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Você sabe o que é Construção Artesanal do Trabalho? E sua relação com o Analytics?

Tipicamente, os gestores atribuem funções aos colaboradores e também
decidem (ou definem) como eles devem executá-las. Mas, às vezes, os
próprios funcionários são a melhor fonte de ideias sobre a melhor forma
de investir seu tempo (e ainda assim, executar suas atividades).

Uma
forma de articular as ideias é através da Construção Artesanal do
Trabalho (CAT), um processo por meio do qual funcionários redesenham
suas próprias atividades para atender melhor seus pontos fortes e
interesses.

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O CAT pode aumentar o nível de satisfação e
criatividade de uma pessoa no trabalho, segundo Justin Berg, professor
da Stanford Graduate School of Business, que pesquisou o conceito com
Amy Wrzesniewski na Yale School of Management e Jane Dutton na Ross
School of Business, de Michigan.

O que é a Construção Artesanal do Trabalho?
O
CAT é um conjunto de técnicas que ajudam colaboradores a reconfigurar
os elementos do trabalho, gerando um maior engajamento e relevância.  

Existem três formas diferentes de CAT:

• Construção Artesanal de Tarefas, que diz respeito a reequipar as atividades incluídas em uma rotina;

• Construção Artesanal de Relacionamento, que diz respeito à reformulação das interações com outras pessoas;

• Construção Artesanal Cognitiva, que diz respeito a remodelar a forma como um colaborador vê suas tarefas e relacionamentos.

As
pessoas obtêm os melhores resultados quando usam as três formas
simultaneamente. Por exemplo, um advogado corporativo com uma paixão
para o ensino poderia começar um programa interno (Construção Artesanal
de Tarefas), engajar seus colegas no programa (Construção Artesanal de
Relacionamento), e mentalmente encarar o programa como uma oportunidade
para cumprir e difundir a sua paixão para o ensino (Construção Artesanal
Cognitiva).

De onde vem a Teoria do CAT?
A
pesquisa em desenho de trabalho começou na década de 1970 com um foco
quase exclusivo em como os gestores deveriam definir as atividades de
seus empregados com uma visão Top Down. Isso revelou insights
interessantes, como o benefício em os gestores construírem autonomia,
captura de feedback e significância para o trabalho.

No entanto,
uma descrição de atividades é apenas parte do que determina a forma como
os trabalhos são realizados – os funcionários também podem moldar seus
próprios trabalhos ao longo do tempo.

Pesquisadores desenvolveram a
teoria da Construção Artesanal do Trabalho para capturar essa noção de
que os funcionários podem fazer e redesenhar seus próprios empregos de
“baixo para cima”.

Desde que esta teoria foi publicada em 2001, tem havido um crescimento enorme de estudos sobre a CAT.

Qual é a relação de CAT com Analytics?
As
ferramentas disponíveis para auxiliar as pessoas a descobrirem
oportunidades para a elaboração de seus trabalhos de forma benéfica são
ainda bastante artesanais, baseadas em processos de “autoconsciência”.

É
muito fácil ficar preso na rotina do dia-a-dia, o que leva as pessoas a
pensar que seu trabalho é mais fixo do que pode realmente ser, e as
ferramentas disponíveis ajudam a visualizar o trabalho como um conjunto
flexível de blocos de construção, em vez de uma lista fixa de funções.

Isso
já ajuda na identificação de maneiras criativas para redesenhar o
trabalho para beneficiar seus executores, mas não aproveita o fato de
que hoje podem ser capturados muito facilmente dados sobre a forma de
como os trabalhos são executados.

Empresas como o Google, Logitech
e VMWare, já aplicam a teoria da Construção Artesanal do Trabalho, mas
ainda com o uso de ferramentas básicas e forte dependência de seus
departamentos de talento, e já tem observado ganhos (como pode ser visto
nesse vídeo).

Todavia,
com a aproximação de ferramentas de Analytics do escritório, os e-mails
enviados, horários, destinatários e pessoas envolvidas; além dos dados
sobre ligações realizadas por VoIP (Voz sobre IP), como sua duração,
audiência e tópicos discutidos; bem como a forma como documentos,
apresentações e planilhas são criados; ou sistemas são usados, telas são
preenchidas, tornam-se fontes trabalháveis de dados que caracterizam de
forma bastante detalhada como cada colaborador, ou grupo de
colaboradores, opera.

Com a composição destas informações com
dados de engajamento, relacionamento social (mesmo que delimitado à
esfera profissional e dados em redes de relacionamento profissionais
e/ou autorizadas pelas corporações), é possível reestruturar cada
componente de uma rotina de trabalho visando não apenas a performance em
sua execução, mas o fortalecimento de pontos que já sejam destaque nos
colaboradores.

Efeitos práticos em escala desta reconstrução –
agora não mais artesanal – do trabalho, ainda não foram sentidos porque a
teoria ainda não encontrou a prática em escala, mas existe uma avenida
ainda a ser explorada para que Analytics ajude as pessoas a focalizar em
seu potencial, aumentando seu engajamento com seu trabalho e também
identificando e potencializando aquelas atividades que dependam de
relacionamento e troca de experiências, dentro e fora da organização,
dentro e fora do mundo corporativo.

Há uma expectativa muito forte
de que as técnicas de CAT, suportadas por ferramentas e técnicas de
Análise, ajudem a lidar de forma inovadora com temas de absenteísmo,
instabilidade de colaboradores e queda (ou saturação) de performance.

Os
dados estão aí, basta aplicá-los. Teorias como esta, quando
potencializadas por técnicas e ferramentas de Analytics, podem
revolucionar toda gestão de recursos humanos, bem como os processos e
prioridades das áreas que lidam com talentos nas organizações.


(*) Daniel Lázaro é diretor executivo para Tecnologias de Analytics da Accenture na América Latina

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Published by
cristina.deluca
10 anos ago

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