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Mesmo com o Google sendo convocado pela Câmara Federal para participar de debate sobre as mudanças em sua Política de Privacidade, Felix Ximenes, diretor de comunicação e políticas públicas da companhia no Brasil, garantiu em entrevista exclusiva ao IT Web que tanto autoridades quanto os próprios internautas estão mais tranquilos quanto às novidades apresentadas pela companhia no início de março.
A companhia unificou 60 Políticas de Privacidade no primeiro dia do mês passado, após alardear, por cerca de dois meses, que o movimento ocorreria em âmbito mundial. Com a estratégia, a companhia teria acesso, em um ambiente, a todos os dados fornecidos pelos internautas em diversos tipos de produtos do Google, integrando dados disponibilizados no Google+, em sua ferramenta de buscas, Youtube, entre outros.
Surgiu, portanto, o temor de que tais informações fossem usadas desrespeitando o direito à privacidade do internauta. “Esse tipo de reação [medo e preocupação quanto ao sigilo dos dados] é algo que faz parte desse tipo de mudança”, explicou o executivo, que citou casos de desconfiança parecidos na França e na Alemanha.
Logo na sequência do vigor da medida, no dia 8 de março, o Ministério da Justiça pediu que o Google explicasse as novas regras e seus impactos. Em comunicado encaminhado à imprensa, o órgão informara que o pedido de esclarecimento foi feito com base na legislação de defesa do consumidor e no direito constitucional à privacidade.
Debate
E como resultado, a Comissão de Defesa do Consumidor realizará nesta quarta-feira (11/04) audiência pública para discutir as novas regras de privacidade do Google e seus impactos. A iniciativa do debate, de acordo com a Agência Câmara, é dos deputados Paulo Pimenta (PT-RS) e Eli Correa Filho (DEM-SP). “Como forma de justificar a mudança, mas sem revelar claramente o real interesse da empresa, o Google divulgou que a integração dos dados dos internautas permitirá uma melhor seleção de busca, de acordo com o perfil e o histórico deixado pelos usuários na internet”, disseram.
“Segundo especialistas, o que o Google pretende, na verdade, é obter o máximo de informações para repassar aos seus anunciantes, gerando maior lucro com base na exploração das preferências de cada pessoa, ao acessar a internet”, afirmaram.
Pimenta quer avaliar também se os Termos de Serviço contrariam o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90). Ele afirma que são proibidas ações judiciais de usuários contra a empresa fora da Comarca de Santa Clara, na Califórnia (EUA), local sede do Google.
Além de representantes da empresa e do presidente do Facebook o Brasil, Alexandre Hohagen, participa do debate José Milagre, especialista em perícia digital e blogueiro do IT Web. A reunião será realizada às 14h30, em Brasília.
Tudo no Dashboard
Com a alteração das políticas de privacidade, veio também o Dashbord, que é um ambiente que pontua quais são os produtos pelos quais a companhia coleta seus dados pessoais. “Com a leitura dos termos de privacidade, mudou radicalmente a posição da sociedade sobre isso e aumentou muito a visualização do Dashboard”, disse o executivo, sem, contudo, abrir números sobre esse aumento de visitas.
Vale lembrar que, no ambiente, o internauta consegue editar suas preferências e pontuar quais tipos de informações podem ser utilizadas pelo Google, ou quais ele prefere que não sejam rastreadas. Ximenes disse que poucos pediram que seus dados não fossem coletados
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