Imagem: Shutterstock
A Penske Media Corporation (PMC), dona de títulos como Rolling Stone e The Hollywood Reporter, abriu um processo contra o Google nos Estados Unidos, alegando que os resumos gerados por inteligência artificial na busca estariam prejudicando seu modelo de negócios. A empresa se tornou o primeiro grande grupo de mídia norte-americano a entrar na Justiça contra o recurso, que aparece no topo dos resultados de pesquisa com informações sintetizadas.
Segundo a ação, revelada pelo The Verge, os chamados AI Overviews oferecem respostas prontas e reduzem o incentivo para que usuários cliquem nos links originais. Com isso, os sites registraram queda expressiva de tráfego, afetando diretamente as receitas, em especial as provenientes de links de afiliados, que teriam despencado mais de um terço apenas em 2025.
Embora a PMC seja o nome mais relevante até agora a questionar judicialmente o Google, não é a única. A plataforma educacional Chegg já havia iniciado um processo em fevereiro, enquanto pequenos editores independentes na Europa moveram ações semelhantes. Além disso, a News/Media Alliance — associação que reúne veículos de comunicação — classificou o recurso como “roubo” e pediu intervenção do Departamento de Justiça norte-americano.
Para a Penske, a situação representa um dilema: ou bloqueia o rastreamento do Google, o que significaria desaparecer das buscas, ou mantém o conteúdo aberto, servindo de combustível para a IA da companhia que, na visão dos executivos, ameaça o futuro do jornalismo.
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Em resposta ao Wall Street Journal, o porta-voz, José Castañeda defendeu que os resumos melhoram a experiência de busca, tornando-a mais útil e aumentando o uso da plataforma. A big tech tem repetido que fornece links para os conteúdos originais, mas os publishers argumentam que o comportamento dos usuários já mudou e que poucos acessam as matérias na íntegra após ler os trechos destacados pela IA.
O embate entre empresas de tecnologia e criadores de conteúdo vem se intensificando. Recentemente, a Encyclopedia Britannica e a Merriam-Webster processaram a startup Perplexity, enquanto a News Corp já havia acionado a Justiça em 2024. A disputa também envolve a Microsoft e a OpenAI, alvos de ações movidas por veículos como The New York Times, Chicago Tribune e New York Daily News.
Especialistas avaliam que a posição do Google pode ficar mais frágil diante da pressão regulatória, já que a própria companhia reconheceu que a web aberta está em “rápido declínio” e enfrenta diversas acusações de práticas anticompetitivas.
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