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Termina a COMPUTEX 2012

Acabou mais uma COMPUTEX. De acordo com o balanço final levado ao conhecimento da imprensa internacional pelo Sr. Walter Yeh, Vice-Presidente Executivo da TAITRA na “Final Day Press Conference” realizada após o encerramento da feira (veja-o na Figura 1), as previsões foram alcançadas: durante os quatro dias de feira seus cinco pavilhões permaneceram lotados com 120 mil visitantes locais e exatos 35.674 visitantes internacionais provenientes de 169 países.

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Destes, a maioria (11%) veio do Japão, país asiático que sofreu os efeitos devastadores da tragédia que desabou sobre ele ano passado. Tragédia que, segundo o Sr. Yeh, fez com que muitas indústrias japonesas migrassem para Taiwan ou, pelo menos, estabelecessem aqui uma sucursal, o que repercutiu no aumento tanto do número de expositores quanto de visitantes daquele país. Em segundo lugar vieram os chineses, com cerca de 7,1% dos visitantes, ainda uma consequência do acordo comercial firmado entre Taiwan e China Continental. Depois, completaram os dez países que mais enviaram visitantes em ordem decrescente: EUA, Hong Kong, Coréia, Singapura, Malásia, Alemanha, Rússia e Tailândia.

Este ano o tópico “computação móvel” dominou os cinco pavilhões da feira. Há quem diga que se isto já não é o início da “era pós ?PC”, pelo menos é seu prenúncio. E talvez estejam certos. Afinal, também as duas gigantes do “mundo PC”, Microsoft e Intel, parecem ter aderido ao tema. Pois esta última centrou suas baterias nos Ultrabooks que, segundo se viu no último IDF, ela não considera um PC mas sim uma categoria de máquina que exprime um novo conceito em computação móvel. E uma categoria que parece destinada ao sucesso: segundo o instituto de pesquisas IEK, de Taiwan, espera-se que 160 milhões de unidades destes micros sejam vendidos até 2016.

Já a MS trouxe à baila seu tema recorrente nos últimos meses: Windows 8 (cuja edição beta “Release Preview” já está disponível). Mas seu objetivo principal foi anunciar que seu sistema, tradicionalmente atrelado às máquinas da família PC, a partir desta edição rodará tanto nos processadores desta linha como também nas máquinas equipadas com microprocessadores ARM, os preferidos pela imensa maioria dos dispositivos portáteis, ou “de mão” (“handheld“), sejam tabletes, sejam telefones celulares.

Ainda segundo Mr. Yeh, espera-se para breve, assim que Windows 8 for lançado oficialmente, a fusão dos dois conceitos: Ultrabooks rodando Windows 8. O que é muito provável. Pois se há um ano os Ultrabooks, apresentados pela Intel aqui mesmo na COMPUTEX 2011, ainda estavam no estágio conceitual, hoje já há no mercado 21 modelos (alguns fabricados no Brasil) e aqui na COMPUTEX comenta-se que há mais 110 deles em exposição, alguns ainda na forma de protótipos, mas que devem ser liberados nos próximos meses.

Já a decisão da MS de fazer com que seu novo OS rode também nos ARM parece visar o sistema operacional Android, que hoje domina a liça dos dispositivos portáteis. Na COMPUTEX havia um imenso número deles. E não apenas deles: seus acessórios também ocupavam um número considerável de estandes. Havia de tudo, desde suporte para tabletes até capas para telefones celulares, passando por carregadores de bateria que não exigem conexão com uma tomada de energia por trazerem suas próprias baterias internas ou serem alimentados com pilhas. E mais altofalantes, fones de ouvido e o que se possa imaginar.

O grande problema destes dispositivos é a falta de aplicativos de qualidade. E é justamente isto que pode fazer com que a MS seja bem sucedida no setor dos tabletes com seu Windows 8, já que no setor dos telefones espertos seu Windows Phone (cuja interface inspirou a do Windows 8) não fez o sucesso esperado. Mas os tabletes são diferentes precisamente no que toca a aplicativos. E o Windows 8 instalado em um deles rodará todos os aplicativos Windows. Inclusive o poderosíssimo pacote Office, um trunfo e tanto para a MS.

O terceiro tema a dominar a COMPUTEX 2012 foi a computação em nuvem, uma tecnologia que, segundo indicam as pesquisas de mercado realizadas pelo MIC (Marketing Intelligence and Consulting Institute de Taiwan) , deverá ser uma das mais importantes do mercado de TI nas próximas décadas. Somente as empresas de Taiwan esperam que sua receita oriunda deste mercado alcance 17,5 bilhões de dólares americanos em 2014, um valor que representará um crescimento anual de quase 33% sobre os 4,3 bilhões exportados em 2009. Um forte indício do crescimento nesta área é o fato de que os grandes fabricantes de Taiwan, como Acer e Asus, exibiram dispositivos destinados a usar a tecnologia de computação na nuvem. E a Acer anunciou que a partir deste ano todos os seus PCs e computadores portáteis (“notebooks“) incorporarão o conjunto de tecnologias denominado “Acer Cloud Services”.

Mas a COMPUTEX não é apenas uma exposição. Além das cerimônias de entrega dos prêmios, sobre os quais já falamos na coluna anterior, houve também a realização em paralelo de cerca de vinte fóruns e seminários que este ano receberam um número recorde de visitantes: 9.844 participantes assistiram suas 144 palestras e conferências. Com isto, segundo o Sr. Yeh, a COMPUTEX deixa de ser uma mera exposição de artefatos da indústria de TI e passa a ser também uma plataforma de discussão de novas tecnologias e lançamento de inovações.

E este ano os organizadores se esforçaram como nunca. Isto porque a crise econômica europeia provocou uma queda global no comércio exterior de Taiwan de 5% (embora no que toca a alguns países, como o México e o Brasil, tenha havido um crescimento significativo: as vendas para nosso país cresceram 20% no último ano). Por esta razão a COMPUTEX 2012 voltou-se predominantemente para a retomada das exportações, onde a indústria de TI tem peso significativo: provém dela 35% do total exportado pelo país.

Uma parte deste esforço foi vista nos salões dos “Procurement Meetings”, onde os organizadores do evento promovem encontros entre fabricantes e compradores. Nestes encontros, este ano, foram fechados negócios que se desdobrarão em um total de vendas de 13,3 bilhões de dólares americanos.

Mas isto não significa que a COMPUTEX visa exclusivamente incrementar a produção industrial de Taiwan. Embora, naturalmente, este seja seu principal objetivo, segundo o Sr. Yeh na entrevista coletiva de encerramento da feira, o evento está aberto para empresas de todo o mundo. E, de fato, empresas de dezenas de países lá estavam representadas este ano.

E assim termina mais uma feira.

Mas não esta coluna.

Que não pode terminar sem mostrar a foto mais esperada por alguns leitores: a nova Miss COMPUTEX. Aí está ela, na Figura 2. Mal acompanhada, é verdade, mas com um sorriso tão bonito que compensa a beleza que faltou do lado esquerdo da foto.

B. Piropo

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Editorial IT Forum 365
14 anos ago

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