Uma Abordagem Centrada no Cliente Deve Guiar a Transformação Digital

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Não há dúvidas de que vivemos em uma época em que novas startups surgem a todo momento e as empresas incumbentes com uma participação de mercado dominante esforçam-se para inovar e reinventar suas propostas de valor para ganhar, reter e atrair clientes. Esse movimento resulta, muitas vezes, em entrar em mercados desconhecidos ou até mesmo em criar novos mercados que, antes, sequer existiam.

No meio desse ambiente imprevisível e volátil, os gestores de negócios são pressionados a dar rápidas respostas e a promover mudanças sem ter plena visão e leitura do ambiente competitivo.

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Mas o que realmente está por trás de tantas transformações?

Qual força impulsiona a disrupção de negócios e mercados?

De forma preliminar e intuitiva, podemos ser levados a crer que as novas tecnologias são as protagonistas desse processo de transformação digital. De fato, todos os predadores digitais são mestres em adotar e dominar novas tecnologias, mas será que essa é a grande força que garante assegurar uma fatia de mercado?

Será que para manter-se competitivo na era da disrupção digital basta investir na adoção de tecnologias de ponta e se associar a grandes players de mercado, como IBM, Oracle, SAP etc?

Se observarmos de perto como as startups mais inovadoras e disruptivas começaram, iremos notar que a maioria tinha um orçamento apertado, dificuldade de atrair profissionais com experiência de mercado e, sobretudo, de relacionar-se com empresas dominantes.

Claro que a tecnologia tem um papel relevante, mas não é ela a protagonista, e sim o cliente. Ele é o grande fator que impulsiona todas as transformações através da adoção dessas tecnologias.

Esse fato é confirmado pelo levantamento da edição de 2017 do Capgemini Digital Transformations Institute Survey que mostra que 60% das empresas atualmente sofrem com a carência das chamadas soft skills. ‘

E mostra quais são as mais demandadas:

  • Colocar o consumidor no centro das preocupações (uma forma de empatia) (65%)
  • Paixão por aprender (64%)
  • Colaboração (63%)
  • Capacidade de decidir (62%)
  • Habilidade organizacional (61%)
  • Habilidade de lidar com ambiguidade (56%)
  • Mentalidade empreendedora (54%)
  • Capacidade de gerar mudanças (53%)

O cliente é a força da disrupção digital

Vamos tomar como exemplo o Airbnb, que adotou tecnologias maduras e conhecidas para criar o seu site de compartilhamento de espaços. Não houve grande inovação tecnológica, ou seja, ele não foi o primeiro a adotar determinada tecnologia, já havia diversos sites semelhantes e com a mesma proposta de valor do Airbnb. Em 2009, a empresa passava por uma crise, faturando somente US$ 200  por semana e com os fundadores perdidos, sem saber o que fazer para que a empresa decolasse. O grande ponto de virada foi quando Joe Gebbia, um dos fundadores do Airbnb passou a compartilhar como o design thinking mudou o seu mindset para resolver um problema sob a perspectiva do cliente e não a dele.

Em uma entrevista ao site www.firstround.com, Gebbia fez a seguinte afirmação:

“Se estivéssemos trabalhando com um dispositivo médico, ganharíamos o mundo. Nós íamos conversar com todas as partes interessadas, todos os usuários desse produto, médicos, enfermeiros, pacientes e então teríamos esse momento de epifania no qual nos deitaríamos na cama no hospital. Nós teríamos o dispositivo aplicado para nós, e nós nos sentaríamos lá e sentiríamos exatamente o que sente o paciente.”

Essa visão levou Gebbia a fazer da adoção de “ser um paciente” o principal valor de sua equipe.

A força que impulsionou o protagonismo dessa startup foi o olhar sobre a tecnologia colocada a serviço do cliente. Essa perspectiva resultou na criação de um ambiente digital no qual as pessoas confiavam com certo grau de segurança alugar suas casas para desconhecidos. Há duas forças-chave que, combinadas, provocam as mudanças transformacionais das regras competitivas de setores e economias: a experiência do cliente e as novas tecnologias digitais emergentes.

Sobre o Autor

Holds a MBA at IESE Business School and academic extension degree at Harvard University. Previously worked with marketing and strategy consulting and now works as Consulting Development Director at Forrester, helping technology management and business leaders build Business Technology Agenda as well

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