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Sob o controle da Oracle, futuro do Java é incerto

A comunidade Java vai prosperar sob o guarda-chuva da Oracle, como ocorreu com a Sun Microsystems? Fornecedores de produtos Java estão divididos em relação a essa questão. O Chief Technologist para middleware da Red Hat e também membro do comitê executivo da Java Community Process (JCP), Mark Little, levantou a preocupação em uma entrevista, ao dizer que a Oracle poderá manter um controle mais forte sobre a linguagem de programação Java.

Como a Oracle tem um foco mais forte em monetizar sua tecnologia do que a Sun era, a companhia de Larry Ellison pode tentar manter um controle mais forte sobre o Java, advertiu Litte. Com um controle mais solto da linguagem e de padrões de suporte, a Sun permitiu o crescimento de um ecossistema de fornecedores Java. Um controle mais rígido por parte da Oracle pode ser benéfico para a companhia, mas pode limitar a comunidade Java como um todo.

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O gerente geral da divisão SpringSource, da VMWare, Rod Johnson, tem uma visão um pouco mais otimista a respeito do assunto. A unidade oferece versões prontas para produção do framework de desenvolvimento Spring e a aplicação para servidores Tomcat, entre outras tecnologias Java. “Não espero que a Oracle faça qualquer coisa sinistra ao Java”, diz Johnson. “Ela não é uma companhia burra”.

Em ambos os casos, o Java se tornou uma das várias tecnologias patrocinadas pela Sun, que incluem OpenOffice e MySQL, cujos destinos permanecem incertos. Um porta-voz da Oracle se recusou a comentar a respeito dos planos da companhia para a linguagem, embora a companhia tenha agendado um webcast para a próxima quarta-feira, 27/1, para detalhar como as tecnologias da Sun serão incorporadas ao roadmap estratégico da Oracle.

A companhia tinha informado que o Java é uma parte importante dos motivos que levaram à compra da Sun. Em uma lista de perguntas e respostas que descreve ramificações do acordo para clientes da Sun, a Oracle afirmou que planeja não apenas ampliar e acelerar seus investimentos na plataforma Java, mas também aumentar seu comprometimento com a comunidade que ajuda a fazer do java uma plataforma ubíqua e inovadora”.

Em 2006, a Sun começou a abrir o código do Java, colocando a linguagem sob a General Public Licence e permitindo que a JCP determinasse como a linguagem deveria evoluir. No entanto, a companhia manteve a propriedade sobre a marca Java, bem como poder de veto dentro da JCP, conta Little. “Se a Sun não quisesse que alguma coisa acontecesse, não aconteceria”, observa.

Em um post de novembro em um blog, o Chief Technology Officer (CTO) da SAP, Vishal Sikkaalso, também observou a influência da Sun na JCP. A SAP é outra heavy user de Java em sua plataforma Netweaver. “A JCP é fortemente dominada pela Sun Microsystems,” escreveu ele.

Little observa que o controle da Sun não representa um problema sério para o desenvolvimento do Java. “A Sun fez um excelente trabalho como guardiã. De certa forma, eles eram um ditador benevolente”, afirma.

Parte deste comportamento benigno veio do fato que, mesmo com o Java ganhando popularidade, a Sun não tinha uma grande participação financeira no mercado de middleware Java. “Quando a Sun começou com o Java, ela definiu um padrão [Java 2 Enterprise Edition], mas não houve uma implementação fora da referência. Ela não estava competindo contra os desejos de Hewlett-Packard, IBM ou BEA Systems,” avalia Little. Apenas quando a empresa deu início ao desenvolvimento de sua aplicação para servidores Glassfish é que começou-se a sentir o calor da Sun.

A Oracle tem um próspero negócio no mercado de middleware Java, impulsionado pela aquisição, em 2008, da BEA, que oferecia o WebLogic. A Red Hat oferece soluções concorrentes: uma apliacação para servidores e o software JBoss Enterprise Application Platform. “A Oracle tem um ótimo histórico de fazer um negócio adquirido por ela crescer”, avalia Little. Ele especula que a Oracle possa onerar seus competidores de middleware Java, cobrando pelo uso de especificações, ou rejeitando pedidos de que um produto é compatível com Java.

Little admite que “não há indicações por parte da Oracle de qualquer dessas possibilidades. Este é o pior cenário”. Além disso, a Oracle tem sido um contribuidor ativo na JCP e vem incentivando mais abertura no processo de desenvolvimento. Isso, é claro, porque a linguagem é aberta e, portanto, os desenvolvedores podem deixar a Oracle com a versão oficial e concentrar seus esforços em projetos externos, como o OpenJDK, a implementação open source da plataforma Java.

Johnson, da SpringSource, observa que a maior parte do desenvolvimento Java atualmente é feito não na linguagem, mas com outro software construido sobre o Java e por organizações que não a Sun. “A comunidade Java não tem a dependência da Sun como tinha há cinco ou dez anos”, analisa. A Oracle pode tomar decisões impopulares e “a comunidade pode divergir”, afirma Johnson. O trabalho deles só não poderia ser chamado de Java, acrescenta Little said.

É improvável que este tipo de controle ocorra, aposta Johnson, já que a Oracle tem mais a perder, financeiramente. “A Oracle é incrivelmente dependente do Java” para muitos de seus principais programas, diz Johnson. “A receita que a Oracle obtém com o Java sendo saudável é muito maior do que os rendimentos que ela poderia obter ao adotar um controle mais agressivo”, completa.

A comunidade Java é tão grande atualmente que qualquer tentativa de fechar um certo segmento da tecnologia seria derrotada por outras abordagens, concorda o CEO da Terracotta, Amit Pandey. Esta empresa oferece software que escala aplicações Java por meio de múltiplos servidores que compete com a Oracle com o software Coherence. “É sempre um pouco estressante quando uma empresa que não é conhecida como um player open source entra em um terreno aberto como o Java. Mas está muito claro que a Oracle não está desmerecendo o Java, especialmente quando tanto de sua receita depende do Java”.

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Redação
16 anos ago

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