Que as organizações que mantêm a cultura do nós versus eles já estão perdendo espaço de mercado para aquelas que entendem que há espaço para ambos. Em TI, essa história é ainda mais verdadeira
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Vamos refletir sobre o nós versus eles? Vamos começar pelo nós: profissionais formados nas disciplinas de gestão que ouvimos desde os primórdios da administração científica que não se gerencia o que não se mede, que o controle total de qualidade é grátis e todo investimento feito em gestão da qualidade é retornável. Nós fomos formados e conduzimos nossas carreiras profissionais pensando processos, métodos, indicadores, padrões e somos os fiéis à mentalidade de que toda organização precisa de estabilidade e controle para operar com sucesso no longo prazo. Buscamos apoio do CEO e do board para tornar nosso dia-a-dia estável, previsível e gerenciável.
Nós, por derivada, temos um aspecto mais formal. Tanto em linguagem, quanto em vestimenta, horário de trabalho, hábitos sociais etc. É um pacote completo.

Figura 1. Fonte: www.dilbert.com
Eles, por sua vez, trazem um ar despojado. Em sua maioria são de gerações alfabéticas (Y, se não me engano) e trazem consigo uma aversão às escolas clássicas de produção e gestão. São formados em um mundo já digitalizado, em que agilidade, gestão à vista e cultura informal são mais importantes do que padrões. Eles têm como mentor ideológico empreendedores tais quais Steve Jobs e Mark Zuckerberg. São inspirados por grandes inovações tecnológicas, sacadas que transforaram o mundo e empresas bilionárias que saíram dos porões das casas americanas.
Eles, mais rápido do que qualquer outra geração, mudam de ideia, reinventam o novo e almejam sempre tornar suas organizações inovadoras, legais de se trabalhar e dinâmicas. São menos focados em controle, gostam de usar bermudas e sentem (muitas vezes) aversão a alguém de gravata falando.

Figura 2. Fonte: http://baap.graphics/tag/generation-y/
O problema é que nós versus eles é a fórmula do insucesso. Não apenas no mundo dos negócios, mas em diversos outros exemplos tais quais o que está acontecendo nesse exato momento com a política brasileira.
Organizações que mantêm a cultura do nós versus eles já estão perdendo espaço de mercado para aquelas outras que entendem que há espaço para ambos. Yin e Yang precisam coexistir de forma harmônica para possibilitar o sucesso no longo prazo. Em TI, essa história é ainda mais verdadeira.
Essa semana estive em visita com uma grande empresa digital. Sua área de TI é, hoje, um misto de jovens que vestem bermuda e desenvolvem soluções web e outros profissionais que tentam manter controle de projetos, estabilidade do data center e outras coisas “chatas” de TI. Fisicamente sentam separados. No almoço, não saem juntos. A diretoria, assim como fazemos na política (“me diga de que lado estás!”), tende a privilegiar um dos lados… Parem! Está tudo errado.
Vivemos no mundo das organizações ambidestras. O que é isso? Uma daquelas expressões bacanas de gestão? Não, é bem simples. São organizações que precisam operar com duas velocidades. Uma delas mais cartesiana para manter o seu core business protegido, manter compliance com leis, padrões internacionais, garantir ao acionista que há baixo risco operacional e que, caso algumas das inovações dê errado, ainda temos nossa marcha corrente trazendo dinheiro para a companhia.
De forma sintonizada, a segunda velocidade opera com projetos inovadores, utilizando parte do ambiente mais flexível para soluções que, no limite, podem não trazer valor algum! Mas, se uma daquelas grandes ideias der certo, poderá trazer resultados nunca antes previstos pelo negócio.
Organizações Bimodais , Organizações de Duas Velocidades, todas essas terminologias querem trazer o mesmo recado. Por fim, faço uma sugestão aos líderes do presente e do futuro:
Redação
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