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Uma ideia não vale nada

Marck
Zuckerberg um dia teve uma ideia, o Facebook, que o deixou rico. O
mesmo ocorreu com os criadores do YouTube, do WhatsApp. Grandes ideias
que resultaram em empresas e empresários milionários.

Mentira.
Nada disso é real. Uma ideia, em si, não vale absolutamente nada.

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Como
assim?

Bem, vamos lá: tomando o exemplo do YouTube, basta olhar para
trás e ver que, de início, o próprio Google rejeitou a ferramenta e
criou um concorrente, o Google Vídeos, que no fim das contas deu com os
burros n’água porque o então humilde YouTube já tinha conquistado sua
fatia de mercado, já tinha usuários cativos. Visto isso, o Google
comprou o YouTube, deixando seus criadores realmente ricos, e o resto é
história.

Ou
seja, a ideia do YouTube não atraiu investimento, não chamou atenção
dos grandes, não valeu nada. Porém, a ideia executada, que pôs em
prática uma plataforma utilizada e validada por usuários de todo o
mundo, esta sim ganhou os holofotes, atraiu os compradores e enriqueceu
os fundadores. Hoje, quando se cria uma conta no Google esta já vem
conectada ao YouTube, condecorando uma integração bem-sucedida e cotada
no mercado a preço de ouro.

Reconhecer
uma boa ideia não é difícil. Todos podemos ter um “momento eureca”. O
que se faz a partir disso, entretanto, vai definir muito mais o sucesso
ou fracasso do projeto do que a ideia em si.

Trabalhando
há anos no mercado de aplicativos e startups, recebemos diariamente
e-mails de pessoas que acreditam terem ideias fantásticas. Às vezes, são
mesmo, outras vezes, nem tanto – muitas delas, inclusive, já existem.
Mas o ponto não é este: a ideia ser boa, genuína, disruptiva, inovadora
não garante nada. Absolutamente nada. A execução dela, esta sim, é papo
para a mesa de negociações.

Para
executar a ideia é preciso mais do que um sonho empreendedor: é preciso
pesquisa, preparo, investimento em técnica, ferramental e pessoal. A
execução da ideia em produto ou serviço é que mostrará se ela realmente
funciona, se tem usuários adeptos, se tem valor de mercado.

Só
a ideia não chama ninguém. Só a ideia não vai atrair usuários, porque
eles não terão o que usar. Só a ideia não convencerá investidores,
porque eles não terão dados consolidados de usabilidade, receita e
retorno para embasar um aporte. Só a ideia não será, sequer, motivo de
concorrência – acredite, muito frequentemente recebemos aqui na empresa
pedidos de execução de ideias exigindo contratos de confidencialidade,
alguns deles na casa dos SETE DÍGITOS de multa em caso de ruptura do
silêncio ou “roubo” da ideia. Penalidades de cifras milionárias para
projetos que não existem.

Encorajamos,
sim, o empreendedorismo, cultivamos o pensamento criativo, queremos que
as pessoas acreditem em suas ideias. Mas de forma racional. Por isso,
quando falamos em desenvolvimento de aplicativos, só confirmamos o real potencial da ideia no momento que temos o projeto executado.

Não
precisa ser o projeto completo, pode ser algo mais simplificado, mas
que mantenha a essência da ideia e teste sua viabilidade. É o conceito
de projeto enxuto, o que chamamos de MVP (Menor Produto Viável),
que permite levar o projeto aos usuários – afinal, são eles que vão
dizer se o produto é bom, útil, se agrada e se é um sucesso.

O
MVP permite executar uma ideia com os recursos exatos para garantir sua
viabilidade de teste. Assim, caso junto aos usuários ela não se
comprove tão genial assim, será possível muda-la ou abandona-la e partir
para outra sem grandes perdas de tempo e dinheiro.  Da mesma forma, se o
projeto se mostrar útil e bem aceito, será mais fácil direcionar os
próximos investimentos conforme o feedback do público.

Executar,
testar, comprovar: estes devem ser os guias da mente empreendedora. Ter
uma boa ideia pode ser o primeiro passo, mas sem seguir estes
conselhos, será também o último.


 

(*) Pedro Goidanich é Chefe de Operação na Aioria Software House

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Published by
cristina.deluca
9 anos ago

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