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Único limite para impressão 3D é material, diz VP da Autodesk

O norte-americano Patrick Williams tem o melhor emprego entre as milhares de posições que a Autodesk possui em todo o mundo. Pelo menos em sua visão. Vice-presidente sênior para mercados emergentes da companhia, o executivo vive há cerca de cinco anos na China, onde acompanha de perto os movimentos do ambiente que abriga, atualmente, o motor da tecnologia mundial, e viaja constantemente pelos países que compõem o Bric (sigla para designar o grupo de países em desenvolvimento que mais crescem no mundo: além daquele que abriga o seu endereço, Rússia, Índia e Brasil).“É um ambiente muito fascinante. Sinto-me afortunado de ver em primeira mão as tecnologias que estão mudando o mundo agora”, comentou, em entrevista exclusiva ao IT Web, durante evento mundial da companhia em São Paulo, capital, em outubro.

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A Autodesk possui diversos softwares, mas talvez o mais conhecido seja o Autocad, muito utilizado por empresas como a de construção civil para a produção de protótipos. Como seus programas  são utilizados para produtos modelos de objetos, prédios, pontes, ou qualquer outra coisa, que ainda estão no meio do processo entre a cabeça do designer e o produto/projeto final, é fácil acompanhar quais são as principais tendências do alinhamento tecnologia/investimento nas regiões que hoje elevam a economia mundial. E a resposta é direta: infraestrutura, mas cada uma de um jeito em cada nação.

Durante o bate-papo, o especialista comentou ainda sobre o futuro do mercado de impressão 3D e em como ele pode revolucionar a indústria de produção. “Hoje estamos limitados somente pelo material”, disse.

Leia os principais trechos da entrevista:

  1. Antes de morar na China, você viveu no Japão. No total, são cerca de 15 anos morando na Ásia. Como você avalia as mudanças da região no período?

Patrick Williams – O Japão tem sido um ambiente econômico interessante. Eles estiveram em uma depressão econômica por muito tempo e, com isso, perderam produção de manufatura. Hoje eles estão se diferenciando em inovação de alta tecnologia, por melhor desenho, mais inovação. Eles também têm fábricas, claro, mas o que eles estão fazendo é trazer processos high end, especialmente em semicondutor e indústria eletrônicas, nas quais eles ainda são líderes.

Em países como China e sudoeste da Ásia, até mesmo a Índia, uma das coisas que eu vejo como tremenda vantagem é que eles se focam em educação. Eu diria que dez anos atrás, a qualidade dos engenheiros que vinham do sudoeste da Ásia era menor. Há dez anos vimos isso mudar dramaticamente. Temos um time de desenvolvimento em Xangai com cerca 1,3 mil pessoas, mais de 60% dessas pessoas são mestres e 15% têm PhD [doutorado]. A qualidade do inglês falado melhorou muito, mudou o cenário, capacidade de desenhar, está em um nível muito diferente do que há 15 anos.

 

2. Mas o mesmo não aconteceu no Brasil, correto?

 

Williams – Tenho que ser sincero com você que não tenho muita experiência aqui no Brasil. De qualquer forma, não estamos, definitivamente, dez anos atrás dos chineses. Isso é uma certeza. Quando defino mercados emergentes,  vejo que não é o caso de eles não consumirem tecnologia de ponta, é que eles não a consomem em uma mesma taxa que as outras nações. Na China, por exemplo, quando usamos de exemplo o Building Information Modeling [BIM, suíte avançada de modelagem da Autodesk], há cinco anos estávamos sete anos atrás dos Estados Unidos, com adoção entre 3% e 4% naquele tempo. Agora temos aderência em torno de 10%, mas continuamos atrás em termos de adoção em massa, como ocorre nos Estados Unidos.  Quando olhamos o trabalho que eles estão fazendo, tipo de construção, material, como usam simulação para desenhar a sustentabilidade, é fantástico.  O mesmo acontece com Brasil e Índia.

3. E quais são as características de investimento em tecnologia por cada país do Bric?

Williams – A China ainda está centrada em manufatura, consumo, máquinas indústrias e design automotivo são primordiais. No Brasil há muito foco em fontes naturais e óleo e gás. E é interessante fazer essa comparação. Quando eu comparo Brasil com Rússia, eles têm um foco similar em óleo e gás e fontes naturais. De uma perspectiva de manufatura brasileira, digo que haveria uma linha com a China e Índia. A linha que une todos esses países é a de infraestrutura, estradas, aeroportos, gestão de água. É algo que recebe muitos investimentos dos governos e, por isso, é muito consistente ao longo dos Bric.

4. E como a tecnologia pode ajudar esses investimentos?

Williams – A oportunidade que o impacto que a simulação tem na habilidade de desenhar virtualmente e produzir as coisas pela primeira vez sem ter que construir protótipos físicos é difícil de definir. Com computação infinita, abre habilidade de fazer milhares de desenhos, definindo qual o melhor para certo produto ou indústria. Isso vai continuar mais e mais proeminente. Esse conceito de prototipagem 3D vai poder ser usado em casa, vejo simulação se tornando mais difundida ao longo dos anos. Não imaginaríamos três anos atrás que o iPad teria esse impacto que teve no mundo. É difícil dizer qual será o impacto dos próximos anos, mas o que posso lhe dizer é que mais e mais do que construímos e desenhamos será primeiro simulado no ambiente virtual antes de ser construído.

5. E como a tecnologia de impressão 3D afetará esse movimento?

Williams – Isso traz duas coisas que eu acho muito legais. Uma delas é que, em vez de levar coisas, você terá a oportunidade de apenas imprimi-las, sem ter de carregar esse inventário todo com ele. Outro exemplo que vejo, ainda pouco difundido, é a utilização no campo da medicina: os médicos não precisam chegar a abrir o paciente para definir o que será feito para consertar. Eles usam a tecnologia para tirar Raio-X, criar um protótipo 3D, veem as fraturas e usam para formular uma estratégia com elementos tangíveis para, quando abrirem a pessoa, terem um plano de ataque para resolver a  situação, tornando o processo cirúrgico mais seguro, eficiente e menos custoso. Eu acho isso muito interessante.

6. O que falta para a impressão em terceira dimensão tomar corpo então?

Williams – Hoje, diria que estamos limitados pelo material. Um exemplo: estava em uma feira e uma empresa de sapato e eles imprimiam modelos lindos. Mas os pares pesavam como um tijolo. Então o que realmente vai mudar o jogo do mercado de impressoras 3D é o uso dos materiais para tipos diferentes de produtos. Hoje você consegue fazer produtos de plástico – se qualquer pessoa quiser imprimir uma capa de iPhone, ela consegue.  Se você conseguir uma impressora 3D com um preço acessível, seus filhos podem imprimir e usar, nesta semana, uma do Justin Bieber…na outra semana, outro modelo. Este é o tipo de produto de massas que eu acredito que seja possível chegar ao mercado final.

7. E como os mercados emergentes se posicionam neste cenário?

Williams – Os mercados emergentes estão rapidamente adotando tecnologias de software – e mais rápido do que nunca. Posso dizer que as conversas com os clientes aqui estão em um nível muito alto, estão endereçando questões muito elevadas e estou impressionada com o nível de sofisticação que eles estão implantando a nossa tecnologia. Os mercados emergentes são uma oportunidade constante em uma longa estrada para o sucesso.

Saiba mais:

Autodesk lista 3 tendências que mudarão o futuro da tecnologia

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Editorial IT Forum 365
14 anos ago

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