Dados usados para o bem comum desenvolvem ecossistemas de inovação

Sabemos que os dados são o novo petróleo, mas como utiliza-los de forma que venha contribuir com a sociedade?

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Sabemos que os dados são o novo petróleo, mas como utiliza-los de forma que venha contribuir com a sociedade e desenvolver os ecossistemas de inovação? Segundo Elinor Ostrom, a qual compartilhou o Prêmio Nobel de Ciências Econômicas com Oliver E. Williamson em 2009, comuns são um bem do qual a coletividade inteira se beneficia e pode utilizar, mesmo aqueles que não pagam por ele. Os recursos naturais ou culturais acessíveis a todos os membros de uma sociedade e os recursos digitais e intelectuais (dados, conhecimento!) Aplicados na geração de inovações voltadas para o bem-estar da população da cidade.

E como os dados podem promover um ecossistema de inovação? Quando o governo disponibiliza os dados para que empreendedores desenvolvam soluções a partir dos mesmos, além de fomentar o empreendedorismo inovador ele está deixando para que a sociedade traga as soluções para a melhoria da qualidade de vida nas cidades, pois são os moradores que conhecem as dores de cada local e poderão trazer propostas de melhorias. Segundo Schumpeter (1911), fomentar o empreendedor inovador – cria novos mercados e oportunidades de trabalho e propicia o desenvolvimento econômico.

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Algumas ações já estão acontecendo no Brasil, com a criação de campeonatos chamados Hackatons, para que sejam desenvolvidos programas com propósitos específicos a fim de solucionar problemas da cidade, estes modelos contribuem para que haja transparência na administração pública. O desafio é respeitar as questões de propriedade e gerar um clima de confiança na comunidade a partir da utilização de dados abertos como um bem comum.

Para Elinor Ostrom, “não existe razão para acreditar que burocratas e políticos, não importa o quão bem-intencionados, sejam melhores em resolver problemas do que as pessoas no local, que possuem os incentivos mais fortes para encontrarem a solução”.

Para que tenhamos inovação a partir destes dados é importante que haja qualidade nos mesmos, que estes sejam tratados para um melhor aproveitando do que estará disponível. Os dados utilizados para o bem comum e de forma coletiva estão de acordo com a Legislação Geral de Proteção de Dados.

Diante disso, pode-se reorganizar as cidades para que haja um entendimento do seu fluxo a partir dos dados como um bem comum. Precisamos alterar a forma de pensar, sempre nos vem em mente aumentar uma rodovia, por exemplo, como forma de resolver o problema, mas podemos melhorar a qualidade da mobilidade se usarmos o fluxo de uma região entendendo a sua dinâmica.

As cidades podem se tornar laboratórios vivos, sendo espaços de testes e fomentando o empreendedorismo inovador, de forma mais sustentável e na busca de uma sociedade mais justa e igualitária. Neste intuito, busca-se melhorar a qualidade de vida das pessoas, a qualidade do serviço público com mecanismos de monitoramento, transparência e autogovernança.

 

*Jamile Sabatini Marques é pesquisadora e diretora de inovação e fomento da ABES – Associação Brasileira das Empresas de Software

 

Sobre o Autor

A Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) atua com o propósito de contribuir para a construção de um Brasil Mais Digital e Menos Desigual, porque acredita que a tecnologia da informação desempenha um papel fundamental para a democratização do conhecimento e a criação de novas oportunidades, visando melhor qualidade de vida para todos, de forma inclusiva e igualitária. Diante desse propósito, o objetivo da ABES é o de assegurar um ambiente de negócios propício à inovação, ético, dinâmico, sustentável e competitivo globalmente.

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