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Um pouco sobre Las Vegas

Esse final de ano foi atípico pelo acumulo de trabalho e de estresse, inclusive familiar. Meu desejo inicial era começar uma micro férias na sexta feira antes do natal e encerrá-la no dia 4 de janeiro, uma quarta feira, quando eu poderia voltar de Angra dos Reis sem trânsito, com tranqüilidade.

Quando digo micro férias, é algo mais mental do que físico. Eu realmente queria me desligar um pouco das coisas, ficar um bom tempo só batendo papo furado e se possível sem me mover muito. Só que na sexta feira tive uma ótima surpresa, em cima da hora Marcelo Nóbrega, do Jornal do Brasil, me pediu para ir a CES em Las Vegas em seu lugar, pois ele não poderia ir. Passei o natal e os primeiros dias da semana seguinte agendando tudo com os organizadores que nos convidaram (que por sinal já estavam de férias e gentilmente me ajudaram pelos seus celulares) e ficou tudo certo para eu embarcar no dia 3 de janeiro, terça feira. Portanto minhas micro férias iriam começar na quinta dia 27 de dezembro, e acabariam em pleno trânsito de 6 horas para retornar de Angra dos Reis, no dia 2 de janeiro.

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Descansar que nada. É impossível descansar com a família toda reunida, inclusive todos os bebês em idades que requerem muitos cuidados e nos recompensam com muito choro, em um clima que oscilava entre o sol e chuva nas horas mais impróprias. Eu me lembro que estava no carro, preso a um transito infernal na volta pensando “pelo menos vou poder dormir no avião”. Belas férias…

Mas no fundo eu estava feliz, fazia tempo que eu queria ir a Las Vegas, especialmente para a CES, e finalmente teria a oportunidade de fazê-lo. Chegando lá não há como não ficar impressionado com o local, os cassinos são gigantescos e a cidade é uma mistura de muito luxo com muita cafonice. A diversidade de culturas é imensa, e lembrei de um amigo que dizia “se você quer conhecer o mundo, vá a Las Vegas e observe atentamente o mundo inteiro passar por você”, fazendo referência ao tamanho fluxo de pessoas de todas as partes do planeta que passam por lá. O deserto causa um certo fascínio ao lugar, dá a impressão que estamos em outra dimensão, onde Elvis não morreu, e eu acho que o clima do deserto ajuda a preservar os corpos, pois a quantidade de shows de artistas da década de 70 é impressionante. Imagine que Barry Manilow ainda está em cartaz!

A cidade é bem grande, mas a área turística dos cassinos é mínima e muito concentrada em torno da principal avenida, a Las Vegas Boulevard. Os cassinos são realmente impressionantes, o Bellagio é lindíssimo, e por mais que seja cafona em alguns aspectos de sua arquitetura, é preciso reconhecer o trabalho de se criar algo tão grande e complexo em pleno deserto. O Venetian, o tal que se inspirou na cidade de Veneza com seus canais, é bem mais cafona e nem por isso menos interessante. Uma noite fui jantar lá e o restaurante ficava em uma grande praça interna, achei estranho porque o céu estava meio “fim de tarde” e eu me lembrava de ter entrado no hotel à noite. Olhei melhor e percebi que a imensa praça, com seu imenso céu, eram falsos. O céu era um teto pintado quase que a perfeição, não fosse os obrigatórios sprinklers anti incêndio.

O belo Bellagio acima, e abaixo a imensa praça interna do Venetian com seu céu pintado

Las Vegas, apesar de ficar em um deserto, é um dos lugares onde se come melhor naquele país sem ser literalmente roubado. A comida dos restaurantes é espetacular e relativamente barata. É possível almoçar muito bem por 12 dólares ou jantar maravilhosamente bem em um dos cassinos por cerca de 40 dólares. Acredite, isso é muito barato para os padrões americanos. Até o McDonalds é barato por lá, uma McOferta numero 1 (Big Mac, batata frita e refrigerante), que em São Francisco ou Nova York chega a custar quase 10 dólares em um local sujo (muito diferente dos McDonalds daqui), em Las Vegas custa menos de 6 dólares e o ambiente é limpo e organizado.

Vale a pena reservar parte da noite para assistir um dos diversos shows disponíveis na cidade. Eu tive a oportunidade de assistir o Cirque du Soleil, mais precisamente o espetáculo “O” no hotel Bellagio. É de cair o queixo! Eu fiquei uns 15 minutos mudo, de boca aberta, até conseguir reagir ao que estava acontecendo no palco. Basta dizer que o show se passa em um teatro construído para ele, onde o palco é uma piscina imensa, com pisos que se elevam em blocos para alternar entre as partes secas e molhadas do show. A música é ao vivo e vibrante, e são quase 2 horas de uma intensa experiência visual. Já tinha visto o Cirque du Soleil na televisão antes, mas ao vivo a coisa é muito diferente, e o espetáculo “O”, talvez por ser na água, é realmente fora de série!

Quanto a CES, em breve estarei publicando um artigo mais completo e detalhado sobre a feira, mas eu queria aqui antecipar algumas impressões negativas: a feira é grande demais! São mais de 150 mil visitantes, 2500 expositores e uma área imensa, distribuída entre vários hotéis e o centro de convenções. É literalmente impossível ver tudo em tão poucos dias. As filas para os keynotes chegavam a mais de uma hora, e a longa caminhada entre a sala de imprensa e o local dos keynotes levava no mínimo 25 minutos. As costas começaram a doer no segundo dia com o peso da câmera e do notebook na mochila.

Por outro lado tem de tudo nessa feira, desde os últimos lançamentos da Intel (Centrino Duo, Viiv, etc) até stands de peças automotivas para tunning ou rádios digitais, passando por celulares, MP3 Players, câmeras digitais e milhares de outros gadgets. O problema, na minha opinião, é que o tamanho exagerado e a diversidade de temas fazem da feira algo difícil de se absorver. Ou o visitante se concentra naquilo que mais lhe interessa, ou ele ficará literalmente perdido.

Apesar das dores musculares e das bolhas nos pés, Las Vegas é fascinante e a CES é sem dúvida uma das feiras mais representativas do setor de tecnologia, e a mais completa de todas. Recomendo a todos que reservem na agenda de suas vidas, uma semana em janeiro para ir a Las Vegas.

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Editorial IT Forum 365
16 anos ago

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