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Transformação digital: pipas ou drones?

Durante um final de semana ensolarado, minha filha de cinco anos fez um pedido: “Papai, vamos empinar uma pipa?!”. É claro que aceitei com prazer e com um fundo de curiosidade: como é que uma criança, nascida nos tempos de smartphones e tablets, poderia ter interesse por pipas?!

Após algumas horas de preparação da pipa (confesso que não foi nada fácil lembrar como fazer uma pipa!), lá fomos nós brincar com o ser voador. E, é claro, tivemos uma tarde maravilhosa, na qual imagens da minha própria infância apareceram várias vezes, temperando aquele momento de alegria com uma dose de nostalgia!

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E o que tudo isto tem a ver com transformação digital? A princípio, nada. E, no entanto, tudo.

Imagine a ameaça que os famosos drones, hoje muito populares e já envolvidos em diversos propósitos de negócio, são para as pipas. Pilotar um drone é muito mais radical, divertido, tecnológico. Não depende de vento. É colocar baterias e pronto! Só que não…

Muitos gurus e experts são protagonistas do “fim da era não digital”, na qual todos os negócios não digitais morrerão. E assim somente o mundo digital sobreviverá. Só que o mundo não é tão preto e branco assim – além das tonalidades de cinza, ele é bem colorido!

O fato é que todos os segmentos de negócio, hoje, graças à transformação digital, podem ter acesso a vantagens competitivas. Vantagens que, além de trazer mais retorno às empresas, vão fazer o mundo funcionar melhor e, em consequência, a vida das pessoas melhorar.

Alguns exemplos marcantes:

Trenitalia: considerada uma das maiores empresas de transporte de alta velocidade, adotou a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) para garantir maior nível de serviços para seus passageiros e aumentar a eficiência operacional. Com sensores instalados em vários componentes críticos dos trens, reduziu de 8% a 10% dos seus custos anuais.

Cidade de Buenos Aires: enfrentou constantes enchentes adotando o cruzamento de dados climáticos e sensores instalados em encanamentos, com informações real-time, melhorando a qualidade de vida de milhões de pessoas.

Porto de Hamburgo: destaque de inovação em logísticas entre portos, com uso da tecnologia foi possível dobrar a capacidade do porto sem nenhuma expansão física. Um grande caso de como a logística pode ser muito mais eficiente com tecnologia.

Em nenhum desses exemplos, e de muitos outros, foi preciso acabar definitivamente com o modelo de negócio até então adotado. Houve uma evolução para o mundo digital por meio de inovações trazidas pela internet das coisas, dados real time, uso de cientistas de dados.

No entanto, todos os exemplos citados possuem algo em comum: a tecnologia é secundária ao propósito de negócio. Definitivamente, hoje o gargalo não está em tecnologia, mas em entender de que forma o modelo de negócio futuro pode atingir objetivos como melhorar a satisfação dos clientes, aumentar a eficiência operacional e aumentar receitas.

Em outras palavras, conhecer o negócio e estruturar discussões (com o uso de Design Thinking) para definir um modelo futuro e seus objetivos é essencial para o sucesso da transformação digital. Concluída essa etapa, a tecnologia deve ser usada para criar protótipos rápidos e simples e, assim, testar o modelo.

Para finalizar, SIM, as pipas continuarão existindo com sua leveza, beleza e simplicidade.

Porém, se você hoje é um “fabricante de pipas”, deve começar a entender muito de drones, e pensar como eles farão parte do futuro do seu negócio. Indiscutivelmente, a transformação digital veio para ficar.

*Orlando Cintra é vice-presidente sênior de Tecnologia e Inovação da SAP Brasil

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Published by
Redação
Tags: transformação digital
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