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Tarifas dos EUA ameaçam setor de TIC brasileiro, mas criam oportunidade de reposicionamento global

Imagem: Shutterstock

O setor brasileiro de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) enfrenta um cenário paradoxal em 2025: enquanto as novas tarifas americanas de 50% sobre exportações brasileiras representam o maior choque de custos desde os anos 1940, a diferença de 95 pontos percentuais em relação às tarifas aplicadas à China pode transformar o Brasil em uma alternativa estratégica para empresas que buscam diversificar suas cadeias de suprimento.

Segundo análise da Softex, a imposição das tarifas elevará em cerca de 14,5% o custo médio de insumos do setor de TIC nacional, uma vez que 29% das importações brasileiras de eletrônicos vêm dos Estados Unidos. O impacto se espalha por toda a cadeia produtiva: produtos de hardware podem ter aumento de 10% a 30% no custo final, enquanto serviços de infraestrutura em nuvem devem ficar 5% a 10% mais caros.

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A escalada tarifária entre Estados Unidos e China, que atingiu patamares de até 145% para produtos chineses, coloca o Brasil em uma posição competitiva inédita. “A diferença tarifária entre Brasil e China, aliada à busca por diversificação, posiciona o Brasil como uma alternativa viável para as empresas americanas”, aponta o documento da Softex.

Leia também: Nova tarifa de Trump preocupa produtores brasileiros de eletroeletrônicos

O fenômeno, batizado pelos analistas de “Brazil-shoring”, combina o alinhamento político moderado do País com sua proximidade relativa às Américas e neutralidade geopolítica no conflito sino-americano. Essa posição privilegiada pode atrair investimentos em segmentos como assembly, test and packaging (ATP) de semicondutores, área na qual o Brasil já possui capacidade instalada.

O mercado brasileiro de TIC movimentou aproximadamente R$ 590 bilhões em 2024, demonstrando robustez mesmo diante das turbulências globais. O País conta com 1,31 milhão de profissionais de TI, representando 2,4% dos vínculos formais de trabalho. Contudo, o setor enfrenta um déficit crítico de talentos. Em 2023, apenas 93,5 mil pessoas se formaram em cursos de TI, número considerado insuficiente frente ao crescimento acelerado da digitalização.

“A escassez de talentos é citada por 46,2% das empresas como um dos principais desafios”, revela o estudo. As taxas de evasão (38%) e desistência (65,5%) nos cursos da área agravam o problema. O fenômeno da “fuga de cérebros” – tanto física quanto virtual, com profissionais trabalhando remotamente para empresas estrangeiras – intensifica a pressão sobre o mercado de trabalho local.

A análise da Softex identifica riscos estruturais que podem comprometer o aproveitamento das oportunidades. Para empresas exportadoras de tecnologia, a projeção é preocupante: entre 15% e 25% dos empregos podem ser perdidos nos primeiros 18 meses após a implementação das tarifas. A Universidade Federal de Minas Gerais estima uma perda total de 110 mil vagas em um ano, sendo 26 mil no setor industrial.

O documento propõe estratégias de adaptação para diferentes atores do ecossistema. Para o governo, sugere a criação de um marco regulatório específico para nearshoring e a aceleração do programa Brasil Semicon, com foco em operações de ATP de semicondutores. As empresas são orientadas a investir em certificações internacionais massivas – como SOC 2, CMMI e ISO – para acessar contratos americanos, além de diversificar geograficamente para mercados como Europa, América Latina e Ásia.

“Certificações como SOC 2 e CMMI são essenciais para acessar contratos nos EUA. O MPS.BR se destaca como o caminho mais curto para atingir a certificação CMMI”, orienta o estudo.

A reconfiguração geopolítica global acelera mudanças estruturais na demanda por serviços de TIC: diversificação geográfica obrigatória, emergência de estratégias de “friend-shoring” e “near-shoring”, e crescimento da complexidade de compliance regulatório. Essas tendências reforçam a atratividade do Brasil como hub estratégico, dada sua neutralidade política, fuso horário favorável para atender o mercado americano e crescente maturidade em segurança internacional.

A análise conclui que o sucesso do País em transformar os desafios tarifários em vantagens competitivas dependerá da capacidade de executar estratégias de diversificação enquanto mantém estabilidade regulatória e investe em capacitação tecnológica.

Para o setor de TIC brasileiro, 2025 representa tanto o maior desafio tarifário em décadas como a maior oportunidade de reconfiguração da posição nacional nas cadeias globais de valor tecnológico.

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Pamela Sousa
Tags: BrasiltarifasTICTrump
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