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VDI móvel transforma o cenário da virtualização

O ano de 2011 prometia ser o da virtualização de desktops, na avaliação de consultores norte-americanos. Entretanto, diversos fatores a impediram de avançar. De um lado, a falta de entendimento mais profundo sobre o conceito, e, do outro, os custos nem sempre atraentes.

Por aqui, essa expectativa não era tão otimista. Mas, certamente, 2012 promete muitas novidades em solo nacional, capazes de mexer com as estratégias de TI de empresas de variados portes e setores. Afinal, o próximo passo, depois da consagrada virtualização de servidores, é Virtualization Desktop Infraestructure (VDI).

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E a indústria movimenta-se, atualizando soluções com recursos VDI, realizando parcerias e criando ferramentas especialmente voltadas para o gerenciamento dessa avalanche de máquinas virtuais, que começa a invadir os novos e futuristas ambientes de TI das corporações.

A Microsoft surpreendeu neste mês, lançando o System Center 2012, com o objetivo de facilitar o trabalho dos gestores de ambientes virtuais, reforçando a estratégia mais voltada à gestão. “Criar máquinas virtuais tornou-se tarefa simples, difícil é garantir gerenciamento eficiente delas”, diz Danilo Bordini, gerente de Produto para Soluções de Data Center e Nuvem Privada da Microsoft.

O System Center 2012, segundo ele, é capaz de administrar ambientes híbridos, compostos por máquinas virtuais, físicas e aplicações, de maneira centralizada, rápida e segura. “Por meio desse centro, será possível criar máquinas virtuais de desktops, instalar automaticamente aplicações etc”, diz.

O executivo exemplifica que um funcionário pode usar qualquer ponto da empresa e acessar seu desktop virtual, pois no System Center ficam armazenados todos os perfis de usuário, com registros que vão desde configuração de papel de parede a atalhos, aplicações autorizadas, entre outros.

Bordini ressalta que o centro vai possibilitar gerenciar com eficiência os dispositivos móveis [iPad, iPhone, WindowsPhone etc] que acessam o ambiente corporativo. “Ele não permite criar simplesmente uma máquina virtual e sim uma nuvem privada. E dentro dela, o gerenciamento, a segurança, as políticas, tudo”, descreve.

Mas um grande atrativo da novidade é que será possível quantificar o uso dos recursos computacionais da empresa, por departamento, visto que toda a solicitação [não somente do data center] será registrada. “É um grande valor agregado, sem dúvidas.”

Nesse momento emergente da tecnologia, a parceria com a Citrix é bastante interessante, segundo Bordini. “Com nosso acordo, consigo fazer entrega do Windows 7, rodando no iPad, por exemplo. E acessar o desktop virtualmente a partir de qualquer dispositivo móvel inteligente.”

A Citrix, de fato, é uma das vedetes do VDI. E seu avanço na tecnologia tem sido impulsionado pela demanda pautada no chamado work shift, que é o trabalho flexível, remoto. Recente pesquisa encomendada pela empresa, à Vanson Bourne, identificou que 93% das 1,1 mil companhias entrevistadas em todo o mundo estão aderindo à essa modalidade.

“Fato curioso é que, no Brasil, 97% estão adotando o modelo, número maior que a média global”, diz Fernando Nakamura, gerente da divisão Platinum Partner da Citrix, acrescentando que para atender a essa demanda, uma das principais tecnologias é a computação virtual.

Outro movimento interessante, apontado por Nakamura, é que o interesse maior pelo ingresso nesse universo era dominado pelas grandes empresas, no entanto, as de pequeno porte não estão de fora. “Atenta, a Citrix adquiriu a Kaviza e nosso produto transformou-se em VDI-in-a-Box, direcionado a companhias menores, que, em pouco tempo, conseguem implementar o modelo com custo mais baixo”, destaca.

A Citrix realizou parcerias importantes para fortalecer a participação no mercado. Uma delas com a Cisco, que contempla duas frentes: licenciamento de protocolo de otimização para dispositivos na ponta, chamado HDX para um dos produtos da Cisco, e ainda uma aliança em VDI. “Implementamos nossas tecnologias em servidores UCS da Cisco”, relata Nakamura.

Com a Microsoft, existe um acordo antigo e forte, segundo Nakamura. Não só tecnológico, mas também comercial. É cooperativo e global, e complementa a tecnologia de virtualização de desktops da Microsoft.

Outra aliança de peso da Citrix é com a EMC. “A Citrix tem um pacote de software e eles investem muito no protocolo de apresentação do desktop. No fundo, é uma tecnologia que no data center vai consolidar informação, demanda de desempenho e tecnologias. No data center deles, a tecnologia é EMC”, diz Rodrigo Gazanneo, responsável pela Prática de Virtualização da EMC para a América Latina, que define VDI como “um capítulo interessante da virtualização”.

A estratégia da EMC nessa cadeia é dar eficiência à solução de VDI, segundo o executivo. Ele explica que o ambiente de VDI é muito mais exigente de recursos do que o de consolidação de servidores virtualizados, por isso requer um profissional mais qualificado para esse gerenciamento. “O efeito para o usuário final é bom, mas dentro do data center, muitas vezes é necessária a criação de uma área de virtualização só para VDI”, diz.

A visão de VDI da empresa faz parte de uma ideia maior de transformação da TI, segundo ele. “Uma dessas visões é computação em nuvem e uma das faces é a VDI, que pode endereçar essa demanda.”

Outra estrela no segmento é a VMware. E como prova de que a indústria vive em constante movimentação para se alinhar à demanda, a tecnologia da empresa, o VMware Horizon Mobile, possibilitou à Telefônica lançar em fevereiro, na Espanha, o serviço Dual Persona.

Ele permite ao usuário ter em um mesmo aparelho celular duas linhas, uma pessoal e outra corporativa, e ainda que o departamento de TI realize todo o gerenciamento do ambiente de trabalho por meio do telefone [e-mails, aplicações, dados etc].

De acordo com André Andriolli, gerente de Engenharia de Sistemas da VMware, o portal Horizon, que abriga um grupo de serviços, usa a virtualização para isolar esses dois mundos e além disso, possibilita compartilhar acesso a aplicações e arquivos. “Liberta o usuário do desktop que está em sua mesa”, diz.

As duas empresas estão trabalhando para oferecer o mesmo serviço em outros países e a previsão de que chegue por aqui é no segundo semestre deste ano. O Galaxy SII da Samsung será o primeiro aparelho capaz de suportar o serviço Dual Persona da Telefônica, mas é possível que não fique restrito somente a essa marca.

O executivo afirma que a nova força de trabalho é jovem e não quer aplicações antigas e tudo isso transformou o cenário e revolucionou a demanda. “A virtualização de desktop está crescendo em paralelo com a de aplicações. Este ano, certamente, teremos aquecimento dessas demandas e estamos preparados”, garante.

Hardware em cena
“Para montar as soluções seguimos duas linhas de raciocínio, uma delas é o crescimento de aquisições. Compramos algumas empresas para complementar o portfólio de data center, que nos permite vender infraestrutura mais completa de ponta a ponta”, explica Henrique Sei, diretor de Vendas de Soluções da Dell Brasil.

O sucesso de VDI depende da experiência do usuário. Se ele tiver uma máquina virtual lenta, todo o projeto será prejudicado. É o que destaca Cristina Torres, gerente de soluções da Dell Brasil. Um passo importante do projeto de virtualização, segundo ela, é a preparação, “entender a infraestrutura do cliente, o que ele já tem, o que pode ser aproveitado, quem são os usuários, que tipo de equipamentos vai usar, todo esse mapeamento é crítico para a eficácia da solução”.

A Dell mantém parceria com Microsoft, Citrix e VMware em software de virtualização. “Mas vale ressaltar que temos soluções que fazem combinação dessas camadas de software entre VMware e Citrix, por exemplo”,  aponta Cristina.
Hoje, a maior dificuldade com soluções de VDI é que muitos dos benefícios que a solução traz são intangíveis.

“Estamos falando de consumerização e de produtividade. Mas como medir o resultado disso ao longo do tempo? É importante pensar na virtualização como ponto de partida, preparar-se para as transformações, mas sem dúvida ainda virão muitos desafios pela frente”, afirma a executiva.

Maurício Affonso da Conceição, diretor de Servidores da HP, diz que a empresa tem parceria com Citrix, Microsoft e VMware e acredita na ascensão da VDI em razão de muitos novos projetos que contemplam mobilidade. “Percebemos aquecimento em virtualização de desktops desde o segundo semestre do ano passado”, afirma.

O executivo acredita na evolução da aceitação da tecnologia, mas diz que ainda existe barreira cultural, considerada por ele o maior entrave, somada à fragilidade da infraestrutura de telecomunicações no Brasil. “Mas o melhor momento para a adoção do VDI é quando for necessária a atualização do parque de PCs”, ensina.

Daniel Groppo, especialista em Vendas VDI da Oracle Brasil, conta que a estratégia da empresa é mostrar ao cliente como atravessar a ponte para a VDI. “O mercado está caminhando para duas novas frentes de executar projetos de VDI: on-premise, em que o cliente adquire a infraestrutura e os componentes para fazer o projeto “in-house” e no modelo de desktop como serviço (DaaS). Nele, o cliente adquire a solução por um custo”, destaca.

“Em nossos projetos, avaliamos como podemos fazer essa implementação de forma gradual. Assim, o fluxo de caixa não sofre impactos e permite à empresa diluir o custo do projeto”, diz acrescentando que, hoje, um projeto de VDI para 50 usuários com toda infraestrutura de servidores, storage, licenças Oracle e Sun Ray é mais barato do que alugar um desktop.

Segundo Groppo, muitas empresas ainda entendem que o custo de um desktop está limitado apenas à sua aquisição. Não levam em conta os custos de operação que, segundo uma consultoria desse mercado, pode representar até quatro vezes o valor de aquisição do mesmo. A VDI tem de ser avaliada como uma solução de longo prazo, em que uma companhia que troca seus desktops a cada três anos poderá ter uma economia de 40%.

Veja o texto na íntegra nas versões impressa e ipad da revista COMPUTERWORLD

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cristina.deluca
14 anos ago

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