “China” – Shenzhen
E o mais interessante é que para sair de Hong Kong e entrar em Shenzhen, a
província e cidade mais próxima, aliás cidade muito desenvolvida (conhecida
como o Vale do Silício Chinês), é necessário fazer uma muito rigorosa
imigração, fiscalização, carros revistados, bagagens revistadas (por
amostragem). Meu grupo foi pego neste pente fino e demoramos um tempão para
entrar em Shenzhen.
Ao entrar em Shenzhen vindo de Hong Kong a primeira grande diferença é que os
carros andam do lado direito da rua (como no Brasil, EUA, etc.). Além disso
enquanto em Hong Kong havia várias placas em inglês e com caracteres
ocidentais, na “China Shenzhen” as placas estão quase que na sua totalidade
escritas em ideogramas, ou seja, tornei-me instantaneamente em um analfabeto
completo e absoluto.
Ainda vale destacar, muitos carros que trafegam habitualmente entre as duas
províncias têm duas placas, uma de Hong Kong e outra da “China”. E para meu
total espanto, passar da província de Shenzhen para Hong Kong pode ser feito
apenas nos pontos de controle e “imigração” como contei.
E PASMEM, existe um MURO, análogo ao extinto Muro de Berlim cercando toda a longa
fronteira. Se não acredita, veja a foto abaixo.
Falando em Google, meu grupo recebeu um chip de celular Chinês quando chegamos na
cidade para podermos nos comunicar. SIM Whatsapp funciona maravilhosamente bem
por lá. Mas a população local prefere o programa WECHAT.
Logo de cara percebi que nem todos os sites abriam. Por exemplo:
A justificativa “oficiosa” para isso é a seguinte. A China é um país que
experimentou nos últimos anos um incrível crescimento econômico e por
decorrência uma abertura econômica muito grande. Mas isso não acontece no plano
político. Ainda existe um único partido na China, o partido comunista e as
comunicações são censuradas. O governo Chinês teria solicitado ao Google que
implementasse uma série de filtros em seus sistemas e em suas buscas. Mas como
o Google se recusou, a reação foi simples. TUDO do Google foi cortado. Não
funciona. Já se imaginaram sem estes
recursos!??
Sistemas de e-mail como HOTMAIL, YAHOO e outros webmails funcionam, bem como o
buscador BING ou o local BAIDU que é o “Google local”. Mas esqueça GMAIL e
sistemas baseados no GMAIL como GLOBO.COM e de outras empresas que usam
tecnologia do Google.
É o antídoto para este veneno da censura. Mas nem todos têm uma conexão VPN
para usar. Eu tenho. Meu servidor permite que uma conexão remota seja feita e
todo o tráfego de Internet passa a fluir por dentro de um “túnel”, de forma
codificada (criptografada) e assim o governo chinês não consegue filtrar estes
sites. Tudo se passava como se eu estivesse em São Paulo (local físico de meu
servidor).
Isso é bastante simples de ser configurado no Windows, mas também descobri ser
tão ou mais simples em um smartphone Android. Assim para a ira dos meus colegas de viagem,
eu tinha todos os sites funcionando no smartphone e eles estavam bloqueados. Fica
a dica, antes de sair para China, procure descobrir se tem como usar uma VPN
aqui no Brasil para não ser bloqueado. Alguns hotéis fornecem de forma discreta
um VPN própria e, portanto, navegação sem bloqueios. Mas isso é pouco comum.
O idioma foi para mim difícil. Embora no âmbito profissional o inglês seja bem
falado (no meio que eu estava – com executivos da Huawei). Dizem que a língua
chinesa não é difícil, que tem uma gramática simples. Mas não cheguei nem perto
de perceber isso. Quem sabe se eu precisar me dedicar e estudar possa me
desenvolver e experimentar essa “facilidade”. Fora isso, como falei, senti-me
um analfabeto, não apenas pela fala, mas pelas frases escritas, totalmente
ininteligíveis para mim.
Esse analfabetismo funcional chegou ao ápice quando fui correr pelas ruas da
cidade, meu adorado exercício. Usando VPN e Google Maps planejei no hotel o
percurso e por precaução tomei nota em um pedaço de papel os nomes das ruas
pelas quais iria passar. Qual não foi minha surpresa que ao correr pelas ruas,
todas elas somente tinham seus nomes em caracteres Chineses!! Meu papel, meu
percurso previamente planejado não serviu para nada!! Tive que correr apenas
nas avenidas bem próximas do hotel e de fácil retorno.
Isso se resolveu depois que baixei o mapa da China no meu celular, um
aplicativo chamado OSMAND, e assim pude na corrida seguinte levar meu
smartphone, saber onde estava e como retornar para o hotel!
A população da China hoje em dia é de 1.37 bilhão de pessoas. É de longe o país
mais populoso do mundo. Mas este número já foi relativamente maior. No final
dos anos 70, quando o Brasil tinha 100 milhões de habitantes a China já tinha
mais de 970 milhões. Nestes mais de 35 anos o Brasil cresceu 107% (de 100 para
207 milhões) enquanto a China cresceu menos de 42% (de 970 para 1375 milhões).
Isso é reflexo das políticas de contenção populacional do país, que já foram
mais rigorosas, mas ainda se refletem nos dias de hoje. No começo dos anos 80
havia quase 24% de chineses no mundo. Hoje em dia eles são perto de 19%, um
número ainda bem expressivo.
A cultura chinesa é riquíssima! Nós aqui no Brasil nos achamos grande coisa
porque a nossa cultura tem pouco mais de 500 anos. É o que se fala desprezando
injustamente os indígenas que por aqui já estavam, enquanto a China é um pais
com mais de 5000 anos de história!!! Não bastasse isso a extensão territorial
do país justifica a existência de um sem número de manifestações culturais,
artísticas, culinárias, etc.
Apreciei lá uma arte sensacional! Se existe em outros lugares do mundo eu não
sei, mas foi em Shenzhen que conheci o “escultor de silhuetas”. Com um pedaço
de papel e uma tesoura, você fica de perfil e em APENAS 10 SEGUNDOS ele recorta
aquele papel e faz o seu perfil! IMPRESSIONANTE , repito, 10 segundos!! Veja
foto abaixo, mostra isso tudo!


Tive a oportunidade de provar da culinária em 3 locais da China. Hong Kong,
Shenzhen e Shanghai. Claro que existem elementos comuns, mas as diferenças
entre cada uma dessas regiões é bastante grande! Pratos típicos, forma de
preparo, tempero, etc. são bem diferentes. O que dizer então se eu tivesse visitado
vários outros pontos do país!
Inicialmente remova de sua cabeça aquele estereótipo que nós brasileiros temos
de “comida chinesa”, aquela presente nos restaurantes daqui. O que se serve
como comida chinesa do Brasil é um ínfimo subconjunto da vastíssima culinária
do país. Também tire de sua cabeça que a comida é totalmente estranha e exótica
como carne de cachorro, escorpião, besouros e outros insetos rastejantes
preparados empanados ou fritos. Isso até existe em alguns rincões do país, mas
é menos comum, como é comer um prato de “Içá” (formiga) no Brasil. É exceção e
não regra. E até onde eu sei, não comi nada disso, que eu saiba, e se comi
gostei!
A religião, a arte e a seda
Neste templo cujas fotos estão reproduzidas abaixo há diversos ambientes,
jardins, esculturas, pontes… Uma das pontes é conhecida como a Ponte da
Longevidade e Prosperidade que segundo as crenças, cada vez que se passa nela a
pessoa tem sua vida aumentada em 3 dias. Claro que nas minhas visitas a este
templo, eu privilegiei entre os caminhos passar nesta ponte e devo ter ganho
uns 300 dias de vida!! Este templo em particular, a beira mar, ao lado de uma
linda praia (que não fica nada atrás de nossas bonitas praias do Brasil), torna
a experiência de estar lá única e encantadora.
Pude ver como é extraído o fio de um casulo, que por si só rende mais de 300
metros de fio. Depois de cruzados os fios eles podem ser acumulados em camadas
criando tipos de acolchoados e se esticados a seda fina que conhecemos. É fruto
da experiência milenar arraigada na cultura local. Muito bonito, interessante e
rentável, pois a seda é um dos grandes produtos de exportação do país. Acabei
por me presentear com duas gravatas de seda, que reservarei para as raras
ocasiões formais que participo, agora com elegância chinesa!
À parte de toda essa incrível cultura e expressões artísticas a China como vem promovendo
abertura econômica. Não é novidade alguma que o país está entre as 2 maiores
economias do mundo com previsão de se tornar a maior economia até 2020 a se
repetirem as altas taxas de crescimento do país (a despeito de alguma
desaceleração experimentada nos meses recentes).
Isso faz com que as grandes metrópoles da China sejam incrivelmente
exuberantes. Misturam-se a história milenar com centros de negócios e
financeiros na paisagem da cidade. Em Shanghai, por exemplo, existem diversos
arranha-céus que estão entre os 5 mais altos do mundo e está por ser concluída
a construção do prédio que será o segundo mais alto do mundo, o Shanghai Tower,
visível na foto abaixo contrastando com um centro histórico.
Ainda haveria muito para falar deste fascinante lugar. Não visitei Pequim, a
capital, de onde também pode-se começar uma visita à incrível Muralha da China.
Não visitei o interior, as pequenas cidades. Tudo isso fica para uma eventual
próxima vez que espero seja breve. Gostei muito!! Espero ter conseguido passar
para os leitores minhas percepções, opiniões e o meu encantamento.
Quem vai visitar a China não deve esperar estar visitando, por exemplo, Europa
ou Estados Unidos. As coisas são diferentes, as pessoas são diferentes. Aquele
comportamento polido e politicamente correto do europeu, tão admirado, manifesta-se
de forma diferente na China, nem melhor, nem pior. É diferente. Essa viagem
também abriu minha cabeça para a real existência de um outro imenso pedaço de
nosso planeta que confesso até então meio que negligenciara. Nosso mundo
tornou-se maior para mim!
Fica como imagens finais deste texto a foto de minha chegada a Shenzhen, linda ao
pôr do sol e minha visão de despedida da
China. É a vista noturna que se tem do mirante do Shanghai World Financial
Center (aquele prédio com o buraco no topo – cuja parte inferior contém o
mirante). É uma vista linda de parte da cidade iluminada com o rio passando
atrás, barcos iluminados, a torre de TV… Depois disso tomamos o caminho do
aeroporto e após 2 voos e perto de 30 cheguei ao Brasil e tive a ideia de
contar esta história neste texto.