Hugo Bar, sócio-fundador e CTO da Tripla. Imagem: Divulgação
A virada para 2026 marcará uma mudança definitiva na estratégia das lideranças de tecnologia: o fim da defesa reativa e a consolidação da “confiança digital”. Com o avanço de legislações sobre inteligência artificial (IA) e a sofisticação de ciberataques, a credibilidade e a postura preventiva deixam de ser diferenciais para se tornarem requisitos de operação.
A conclusão é de um levantamento realizado pela Tripla, empresa de tecnologia e cibersegurança, que mapeou as tendências tecnológicas e regulatórias para os próximos anos. O estudo indica que a adoção de automação e IA exigirá bases robustas de ética e governança para garantir a sustentabilidade dos negócios.
Para Hugo Bar, sócio-fundador e CTO da Tripla, a eficiência tecnológica não poderá mais ser dissociada da ética. “Em 2026, a tecnologia não será apenas sobre o que podemos fazer, mas sobre o quão eticamente, eficientemente e preventivamente podemos fazê-lo”, afirma o executivo.
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A primeira grande mudança apontada é a migração dos orçamentos de segurança. Diante de ameaças impulsionadas por IA generativa — como phishing hiper-realista e deepfakes —, esperar o ataque acontecer tornou-se financeiramente inviável.
Bar projeta que, até 2030, metade dos investimentos em segurança de TI serão alocados em soluções preventivas, alinhando-se a tendências globais já observadas pelo Gartner. O foco dos CIOs deve se voltar para:
CTEM (Continuous Threat Exposure Management): Programas que avaliam continuamente a exposição a riscos.
Arquiteturas SASE e SSE: Convergência de segurança e rede na nuvem para fortalecer o modelo Zero Trust.
Com a provável vigência do Marco Legal da IA (PL 2338/2023), a governança deixa de ser apenas uma boa prática para virar obrigação legal. As empresas precisarão estruturar comitês éticos e garantir a explicabilidade de seus algoritmos.
Um ponto de atenção para os gestores é o impacto ambiental. O funcionamento de mega data centers para IA generativa elevou o consumo de energia e água, o que deve atrair novas regulações ambientais específicas para o setor. “Empresas que utilizam ou oferecem IA precisarão prestar contas não apenas sobre a ética e a segurança de seus algoritmos, mas também sobre a sustentabilidade de suas operações”, alerta Bar.
A gestão de identidade passará por duas frentes de batalha. A primeira é a eliminação das senhas tradicionais em favor de passkeys (credenciais criptográficas) e biometria comportamental, movimentos já liderados por gigantes como Apple e Google para reduzir vulnerabilidades.
A segunda frente é o gerenciamento de identidades não humanas. Com o aumento de agentes de IA e bots operando dentro das empresas, essas “entidades” precisarão de controles de acesso tão rigorosos quanto os humanos para evitar que se tornem vetores de ataque.
No ambiente de trabalho híbrido, o desafio dos líderes será equilibrar produtividade e privacidade. O monitoramento de equipes, embora necessário para identificar gargalos, esbarra nos limites éticos e na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
A transparência será o fiel da balança. As organizações devem justificar claramente o motivo da coleta de dados, evitando a percepção de vigilância invasiva. Segundo o CTO da Tripla, a tecnologia deve servir para fortalecer o trabalho e oferecer dados para decisões justas, e não apenas para vigiar.
Para o líder de tecnologia, o recado para 2026 é claro: a confiança virou um ativo comercial. No mercado B2B, certificações de segurança e compliance automatizado estão se tornando requisitos básicos em processos de compra. A infraestrutura resiliente e cadeias de suprimentos auditáveis são a base invisível que determinará quem conseguirá operar e inovar com segurança nos próximos anos.
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