Investir na comodidade e na conveniência do consumidor parece ser mais do que uma necessidade. Uma questão de sobrevivência
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Todos os dias, ao redor do mundo, profissionais de diferentes áreas
trabalham para desenvolver tecnologias que tornem as tarefas cotidianas
mais simples e inteligentes, capazes de estender a todas as pessoas, em
todos os cantos do planeta, comodidades que facilitem a vida. Os
benefícios resultantes de tais esforços são amplamente conhecidos, mas
às vezes alguns efeitos positivos menos óbvios desses avanços
tecnológicos surgem aqui e ali.
No Brasil, crédito mais
caro, confiança do consumidor em baixa, desemprego em alta, inflação
crescente (com a consequente redução do poder de compra dos salários) e
aumento do comprometimento da renda das famílias produziram neste 2015
um ambiente inóspito para o comércio e os serviços. O consumidor compra
menos. Empreendedores sentem no bolso hoje o que as pesquisas vão
comprovar amanhã. Contabilizam perdas, antecipam dificuldades e
perguntam-se quanto tempo mais esta fase difícil vai durar.
Entretanto,
embora vários indicadores reforcem o pessimismo e possam levar muita
gente a desanimar diante da suposta falta de perspectivas, outros
apontam em direção contrária. É preciso ficar atento a eles se se
quiser superar o imobilismo, sair na frente e ganhar dinheiro em tempos
bicudos.
Enquanto a mais recente pesquisa divulgada pelo
IBGE mostra que as vendas caíram 3,5% em junho na comparação com o mesmo
mês do ano passado, um indicador que se baseia nas vendas registradas
pela rede de pagamentos da MasterCard revela que o e-commerce cresceu no
país nada menos do que 9,8% sobre junho do ano passado, consolidando
uma tendência observada desde outubro de 2014, quando a empresa passou a
monitorar o desempenho do segmento. O percentual de alta de junho é o
9o de uma sequência de altas ininterruptas.
Investir na
comodidade e na conveniência do consumidor parece ser, portanto, mais do
que uma necessidade, mas questão de sobrevivência. A simples decisão de
passar a aceitar um meio eletrônico de pagamento como o cartão de
crédito, por exemplo, amplia o tíquete médio no comércio, gera mais
receita, diminui riscos de fraudes e reduz despesas relacionadas ao
gerenciamento de papel moeda ou cheques. Não é por outras razões que 92%
de pequenos empreendedores que responderam à outra pesquisa conduzida
pela MasterCard afirmaram que a tecnologia está contribuindo para que
vendam mais – mesmo em tempos de crise!
Para mim, o
significado desses números é claro: apesar do cenário macroeconômico
adverso, ainda há no Brasil um mercado exuberante para quem souber tirar
proveito dele. Fruto do comportamento de um consumidor que está entre
os mais conectados do mundo – lembremos que, de acordo com a edição 2014
da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), mais da metade
da população brasileira acima dos 10 anos de idade já está conectada à
internet –, esse mercado exige que o empreendedor entenda mudanças que
ocorrem alucinadamente à sua volta, antecipe-se a elas e ofereça-lhe
respostas ágeis e criativas. Destacar-se nele faz crescer muito as oportunidades de sucesso. Por aqui como em qualquer outro lugar do mundo.
Observe-se
a onipresença dos telefones móveis e note-se como vêm mudando a forma
que os consumidores pagam. Um relatório recentemente divulgado pelo
Banco Central americano, o Fed, revelou que, nos EUA, 39% dos usuários
de telefone celular já usaram seu dispositivo para pagar contas em uma
loja. Há um claro aumento da demanda por meios mais simples e seguros de
fazer pagamentos com dispositivos móveis. É preciso saber tirar partido
disso!
Na hora de turbinar as vendas – e a regra vale
especialmente para os pequenos e médios empreendedores –, vai mais longe
quem escolhe parceiros de negócios capazes de desenvolver tecnologia
que agregue inteligência ao relacionamento com os clientes. Quem vende
chapéu na praia precisa oferecer ao rapaz que quer um boné novo a
possibilidade de adquiri-lo no exato momento em que precisa cobrir a
cabeça para proteger-se do sol a pino. Com um celular, uma senha e
alguns cliques, a compra está paga. É seguro, é rápido e é conveniente.
Pagamentos
que dispensem papel moeda permitem ampliar as opções do consumidor e
aproveitar impulsos de consumo, alavancando ainda mais as vendas. O
empreendedor, porém, não deve contentar-se com essas facilidades. A
qualidade de seu relacionamento com o consumidor de bens e serviços
depende também de sua eficiência como gestor e sua capacidade de inovar.
E tudo isso requer maior acesso a serviços de informação que lhe
forneçam dados de transações submetidos a análise de peritos com
capacidade para enriquecer e aprofundar suas percepções acerca do
mercado em que atua, da região que cobre, do cliente que almeja.
Sem
uma melhora do ambiente econômico, não será fácil a retomada das vendas
no varejo nos próximos meses. Se, no entanto, os empreendedores do
Brasil firmarem parcerias capazes de contribuir para que otimizem seus
negócios, encontrarão maneiras criativas de superar desafios. É a guerra
da tecnologia contra o desalento. Que vençam os que souberem – e
tiverem os meios de – ousar.
(*) Alexandre Brito é vice-presidente de Desenvolvimento de Aceitação e Negócios da MasterCard Brasil e Cone Sul
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