Imagem: Shutterstock
A família que controla a Samsung finalizou o pagamento de um dos maiores impostos sobre herança já registrados no mundo. O montante, equivalente a cerca de US$ 8 bilhões, encerra um processo que vinha sendo acompanhado de perto por investidores e pelo mercado global, segundo informações da BBC.
O valor está ligado ao patrimônio deixado por Lee Kun-hee, ex-presidente do grupo, que morreu em 2020. A sucessão de seu legado financeiro colocou em evidência não apenas a estrutura da companhia, mas também o modelo de governança típico dos grandes conglomerados familiares da Coreia do Sul.
A quitação foi feita em seis parcelas ao longo de cinco anos por membros centrais da família, incluindo Lee Jae-yong, atual líder da empresa, além de sua mãe e irmãs.
O imposto incidiu sobre uma herança estimada em cerca de 26 trilhões de won, composta por participações acionárias, imóveis e uma relevante coleção de arte. A legislação sul-coreana prevê alíquotas que podem chegar a 50%, uma das mais elevadas do mundo nesse tipo de tributação.
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Esse contexto fez com que o mercado acompanhasse de perto o processo, já que o pagamento poderia influenciar diretamente a capacidade da família de manter o controle sobre o conglomerado.
Parte do acervo herdado foi direcionada a instituições culturais. Obras de artistas como Pablo Picasso e Salvador Dalí foram destinadas a museus e organizações na Coreia do Sul, incluindo o Museu Nacional do país.
A decisão de doar parte do patrimônio foi anunciada ainda no início do processo de sucessão, quando a família destacou que o pagamento de impostos faz parte das obrigações cívicas.
Apesar do impacto bilionário, a posição financeira da família foi fortalecida recentemente. Segundo dados do Bloomberg Billionaires Index, o patrimônio combinado ultrapassa US$ 45 bilhões.
Esse crescimento está diretamente ligado ao desempenho da Samsung Electronics, impulsionado pela demanda global por semicondutores, especialmente com o avanço da inteligência artificial (IA).
A empresa ocupa posição estratégica nesse mercado, atuando tanto na fabricação de chips quanto em segmentos como smartphones e televisores, o que amplia sua exposição às transformações tecnológicas em curso.
A Samsung é o maior chaebol da Coreia do Sul, modelo de conglomerado familiar com atuação diversificada. Suas operações vão além da tecnologia, abrangendo setores como construção, indústria pesada e serviços financeiros.
A conclusão do pagamento do imposto encerra um ciclo importante na transição de liderança da companhia, ao mesmo tempo em que reforça a capacidade do grupo de atravessar processos complexos sem comprometer sua estrutura de controle.
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